1981 - PEUGEOT 504 CABRIOLET
Viajamos agora para a França do início dos anos 1980, um país que vivia um momento de contrastes: de um lado, a ousadia estética e tecnológica que despontava em Paris e nas montadoras locais; do outro, a nostalgia refinada que ainda moldava parte da indústria automotiva. Nesse cenário, o Peugeot 504 - já um veterano de estrada lançado em 1968 - encontrava nova vida em suas versões mais sedutoras: o Coupé e o Cabriolet de 1981, duas interpretações elegantes de um dos modelos mais duráveis e bem-sucedidos da marca francesa.
Diferentemente da versão sedan, que ganharia fama mundial pela robustez e longevidade, o 504 Coupé e o 504 Cabriolet tinham outra missão: representar o lado mais nobre e estilizado da Peugeot. Para isso, a marca recorreu ao estúdio italiano Pininfarina, que esculpiu carrocerias de proporções impecáveis, linhas fluidas e estilo sóbrio - um equilíbrio perfeito entre a racionalidade francesa e o romantismo italiano.
Em 1981, já em fase madura de produção, ambos os modelos exibiam um design atemporal. O Coupé ostentava uma silhueta elegante, com teto baixo, traseira levemente elevada e uma dianteira marcada pelos faróis trapezoidais característicos. O Cabriolet, por sua vez, preservava a mesma linguagem visual, mas ganhava charme adicional com sua capota dobrável e a pureza das linhas abertas, destacando a harmonia entre o para-brisa, a cintura lateral e a traseira proporcional.
Sob o capô, os 504 Coupé e Cabriolet de 1981 eram movidos principalmente pelos motores da série PRV - o famoso V6 desenvolvido em conjunto por Peugeot, Renault e Volvo. O bloco de 2.7 litros entregava cerca de 136 cv, proporcionando condução suave, torque consistente e um ronco discreto, mas elegante. Essa motorização representava um salto significativo em relação aos blocos de 4 cilindros anteriores, oferecendo desempenho mais condizente com o caráter gran turismo desses modelos. Em alguns mercados, versões com motores de 4 cilindros ainda eram oferecidas, mas o V6 havia se tornado a escolha ideal para um público mais exigente.
O interior reforçava essa vocação contemporânea e refinada. Bancos macios, volante de grande diâmetro, acabamento em madeira e instrumentos bem distribuídos criavam uma atmosfera de conforto discreto, típica da Peugeot daqueles anos. Não havia exageros - apenas equilíbrio. O 504 Coupé e o Cabriolet eram carros para longas viagens, litoral, estradas sinuosas e cidades históricas francesas, tudo a um ritmo calmo, porém sofisticado.
Na condução, entregavam o que prometiam: estabilidade exemplar, suspensão confortável - uma especialidade da Peugeot - e comportamento previsível. O Coupé era mais firme e silencioso; o Cabriolet, mais leve e romântico, especialmente com a capota baixada.
Com o passar dos anos, esses dois 504 se tornaram peças de colecionador. Produzidos em números relativamente pequenos, representam hoje o encontro raro entre design italiano, engenharia francesa e o charme descontraído de uma época em que o automóvel ainda era tratado como objeto de elegância.