2011 - YES! ROADSTER TURBO
No início dos anos 2000, enquanto a indústria automotiva alemã se consolidava em torno de grandes grupos e produtos cada vez mais tecnológicos, um pequeno fabricante decidiu seguir um caminho radicalmente diferente. Surgia assim a Funke & Will AG, também conhecida como Young Engineers Sportscar!, que em 2001 apresentou ao mundo o YES! Roadster, um esportivo leve, minimalista e artesanal, concebido para oferecer prazer de condução puro em uma era cada vez mais dominada por filtros eletrônicos.
Produzido em pequenas séries, o YES! Roadster nasceu com uma filosofia clara: baixo peso, motor potente e conexão direta entre carro e condutor. Seu design fugia completamente dos padrões tradicionais alemães. Com linhas curtas, agressivas e proporções quase caricatas, o roadster parecia mais um protótipo de salão do automóvel do que um carro de produção. A carroceria era construída em plástico reforçado com fibra, montada sobre um chassi tubular extremamente rígido e leve.
A grande surpresa estava na mecânica. Diferentemente do que muitos esperavam de um esportivo alemão, o YES! Roadster não utilizava um motor da BMW ou da Mercedes-Benz, mas sim um V8 de origem americana, fornecido pela GM. Na versão mais extrema, o bloco de 4.4 litros aspirado entregava cerca de 355 cv, impulsionando um carro que pesava pouco mais de 1.200 kg. O resultado era uma relação peso-potência impressionante e acelerações dignas de superesportivos da época.
Ao volante, o YES! Roadster oferecia uma experiência crua e intensa. A ausência de sistemas eletrônicos invasivos, a direção direta e a posição de condução baixa faziam dele um carro exigente, mas profundamente envolvente. Não havia a preocupação em mascarar imperfeições ou suavizar reações: cada comando era imediato, cada erro era sentido. Era um automóvel feito para entusiastas, não para agradar ao grande público.
O interior seguia a mesma filosofia funcional. Simples, quase espartano, combinava materiais básicos com instrumentos claros e diretos. Tudo estava ali por uma razão específica, sem concessões ao luxo ou ao conforto excessivo. Ainda assim, havia um certo charme na honestidade do conjunto, reforçando a sensação de estar em algo especial e raro.
O YES! Roadster nunca foi um sucesso comercial. Produzido em números extremamente limitados, ele acabou se tornando uma curiosidade automotiva, lembrada hoje como um exemplo de ousadia em um mercado altamente conservador. Sua existência prova que, mesmo na Alemanha do século XXI, ainda havia espaço para iniciativas independentes, passionais e quase rebeldes.