1973 - VOLKSWAGEN SAFARI
Era 1973, e o México vivia um momento de transformação. A economia crescia com o ‘milagre mexicano’, as estradas se expandiam e o país começava a abraçar o espírito de liberdade e aventura que marcava a década de 1970. Na fábrica da Volkswagen em Puebla, recém-inaugurada para produção local, saía das linhas de montagem um veículo que não se parecia com nada no mercado: o Volkswagen Safari, a versão mexicana do Type 181.
Nascido como sucessor espiritual do lendário Kübelwagen da Segunda Guerra, o Safari era um conversível de quatro portas, com carroceria quadrada, portas removíveis, para-brisa dobrável e capota de lona que se recolhia completamente. Projetado inicialmente para uso militar na Alemanha Ocidental, ele encontrou no México um lar perfeito para o uso civil. Com tração traseira, suspensão robusta com barras de torção (e, a partir de 1973, melhorias no eixo traseiro com juntas homocinéticas em algumas versões), freios a tambor e uma construção simples e resistente, o Safari era capaz de enfrentar estradas de terra, praias e até trilhas leves com a mesma facilidade com que rodava na cidade.
Sob o capô traseiro batia o confiável motor boxer de 4 cilindros refrigerado a ar, de 1.600 cm³ - o mesmo usado no Fusca mexicano da época -, entregando cerca de 44 a 50 cv de potência. Com transmissão manual de 4 velocidades e redução de marchas nas rodas traseiras nas primeiras unidades, ele não era rápido, mas era incansável, econômico e fácil de consertar em qualquer oficina. O tanque de combustível, o chassi reforçado e a altura do solo permitiam que ele fosse usado tanto para passeios em família quanto para aventuras em Acapulco ou no interior do país.
A Volkswagen de México produziu o Safari a partir de 1970 com kits CKD vindos da Alemanha, mas foi em 1973 que a fabricação local ganhou força, com peças cada vez mais mexicanas. Enquanto nos Estados Unidos ele era vendido como ‘The Thing’ (em cores vibrantes como laranja abóbora e amarelo sol), no México o nome Safari evocava exatamente o espírito de exploração e liberdade que o veículo representava. Havia até versões especiais, como o Safari Acapulco, com pintura de duas cores e listras, destinado a hotéis de luxo na costa.
Em uma época em que o Fusca dominava as ruas como o carro do povo, o Safari era o ‘Fusca aventureiro’: mais alto, mais aberto ao vento, mais divertido e com um visual militar descontraído que conquistava jovens, famílias e até quem precisava de um veículo utilitário barato e durável. Sua produção total no México chegou a cerca de 20 mil unidades até 1980, quando as vendas civis terminaram, mas muitos exemplares continuaram rodando por décadas nas estradas mexicanas.
Mais de meio século depois, o Volkswagen Safari de 1973 continua a ser um ícone da cultura automotiva mexicana. Em encontros de clássicos, praias ou garagens de colecionadores, sua silhueta quadrada e despojada desperta sorrisos instantâneos. Não era um carro luxuoso nem veloz. Era honesto, versátil e cheio de personalidade - o buggy perfeito para quem queria sentir o vento do Pacífico ou o sol do deserto sem complicações.
Um clássico que prova que, às vezes, a simplicidade alemã combinada com o espírito mexicano cria algo verdadeiramente único: um carro que não finge ser o que não é, mas que transforma qualquer estrada em um safari inesquecível.