A Crosslé Car Company, fundada em 1957 por John e Rosemary Crosslé em Holywood, Irlanda do Norte, é uma das mais antigas fabricantes de carros de corrida ainda em operação. John Crosslé, ex-campeão de motociclismo, iniciou a empresa com a construção de carros de competição baseados em motores Ford de 1.172 cc, que rapidamente dominaram as corridas locais na Irlanda. Nos anos 1960, a Crosslé expandiu sua produção para categorias como Formula Junior, Formula Ford, Formula 2 e Formula 5000, ganhando reconhecimento pela qualidade e competitividade de seus monopostos.
A empresa se destacou por fornecer carros para escolas de pilotagem na Grã-Bretanha e Irlanda, ajudando a formar pilotos como Nigel Mansell, Eddie Irvine, John Watson, Martin Donnelly e Eddie Jordan. Durante as décadas de 1960 e 1970, a Crosslé também produziu carros esportivos de competição, competindo em eventos europeus contra marcas como Lotus e Chevron. Sua reputação cresceu pela construção artesanal, com chassis tubulares robustos e designs adaptáveis para corridas e, em alguns casos, uso em estrada.
Após um período de foco em monopostos, John Crosslé aposentou-se em 1997, passando a empresa para Arnie Black, que manteve a produção e introduziu séries de continuação de modelos clássicos, voltadas para corridas históricas. Além da fabricação, a Crosslé atua como agente da Hewland, fornecendo manutenção e peças para caixas de câmbio. Operando até hoje na mesma fábrica em Holywood, a empresa combina tradição artesanal com atualizações modernas, mantendo-se relevante em eventos como Goodwood e Spa Six Hours. Após a morte de John Crosslé em 2014, o legado da empresa continua vivo, com foco em carros de corrida históricos e suporte a entusiastas do automobilismo.
Os Anos 60
Na década de 1960, a Crosslé Car Company consolidou-se como um fabricante respeitado de carros de corrida, especialmente no cenário britânico e europeu. A empresa entrou nos anos 1960 com uma reputação crescente por seus monopostos e carros esportivos, projetados para categorias emergentes e competições locais e internacionais. Esse período marcou o auge da criatividade de John Crosslé, com a empresa se destacando pela construção artesanal de chassis tubulares de aço, painéis de alumínio e carrocerias de fibra de vidro, combinando leveza e robustez.
No início da década, a Crosslé focava em categorias como a Fórmula Junior, uma classe popular que servia como porta de entrada para jovens pilotos. Modelos como o Crosslé 4F (lançado no final dos anos 1950, mas ativo nos anos 1960) eram equipados com motores Ford de 1.172 cc e competiam em circuitos irlandeses, como Kirkistown e Phoenix Park. Esses carros ajudaram a empresa a ganhar visibilidade, com vitórias em corridas locais e a formação de pilotos que mais tarde se tornariam ícones, como John Watson.
Em 1965, a Crosslé lançou um de seus modelos mais emblemáticos da década, o Crosslé 9S Sports, projetado para o Campeonato Europeu de Carros Esportivos de 2.0 Litros (Grupo 6). Esse carro esportivo, introduzido oficialmente em 1966, foi desenvolvido para competir contra marcas estabelecidas como Lotus, Chevron, Brabham e Lola. O 9S era versátil, com chassi tubular e opções de motores como o Ford Lotus Twin Cam de 1.6 litros e o BMW M10 de 2.0 litros, permitindo que fosse usado tanto em corridas quanto, em versões adaptadas, em estrada. Em 1966, o 9S obteve resultados notáveis, incluindo um segundo lugar no Tourist Trophy em Oulton Park, pilotado por Brian Nelson, ficando atrás apenas de Denny Hulme em um Lola T70. Apenas cinco unidades do 9S foram construídas nesse período, destacando a produção limitada e artesanal da empresa.
Além do 9S, a Crosslé continuou desenvolvendo monopostos, como os modelos para a Fórmula 3 e a recém-criada Fórmula Ford, introduzida em 1967. O Crosslé 12F, projetado para a Fórmula Ford, tornou-se um dos carros mais bem-sucedidos da empresa na década, com sua simplicidade e confiabilidade atraindo equipes e escolas de pilotagem. A Fórmula Ford, com motores Ford Cortina de 1.6 litros, era ideal para pilotos iniciantes, e os carros da Crosslé foram amplamente utilizados em circuitos britânicos, ajudando a empresa a construir uma base sólida de clientes.
A década de 1960 também viu a Crosslé competir em eventos internacionais, como corridas em Montlhéry (França) e Silverstone (Inglaterra), onde seus carros enfrentavam adversários de peso. Pilotos como Mervyn Wingfield e Peter Gethin, que mais tarde correria na Fórmula 1, pilotaram Crosslés com sucesso. A empresa se beneficiava de sua abordagem prática, com John Crosslé projetando e testando os carros pessoalmente, muitas vezes com feedback direto de pilotos. A Crosslé também estabeleceu parcerias técnicas, como o uso de caixas de câmbio Hewland, que se tornariam padrão em seus modelos.
Apesar do sucesso, a Crosslé permanecia uma operação pequena, com produção limitada em comparação com gigantes como Lotus. Sua fábrica em Holywood funcionava com uma equipe reduzida, o que permitia flexibilidade, mas também limitava a capacidade de expansão. Ainda assim, a década de 1960 foi crucial para consolidar a Crosslé como uma marca respeitada no automobilismo, especialmente em categorias de base e corridas de carros esportivos. O sucesso dos modelos como o 9S e o 12F pavimentou o caminho para a continuidade da empresa nas décadas seguintes, com foco em monopostos e, mais tarde, em carros históricos.