1921 - SHERIDAN B-41 TOURING
Entre os poucos automóveis efetivamente produzidos pela efêmera Sheridan Motor Car Company, o Sheridan B-41 Touring de 1921 destacou-se como seu principal representante e também como o modelo que melhor traduzia a filosofia da marca: oferecer um carro moderno, robusto e confiável para o mercado americano, aproveitando a experiência industrial e os componentes desenvolvidos pela General Motors. Embora tenha permanecido em produção por pouquíssimo tempo, o B-41 tornou-se um interessante exemplo da engenharia automobilística norte-americana do início da década de 1920 e um dos veículos mais raros daquele período.
Lançado quando a indústria dos Estados Unidos passava por uma rápida expansão, o Sheridan B-41 Touring adotava a tradicional carroceria aberta do tipo Touring, extremamente popular na época por acomodar confortavelmente cinco passageiros e oferecer grande versatilidade para viagens em estradas ainda pouco pavimentadas. Seu desenho era elegante e sóbrio, com capô longo, para-lamas destacados, rodas de madeira com raios, faróis circulares de grandes dimensões e um amplo para-brisa bipartido. A ausência de excessos decorativos refletia a proposta do fabricante de privilegiar funcionalidade e qualidade construtiva.
Sob o capô encontrava-se um motor de 4 cilindros em linha com aproximadamente 224 polegadas cúbicas (3.7 litros), equipado com válvulas no cabeçote (OHV), uma solução relativamente avançada para a época. Desenvolvido pela divisão Northway, ligada à General Motors, esse propulsor entregava cerca de 35 cv de potência, enviados às rodas traseiras por meio de uma transmissão manual de 3 velocidades. Embora os números pareçam modestos pelos padrões atuais, eram suficientes para proporcionar desempenho competitivo no início dos anos 1920, quando velocidades de cruzeiro entre 60 e 70 km/h já atendiam plenamente às condições das estradas americanas.
Outro destaque do B-41 era seu entre-eixos de cerca de 116 polegadas (2.95 metros), que favorecia um interior espaçoso e boa estabilidade para viagens longas. A suspensão utilizava eixos rígidos com feixes de molas semielípticas, configuração praticamente universal naquele período, enquanto a frenagem ficava concentrada principalmente nas rodas traseiras, como era comum antes da popularização dos sistemas de freios nas quatro rodas. O conjunto mecânico foi concebido para ser simples de manter e resistente ao uso severo, característica muito valorizada pelos compradores americanos.
O interior seguia o padrão dos automóveis de turismo da época, com bancos estofados em couro, acabamento em madeira no painel e instrumentos essenciais para monitorar o funcionamento do veículo. A capota de lona dobrável permitia enfrentar diferentes condições climáticas, transformando rapidamente o carro aberto em um veículo protegido contra chuva e vento. Em uma época anterior ao ar-condicionado e aos sistemas elétricos sofisticados, a experiência de condução era marcada pelo contato direto com o ambiente e pela mecânica visível em praticamente todos os comandos.
Apesar de suas qualidades, o Sheridan B-41 teve vida extremamente curta. A saída de William C. Durant da General Motors e a consequente reorganização dos negócios levaram ao encerramento da marca poucos meses após o início da produção. Estima-se que apenas algumas centenas de unidades tenham sido construídas, tornando o modelo uma verdadeira raridade. Hoje, pouquíssimos exemplares sobrevivem em coleções particulares e museus, sendo considerados preciosos testemunhos de um projeto que poderia ter se transformado em uma importante divisão da indústria automobilística americana.
O Sheridan B-41 Touring era apenas parte dos planos originais da empresa. Também estava previsto um sofisticado modelo equipado com um motor V8 de grande cilindrada para competir em um segmento superior do mercado. Contudo, as mudanças administrativas na General Motors impediram que esse automóvel chegasse à produção em série, fazendo do B-41 o principal legado prático da curta existência da Sheridan Motor Car Company.