1967 - NSU WANKEL SPIDER
O NSU Wankel Spider é um marco na história automotiva, sendo o primeiro veículo de produção em série do mundo a utilizar o inovador motor rotativo Wankel. Lançado em 1963, no Salão de Frankfurt (IAA), o pequeno conversível de dois lugares surpreendeu o público não pelo seu design, embora atraente, mas pelas qualidades mecânicas revolucionárias de seu motor.
Origem do Motor Wankel
A história do NSU Wankel Spider está intrinsecamente ligada ao engenheiro alemão Felix Wankel, que começou a desenvolver o conceito de motor rotativo na década de 1920. Em 1933, Wankel obteve sua primeira patente para o motor, mas foi somente na década de 1950, em parceria com a NSU Motorenwerke AG, que o projeto ganhou forma prática. Em 1951, Wankel e a NSU, com a colaboração do engenheiro Walter Froede, iniciaram o desenvolvimento do motor rotativo, culminando no protótipo DKM 54, testado com sucesso em 1º de fevereiro de 1957. Esse motor utilizava um rotor triangular girando dentro de uma carcaça oval, eliminando a necessidade de pistões e bielas tradicionais, resultando em um funcionamento mais suave, com menos vibrações e peças móveis.
Desenvolvimento e Testes
Os primeiros testes do motor Wankel foram realizados em 1959, quando o motor KKM 250 foi instalado em um NSU Prinz, um modelo compacto da marca. Esse teste inicial foi discreto, mas promissor. Logo depois, o motor evoluiu para o KKM 400, instalado em um NSU Sport Prinz, que serviu como base para o desenvolvimento do Spider. O motor compacto permitiu um design inovador, com dois porta-malas (um dianteiro e outro traseiro), aproveitando o espaço reduzido ocupado pelo propulsor.
O NSU Wankel Spider
Revelado oficialmente em setembro de 1963, o NSU Wankel Spider era uma versão conversível do NSU Sport Prinz, com carroceria desenhada pela renomada Bertone. Equipado com o motor KKM 502, de rotor único, 498 cm³ (equivalente a 996 cm³ em deslocamento), o Spider produzia inicialmente 50 cv a 5.500 rpm, posteriormente elevado para 54 cv a 6.000 rpm. Com peso de apenas 700 kg, o carro alcançava uma velocidade máxima de 160 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 15 segundos, números respeitáveis para a época.
O motor Wankel oferecia vantagens como suavidade, baixo peso e alta potência relativa ao tamanho, mas enfrentava desafios, como problemas de vedação dos rotores e maior consumo de combustível e óleo. Apesar disso, o Spider cativou o público no Salão de Frankfurt, destacando-se como um símbolo de inovação tecnológica.
Produção e Recepção
A produção do NSU Wankel Spider começou em 1964 e continuou até julho de 1967, com um total de 2.375 unidades fabricadas. Disponível nas cores Alfa Red e Lily White, o carro custava cerca de 8.500 marcos alemães, um preço elevado que o colocava próximo de modelos como o Chevrolet Corvette nos Estados Unidos (2.979 dólares na época). Esse valor, aliado aos problemas de confiabilidade do motor, limitou seu sucesso comercial. A durabilidade das vedações dos rotores era uma questão recorrente, exigindo manutenções frequentes, o que afetou a reputação do modelo.
Legado
Apesar das vendas modestas, o NSU Wankel Spider marcou época como pioneiro. A NSU continuou a explorar a tecnologia Wankel com o NSU Ro 80, lançado em 1967, que utilizava um motor de duplo rotor e foi eleito Carro do Ano na Europa em 1968. No entanto, os mesmos problemas de vedação e consumo prejudicaram o Ro 80, contribuindo para dificuldades financeiras que levaram à fusão da NSU com a Audi em 1969, formando a Audi-NSU AG, posteriormente absorvida pela Volkswagen.
Hoje, o NSU Wankel Spider é um clássico raro e valorizado por colecionadores, simbolizando o espírito inovador da NSU. Sua história foi celebrada em exposições, como a mostra “Inovação. Audácia. Transformação. 150 Anos de NSU”, realizada no Audi Forum Neckarsulm até maio de 2024. O Spider permanece como um testemunho da ousadia de Felix Wankel e da NSU em revolucionar a engenharia automotiva.