2026 - PAGANI HUAYRA 70 ANIMA
A Pagani Automobili voltou a demonstrar que a construção de um hiperesportivo pode ultrapassar os limites da engenharia convencional e alcançar o território da arte e do artesanato. Apresentado mundialmente em 31 de outubro de 2026, durante o Concours at Wynn Las Vegas, nos Estados Unidos, o Huayra 70 Anima é o terceiro e último exemplar de uma trilogia especial criada para celebrar os 70 anos de Horacio Pagani, fundador e principal responsável pela identidade estética e técnica do fabricante italiano. Desenvolvido pela divisão Grandi Complicazioni, dedicada a projetos exclusivos e altamente personalizados, o automóvel representa a materialização de uma visão particular de beleza, combinando fibra de carbono aparente, acabamentos preciosos e uma configuração mecânica que recupera um dos elementos mais apreciados pelos entusiastas: a transmissão manual.
A denominação Anima, que significa alma em italiano, traduz a intenção por trás do projeto. A configuração foi desenvolvida durante mais de um ano em colaboração direta com seu proprietário, com o objetivo de transformar lembranças, referências pessoais e aspirações em um automóvel verdadeiramente individual. O modelo completa a sequência iniciada pelo Huayra 70 Trionfo e continuada pelo Huayra 70 Derecho, formando uma coleção de apenas três exemplares. Os três automóveis foram exibidos juntos pela primeira vez em Las Vegas, numa reunião que marcou o encerramento dessa homenagem especial ao fundador da empresa.
Uma pintura enriquecida com pó de diamante e detalhes em platina
A identidade visual do Huayra 70 Anima é uma de suas características mais extraordinárias. A carroceria combina duas tonalidades desenvolvidas exclusivamente para o projeto: Azzurro Metallizzato Custom, um azul metálico claro, e Blu Inchiostrato Custom, um azul profundo e intenso. Ambas recebem partículas de pó de diamante incorporadas à pintura, criando um efeito luminoso particular conforme a incidência da luz.
O elemento mais sofisticado da decoração é a faixa longitudinal confeccionada com folha de platina aplicada manualmente, trabalhada artesanalmente para produzir um padrão decorativo exclusivo. Uma segunda faixa alterna os dois tons de azul, enquanto os retrovisores reproduzem a mesma combinação cromática. A estrutura utiliza fibra de carbono e alumínio, materiais fundamentais na construção dos hiperesportivos da marca.
Os componentes de alumínio usinados a partir de blocos maciços recebem anodização prateada, enquanto as rodas de desenho exclusivo combinam acabamento Blu Inchiostrato com contorno Las Vegas Blue. As pinças de freio cromadas acrescentam outro contraste visual, e as molas dos amortecedores e barras de ligação do chassi recebem acabamento em azul-claro inspirado na bandeira argentina.
Um V12 biturbo acompanhado por uma transmissão manual de 7 velocidades
A mecânica preserva uma das características mais emblemáticas dos automóveis Pagani: o motor Mercedes-AMG V12 de 6.0 litros, com dois turbocompressores, instalado em posição central-traseira. Trata-se da tradicional família de motores desenvolvida especialmente para os hiperesportivos do fabricante italiano, reconhecida pela combinação de elevada potência, torque abundante e sonoridade característica.
Embora a Pagani não tenha publicado uma ficha de desempenho específica para o Anima, informações técnicas divulgadas pela imprensa especializada associam o conjunto à configuração de aproximadamente 864 cv e 1.100 Nm, conhecida em outras versões especiais do Huayra. Esses números devem ser considerados referências da família mecânica, e não valores oficialmente confirmados para esta unidade.
A grande particularidade está na transmissão. O Huayra 70 Anima utiliza uma caixa manual Xtrac de 7 velocidades, com mecanismo de seleção exposto e três pedais. A solução recupera uma configuração que a Pagani introduziu no Huayra Epitome de 2024 e que posteriormente passou a integrar os exemplares da trilogia Huayra 70. A transmissão envia a força exclusivamente às rodas traseiras, por meio de um diferencial autoblocante eletromecânico.
Em uma época na qual transmissões automatizadas de dupla embreagem dominam o segmento dos hiperesportivos, a escolha de uma caixa manual representa uma declaração de princípios. A intenção é proporcionar uma experiência de condução mais envolvente, na qual o condutor participa diretamente de cada troca de marcha.
Aerodinâmica e escapamento: engenharia transformada em escultura
A carroceria aberta recebe um tratamento aerodinâmico bastante elaborado, com divisor dianteiro pronunciado, saias laterais alongadas, difusor traseiro de grandes dimensões e aerofólio fixo. Atrás dos ocupantes, estruturas individuais de proteção contra capotamento reforçam a identidade do conjunto e integram-se ao desenho da seção traseira.
Um dos detalhes mais surpreendentes está no sistema de escapamento. Desenvolvido especialmente para o automóvel, ele apresenta seis saídas revestidas com cerâmica branca, uma solução visualmente incomum que contrasta com a fibra de carbono escura e as tonalidades azuis da carroceria. Os componentes mecânicos visíveis recebem acabamentos anodizados em azul Tricolore, reforçando a preocupação da Pagani em transformar até mesmo os elementos funcionais em partes da composição estética.
Um habitáculo que combina couro, fibra de carbono e tecidos exclusivos
No interior, a combinação de materiais segue a mesma filosofia de personalização. Os revestimentos utilizam couro em tons de bege e branco-leite, complementados por tecidos exclusivos fornecidos pelo tradicional fabricante italiano Loro Piana. A fibra de carbono aparente predomina nos elementos estruturais e decorativos, recebendo acabamento Blu Inchiostrato.
O volante e a manopla da transmissão manual apresentam a tonalidade Azzurro Metallizzato Custom, também enriquecida com partículas de pó de diamante. O mecanismo exposto da transmissão, localizado entre os bancos, transforma a própria seleção das marchas em um elemento visual de destaque. Detalhes gráficos inspirados nas bandeiras da Argentina e de Las Vegas acrescentam referências à história pessoal do proprietário e ao local de apresentação do automóvel.
A combinação de couro, tecido, metal usinado e fibra de carbono cria um ambiente que consegue reunir sofisticação artesanal e uma atmosfera genuinamente esportiva.
O último capítulo de uma homenagem especial
O Huayra 70 Anima encerra uma trilogia que representa uma das mais particulares expressões da divisão Grandi Complicazioni. O primeiro exemplar, Huayra 70 Trionfo, recebeu uma combinação de fibra de carbono aparente esverdeada e detalhes em laranja. O segundo, Huayra 70 Derecho, apresentado no Goodwood Festival of Speed de julho de 2026, adotou pintura Pearl Orange e azul profundo, com componentes em carbono aparente e acabamento Titanium.
O Anima completa esse conjunto com sua interpretação em azul, platina e pó de diamante. Mais do que três configurações estéticas diferentes, os automóveis representam três projetos individualizados, desenvolvidos em colaboração com seus respectivos proprietários.
A apresentação em Las Vegas também reuniu aproximadamente 40 outros exemplares raros e especiais da Pagani, reforçando a importância do evento para a história do fabricante. Com apenas três automóveis produzidos na trilogia Huayra 70, o Anima ocupa uma posição particularmente especial na trajetória da marca, não apenas pela exclusividade, mas por representar a visão pessoal de Horacio Pagani sobre a relação entre engenharia, arte e emoção.







