1922 - WINTON MODEL 40 TOURING
Quando o Winton Model 40 Touring foi apresentado em 1922, a Winton Motor Carriage Company já ocupava um lugar de honra na história do automóvel americano. Fundada por Alexander Winton em Cleveland, Ohio, a Winton havia sido um dos primeiros fabricantes dos Estados Unidos a comercializar automóveis em escala e a contribuir decisivamente para a consolidação da indústria automobilística do país. Entretanto, enquanto marcas como Ford, Buick e Cadillac se adaptavam à produção em massa, a Winton permanecia fiel ao conceito de automóveis luxuosos, construídos em volumes reduzidos e voltados para uma clientela exigente. O Model 40 representava o ápice dessa filosofia e, ao mesmo tempo, um dos últimos capítulos da produção de automóveis da empresa.
Lançado como modelo topo de linha da marca, o Model 40 refletia a tradição da Winton de privilegiar qualidade de fabricação, robustez mecânica e conforto acima de modismos estéticos. Seu design era elegante e conservador, características que agradavam aos compradores mais tradicionais, embora começassem a parecer discretas diante dos estilos mais modernos apresentados por concorrentes no início da década de 1920. Ainda assim, sua imponência era inegável. O grande radiador vertical, os amplos para-lamas, o longo capô e a elevada posição de condução transmitiam a imagem de um automóvel destinado às longas viagens pelas estradas americanas.
A versão Touring, com capacidade para sete passageiros, era uma das mais procuradas da linha. Sua carroceria aberta possuía quatro portas, amplo banco traseiro e dois assentos auxiliares rebatíveis (jump seats), permitindo acomodar confortavelmente famílias numerosas ou grupos de viajantes. A cobertura de lona dobrável possibilitava enfrentar diferentes condições climáticas, enquanto o acabamento interno empregava couro de alta qualidade, madeira nobre no painel e ferragens cuidadosamente cromadas ou niqueladas, conforme a configuração escolhida pelo cliente.
Sob o longo capô encontrava-se um dos principais atributos do Model 40: um refinado motor de 6 cilindros em linha do tipo T-head, com 5.7 litros, capaz de desenvolver aproximadamente 70 cv de potência. Tratava-se de um propulsor reconhecido por seu funcionamento suave, elevado torque e grande confiabilidade, qualidades que faziam do Winton um excelente automóvel para percorrer grandes distâncias em velocidade de cruzeiro.
A transmissão manual de 3 velocidades enviava a potência às rodas traseiras por meio de um robusto eixo cardan. Embora o câmbio exigisse certa habilidade do condutor, como era comum na época, o conjunto mecânico destacava-se pela durabilidade e pela facilidade de manutenção. O chassi utilizava estrutura em aço de elevada resistência, complementada por suspensão com eixos rígidos e molas semi-elípticas, configuração que absorvia satisfatoriamente as irregularidades das estradas predominantemente não pavimentadas dos Estados Unidos.
Outro destaque era o generoso entre-eixos de 3.35 metros, que proporcionava excelente estabilidade direcional e amplo espaço interno. O veículo pesava aproximadamente 1.860 quilos, refletindo a construção sólida característica da Winton. Apesar dessas dimensões, o motor de grande cilindrada permitia desempenho bastante respeitável para um automóvel de luxo do início dos anos 1920, oferecendo acelerações progressivas e velocidade suficiente para as principais rodovias da época.
O nível de equipamentos também impressionava. O Model 40 podia receber rodas maciças, iluminação elétrica, partida elétrica, instrumentos completos no painel e diversos acessórios opcionais, muitos deles instalados conforme as preferências do comprador. A atenção aos detalhes fazia parte da identidade da marca, que buscava competir diretamente com fabricantes de prestígio como Packard, Peerless e Pierce-Arrow.
Entretanto, mesmo oferecendo um produto tecnicamente refinado, a Winton enfrentava sérias dificuldades comerciais. O preço do Model 40 era de aproximadamente 4.600 dólares em 1922, valor bastante elevado para a época e acessível apenas a uma pequena parcela da população americana. Enquanto isso, fabricantes como a Ford revolucionavam o mercado com automóveis produzidos em massa e vendidos por uma fração desse preço.
A produção também era limitada. Em 1922 foram construídos apenas 356 exemplares das versões abertas, entre elas o Touring, número que evidencia o caráter quase artesanal da fabricação da Winton naquele período. Cada automóvel recebia grande atenção durante a montagem, privilegiando a qualidade em detrimento do volume.
O Model 40 seria um dos últimos automóveis de passeio produzidos pela empresa. Em fevereiro de 1924, a Winton encerrou definitivamente sua divisão automobilística para concentrar seus esforços na bem-sucedida fabricação de motores industriais, marítimos e ferroviários por meio da Winton Engine Company, atividade que garantiria a continuidade do nome Winton por muitas décadas.
Hoje, o Winton Model 40 Touring de 1922 é uma das mais elegantes representações da fase final de um dos fabricantes mais importantes da história do automóvel norte-americano. Raro e altamente valorizado por colecionadores, ele simboliza uma época em que luxo, engenharia robusta e construção artesanal eram os principais atributos dos grandes automóveis americanos. Mais do que um sofisticado veículo de passeio, o Model 40 permanece como um testemunho da tradição pioneira da Winton e do legado deixado por uma empresa que ajudou a moldar os primeiros anos da indústria automobilística dos Estados Unidos.