2010 - PROTOSCAR LAMPO²
No final da década de 2000, quando os carros elétricos ainda eram vistos como uma promessa distante, a Protoscar, uma empresa suíça de engenharia e design com mais de duas décadas de experiência em mobilidade sustentável, lançou um raio de inovação no cenário automotivo: os protótipos Lampo (2009) e Lampo² (2010). Com o nome inspirado na palavra italiana para ‘relâmpago’, esses veículos não apenas desafiaram as convenções da época, mas também mostraram que os elétricos poderiam ser rápidos, elegantes e ambientalmente conscientes.
Protoscar Lampo (2009): O Primeiro Clarão
Apresentado no Salão de Genebra de 2009, o Lampo foi um marco para a Protoscar, fundada por Marco Piffaretti, um visionário da mobilidade elétrica. Este roadster de dois lugares, com linhas reminiscentes do Opel GT, era movido por dois motores elétricos da Brusa, cada um com 100 kW de potência, entregando um total de 268 cv e 440 Nm de torque. Equipado com uma bateria de íons de lítio de 33.6 kWh, o Lampo alcançava uma autonomia de cerca de 200 km, impressionante para a época.
Mais do que números, o Lampo era uma prova de conceito: um carro elétrico poderia combinar desempenho esportivo com eficiência ecológica. Seus mais de 10.000 km rodados em testes por pistas e estradas europeias, incluindo a travessia do Passo de Gotthard, demonstraram sua robustez e versatilidade. A Protoscar também integrou ao projeto uma abordagem sustentável, com uma planta solar na Toscana que garantia uma pegada de carbono praticamente nula, reforçando o conceito de ‘Well-to-Wheel’ (do-poço-à-roda).
Protoscar Lampo² (2010): Um Relâmpago Ainda Mais Potente
Um ano depois, no Salão de Genebra de 2010, a Protoscar elevou a aposta com o Lampo², uma evolução direta do seu antecessor. Com um design ainda mais aerodinâmico e eficiente, o Lampo² trouxe melhorias significativas: dois motores elétricos Brusa, agora entregando 300 kW (408 cv) e 640 Nm de torque, com tração integral dinâmica que ajustava o torque entre os eixos para otimizar desempenho e segurança. Sua bateria de 32 kWh mantinha a autonomia de 200 km, mas com um consumo de energia reduzido para menos de 100 Wh/km-ton, um recorde de eficiência em condições reais.
O Lampo² também se destacou pela flexibilidade de recarga, oferecendo quatro modos: desde carregamento doméstico em 12 horas até uma carga rápida de 10 minutos que adicionava 100 km de autonomia, um feito notável para a tecnologia da época. Equipado com sistemas como freios regenerativos, navegação adaptativa para otimizar autonomia e até assentos aquecidos por efeito Peltier, o protótipo mostrava que os elétricos poderiam ser práticos e luxuosos.
O Legado do Relâmpago
Embora nenhum dos modelos Lampo tenha entrado em produção em massa, seu impacto foi inegável. Eles serviram como laboratórios sobre rodas, testando tecnologias que influenciariam a indústria automotiva. A Protoscar demonstrou que carros elétricos poderiam rivalizar com esportivos tradicionais, desafiando gigantes como o Tesla Roadster. Além disso, a empresa explorou a possibilidade de uma série limitada do Lampo², com discussões com parceiros industriais e financeiros, embora o projeto não tenha avançado para a produção.
O Lampo e o Lampo² não foram apenas protótipos; foram uma declaração de intenções. Sob a liderança de Piffaretti, a Protoscar provou que a mobilidade elétrica poderia ser emocionante, eficiente e sustentável, pavimentando o caminho para a revolução dos EVs que vemos hoje. Como verdadeiros relâmpagos, esses veículos iluminaram o futuro, deixando um legado de inovação que continua a inspirar.