A Amphicoach foi uma empresa com sede em Malta, fundada com a missão de revolucionar o transporte ao desenvolver o GTS-1, o primeiro ônibus anfíbio do mundo, chamado Amphibus. A história da empresa começou no início dos anos 2000, quando o fundador George Smith, um engenheiro britânico com experiência em veículos anfíbios, identificou a oportunidade de criar um veículo híbrido para operar em terra e água, voltado principalmente para o turismo e soluções de mobilidade em áreas suscetíveis a inundações.
A Amphicoach surgiu em um momento em que o turismo buscava experiências inovadoras, e cidades com rios ou canais, como Budapeste, Londres e Roterdam, demandavam opções de transporte que combinassem passeios terrestres e aquáticos. A empresa foi estabelecida em Malta, aproveitando a localização estratégica no Mediterrâneo e incentivos locais para inovação. A visão era criar um veículo que atendesse às rigorosas normas de segurança da União Europeia para operação em ambos os ambientes, algo inédito na época.
Desenvolvimento do Amphibus
Entre 2004 e 2007, a Amphicoach concentrou-se no desenvolvimento do GTS-1 Amphibus. O projeto envolveu:
- Chassis e Estrutura: Utilização de um chassi Irisbus reforçado, com carroceria de alumínio de 6 mm, resistente à corrosão.
- Motorização: Equipado com um motor Iveco Tector Turbo Diesel (250-300 cv), compatível com normas Euro5.
- Tecnologia Anfíbia: Sistema de propulsão a jato para navegação aquática, permitindo velocidades de 15-20 km/h na água e até 112 km/h em terra.
- Capacidade e Conforto: Projetado para até 50 passageiros, com ar-condicionado, Wi-Fi, telas de LCD, DVD players e banheiros, além de recursos de segurança como freios ABS, GPS, piloto automático e coletes salva-vidas.
Os protótipos foram testados exaustivamente para garantir conformidade com regulamentações terrestres e marítimas, um desafio técnico significativo, já que o veículo precisava ser homologado como ônibus e embarcação.
Produção e Expansão
A produção em série começou em Malta por volta de 2007. O Amphibus foi introduzido em mercados turísticos, com operações em cidades como: Belfast (Irlanda do Norte): Passeios turísticos combinando terra e água; Budapeste (Hungria): Navegação pelo rio Danúbio e Roterdam (Holanda): Exploração de canais.
Em 2009, o preço de um Amphibus era cerca de 320 mil dólares, e a empresa reportou 12 encomendas firmes e mais de 50 reservas até 2012, indicando interesse significativo. A Amphicoach também explorou mercados fora da Europa, como o Brasil, onde o veículo foi proposto como alternativa para travessias curtas e áreas urbanas propensas a enchentes.
Desafios e Declínio
Apesar do sucesso inicial, a Amphicoach enfrentou desafios como:
- Custos Elevados: A produção de um veículo anfíbio exigia investimentos altos, e o preço do Amphibus limitava o mercado a operadores turísticos ou governos.
- Concorrência: Outras empresas começaram a desenvolver veículos anfíbios, como os Duck Tours, que já operavam em algumas cidades.
- Escalabilidade: A produção em Malta, embora estratégica, enfrentava limitações logísticas para atender a uma demanda global.
Após 2012, as informações sobre a Amphicoach tornam-se escassas. Não há registros de novas encomendas, expansões significativas ou atualizações sobre a empresa nos últimos anos. Isso sugere que a Amphicoach pode ter encerrado suas operações ou reduzido drasticamente suas atividades, possivelmente devido à falta de investidores ou dificuldades financeiras.
Legado
O Amphibus da Amphicoach foi um marco na engenharia de veículos anfíbios, demonstrando a viabilidade de um ônibus que opera em dois ambientes com segurança e conforto. Embora a empresa pareça não estar mais ativa, seu conceito inspirou outros projetos e continua relevante em discussões sobre mobilidade em cidades com rios, canais ou problemas de inundação. O Amphibus permanece um exemplo de inovação no transporte turístico e uma prova de conceito para soluções anfíbias em contextos urbanos.