2027 - POLESTAR 4 SUV
A Polestar acaba de ampliar sua família com uma nova interpretação do seu modelo mais importante. Apresentado em 2 de setembro de 2026, o Polestar 4 SUV 2027 transforma o conhecido Polestar 4 de perfil coupé em um utilitário esportivo mais convencional, sem abandonar o desenho minimalista e a orientação claramente esportiva da marca sueca. A fórmula é bastante objetiva: conservar a plataforma, os conjuntos propulsores e boa parte da identidade visual do Polestar 4 original, mas redesenhar completamente a região posterior para oferecer mais espaço, maior versatilidade e uma capacidade de carga significativamente superior. O novo SUV será produzido em Busan, na Coreia do Sul, e passa a conviver com o Polestar 4 Coupé, permitindo que o cliente escolha entre estilo mais radical ou praticidade.
A transformação começa justamente onde o Polestar 4 original mais chamava atenção. O novo SUV recebe um teto mais reto, uma tampa traseira mais vertical e uma janela traseira convencional, substituindo a solução bastante controversa do coupé, que dispensava o vidro posterior e utilizava uma câmera de alta definição para alimentar o espelho retrovisor digital. Agora, o condutor volta a contar com visão direta através da traseira e com um espelho convencional de série, embora o retrovisor digital continue disponível como opcional. A mudança também aumenta a altura disponível para os passageiros traseiros em aproximadamente 2.5 cm, tornando o ambiente do banco posterior mais confortável.
A nova carroceria, entretanto, não transforma o Polestar 4 em um SUV tradicional de aparência quadrada. O teto continua baixo e a silhueta permanece bastante fluida, aproximando o modelo visualmente de uma station wagon elevada. O resultado é uma espécie de meio-termo entre SUV, fastback e perua esportiva, exatamente o tipo de solução que vem ganhando espaço entre os fabricantes de veículos elétricos. As proporções continuam elegantes e aerodinâmicas, mas a nova traseira permite aproveitar muito melhor o volume interno. A Polestar conseguiu realizar a transformação com apenas 48 novos componentes, uma demonstração de quanto da estrutura original foi preservada.
A praticidade é, portanto, um dos grandes argumentos do novo modelo. O compartimento de bagagem oferece 530 litros até a altura dos encostos traseiros, ou 655 litros até o teto, enquanto o rebatimento dos bancos traseiros, divididos na proporção 60:40, amplia a capacidade para 1.665 litros. Somando o compartimento dianteiro, a capacidade total de armazenamento chega a 1.680 litros. As novas barras longitudinais de teto suportam até 100 kg de carga dinâmica, ampliando consideravelmente as possibilidades de utilização do SUV em viagens.
Em dimensões, o Polestar 4 SUV mede 4.840 mm de comprimento, 2.067 mm de largura com os espelhos rebatidos, 1.556 mm de altura e 2.999 mm de entre-eixos. A altura livre do solo é de 166 mm na dianteira e 186 mm na traseira. São proporções que posicionam o modelo entre os SUVs médios e grandes, oferecendo um habitáculo generoso sem recorrer às dimensões exageradas de um utilitário de três fileiras.
A mecânica permanece uma das grandes atrações. A versão de entrada utiliza um único motor elétrico instalado no eixo traseiro, entregando 200 kW, equivalentes a 272 cv, e 343 Nm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h é realizada em 7.3 segundos, enquanto a velocidade máxima é limitada a 200 km/h. Graças à configuração de tração traseira e à eficiência aerodinâmica, a autonomia projetada chega a 630 km pelo ciclo WLTP, colocando o Polestar 4 SUV entre os elétricos de maior alcance de sua categoria.
Para quem procura desempenho, existe a versão Dual Motor, que acrescenta um segundo propulsor elétrico no eixo dianteiro e transforma o SUV em um veículo de tração integral. A potência combinada sobe para impressionantes 400 kW, ou 544 cv, enquanto o torque chega a 686 Nm. Nesse caso, o 0 a 100 km/h cai para apenas 3.9 segundos, mantendo a velocidade máxima em 200 km/h. A autonomia projetada é de até 600 km WLTP, uma pequena redução em relação ao modelo de motor traseiro explicada pelo peso e pelo consumo adicional do segundo motor.
Ambas as versões utilizam uma bateria de 100 kWh, construída segundo o conceito cell-to-pack e composta por 110 células. O sistema elétrico opera em 400 volts e aceita carregamento rápido em corrente contínua de até 200 kW, permitindo recuperar de 10 a 80% da carga em aproximadamente 30 minutos. O carregamento em corrente alternada é de 11 kW como padrão, com opção de 22 kW capaz de reduzir o tempo de uma carga completa para cerca de 5.5 horas. O sistema também é compatível com Plug & Charge, simplificando a utilização de estações compatíveis.
A capacidade de reboque também é bastante respeitável. O modelo de motor traseiro pode rebocar até 1.500 kg, enquanto o Dual Motor alcança 2.000 kg. Essa última cifra é particularmente significativa para um veículo elétrico de perfil esportivo, demonstrando que a nova carroceria não foi desenvolvida apenas para transportar bagagem, mas também para oferecer uma utilização mais próxima daquela esperada de um SUV convencional.
O chassi recebeu uma calibração específica para a nova carroceria. As versões convencionais utilizam suspensão com molas helicoidais e amortecedores passivos de alta capacidade, enquanto o Performance Pack, disponível para o Dual Motor, transforma significativamente o comportamento do veículo. O pacote inclui amortecedores ativos ZF, molas e barras estabilizadoras mais rígidas, rodas forjadas de 22 polegadas, pneus Pirelli P Zero desenvolvidos especificamente para o modelo e freios Brembo com pinças dianteiras fixas de quatro pistões. Os tradicionais detalhes em Swedish Gold, incluindo cintos de segurança e elementos dos freios, completam a caracterização esportiva.
A filosofia minimalista da Polestar permanece evidente no interior. O ambiente combina materiais sustentáveis, superfícies limpas e uma arquitetura dominada pela tecnologia digital. Na configuração mais sofisticada, o sistema de climatização passa a ter três zonas, enquanto os bancos traseiros e o volante podem receber aquecimento. O teto panorâmico amplia a sensação de espaço e, como opcional, pode utilizar vidro eletrocrômico, permitindo ao ocupante alternar entre diferentes níveis de transparência e sombreamento diretamente pela tela central.
A experiência digital também evolui. O sistema de infotainment baseado no Google built-in passa a incorporar o Google Gemini, que substitui comandos de voz mais convencionais por interações contextuais mais naturais. A ideia é permitir que o condutor converse com o sistema de maneira mais próxima de uma interação humana, reduzindo a necessidade de memorizar comandos específicos. A Polestar também prepara uma atualização de software que acrescentará V2L (Vehicle-to-Load) e um modo Camping, permitindo utilizar a bateria do veículo para alimentar equipamentos externos e manter determinadas funções do automóvel funcionando durante períodos estacionado.
O V2L poderá fornecer até 3.3 kW, através de um adaptador específico, transformando o Polestar 4 SUV em uma fonte de energia portátil. O modo Camping, por sua vez, foi concebido para permitir que o veículo permaneça climatizado e com sistemas de entretenimento ativos enquanto estacionado. A Polestar afirma que essas funções também deverão ser disponibilizadas aos proprietários dos Polestar 4 já existentes por meio de uma futura atualização de software, mostrando como a empresa procura transformar o software em parte permanente da evolução de seus automóveis.
Curiosamente, a nova versão não substitui o Polestar 4 original. Os dois modelos passam a existir lado a lado, com a versão Coupé preservando sua silhueta mais ousada e a ausência da janela traseira, enquanto o SUV procura conquistar consumidores que consideram essa solução excessivamente radical. A estratégia é inteligente: em vez de escolher entre design e funcionalidade, a Polestar oferece duas interpretações do mesmo automóvel.
O posicionamento comercial também é competitivo. Na Europa, o Polestar 4 SUV parte de aproximadamente 57.900 euros na configuração de motor traseiro, enquanto a versão Dual Motor começa na faixa de 65.900 euros, dependendo do mercado. As primeiras entregas estão previstas para o último trimestre de 2026.
O Polestar 4 SUV 2027 é, portanto, uma evolução bastante inteligente do conceito original. A Polestar não precisou alterar sua plataforma, reinventar os motores ou abandonar o estilo que caracteriza o modelo. Bastou redesenhar a parte posterior da carroceria para criar um automóvel substancialmente mais útil no cotidiano. A nova janela traseira melhora a visibilidade, o teto mais reto aumenta o espaço para a cabeça, a tampa vertical facilita o carregamento e os 1.680 litros de capacidade total transformam o carro em uma opção muito mais versátil para famílias e viagens.
Ao mesmo tempo, a essência esportiva permanece intacta. Com 544 cv, 686 Nm e 3.9 segundos de 0 a 100 km/h, o Dual Motor Performance não tem absolutamente nada de pacato. E, quando equipado com suspensão ZF ativa, rodas de 22 polegadas, pneus Pirelli e freios Brembo, o SUV passa a oferecer uma combinação bastante rara: praticidade de um utilitário, comportamento de esportivo e autonomia de um grande elétrico.
É justamente aí que reside a importância do novo Polestar 4 SUV. Em vez de seguir a tendência de transformar todos os elétricos em grandes SUVs convencionais, a marca encontrou uma solução própria: um veículo longo, baixo e extremamente aerodinâmico, mas com a funcionalidade de uma perua e a posição de condução de um SUV. Talvez seja menos radical que o Polestar 4 original, mas certamente é mais completo - e, para muitos compradores, essa diferença pode ser decisiva.