A B. S. Cunningham Company foi um fabricante americano de automóveis esportivos fundado por Briggs Swift Cunningham II, um esportista e empreendedor nascido em 1907 em Cincinnati, Ohio, herdeiro de uma fortuna familiar ligada a bancos, ferrovias e empresas como a Procter & Gamble. Apaixonado por corridas desde jovem, Cunningham começou sua carreira no automobilismo nos anos 1930, competindo em iates e carros, e ajudou a fundar o Automobile Racing Club of America (ARCA) em 1933, precursor do Sports Car Club of America (SCCA). Sua ambição era vencer as 24 Horas de Le Mans com um carro totalmente americano pilotado por americanos, o que o levou a criar a empresa em 1950, após adquirir a Frick-Tappet Motors e renomeá-la.
A companhia, sediada em West Palm Beach, na Flórida, produziu apenas 36 veículos entre 1950 e 1955, focando em protótipos de alta performance para corridas, especialmente Le Mans. O primeiro modelo foi o C-1, um roadster de 1951 equipado com motor Cadillac, seguido pelo C-2R, que estreou em Le Mans no mesmo ano com motor Chrysler FirePower V8 de 5.4 litros, terminando em 18º lugar. Para homologar seus carros como fabricante nas regras da FIA, Cunningham produziu o C-3, um grand tourer de rua com carroceria elegante desenhada por Giovanni Michelotti e fabricada pela Carrozzeria Vignale, na Itália; foram construídos cerca de 27 exemplares (18 coupés e 9 conversíveis), vendidos por cerca de 10.000 a 15.000 dólares cada, mas o alto preço limitou as vendas. O C-3 foi considerado um dos ‘10 melhores automóveis contemporâneos’ pelo Museu de Arte Moderna de New York em 1953.
Os modelos de corrida evoluíram com o C-4R (1952), mais leve e aerodinâmico, que alcançou o 4º lugar em Le Mans e vitórias em pistas americanas como Elkhart Lake; uma variante coupé, o C-4RK, incorporou design aerodinâmico alemão. Em 1953, o C-5R trouxe inovações como suspensão dianteira com eixo sólido e freios inboard, apelidado de ‘Le Requin Souriant’ (o tubarão sorridente). O último, C-6R (1955), usou um motor Offenhauser de 4 cilindros, mas aposentou-se cedo. Os carros Cunningham foram pioneiros nas ‘listras de corrida’ (faixas azuis sobre branco, representando as cores americanas) e competiram de 1951 a 1955 em Le Mans, com melhores resultados como 3º lugar geral.
Apesar dos sucessos - 14 vitórias em pistas americanas e reconhecimento como o primeiro carro esportivo pós-guerra totalmente americano -, a empresa enfrentou desafios. A produção limitada não gerou lucros, e em 1955, o desastre de Le Mans (acidente que matou 83 espectadores) e a recusa do IRS em reconhecer a companhia como negócio viável (considerando-a um ‘hobby’) acabaram com as deduções fiscais. Cunningham encerrou as operações, vendendo a fábrica, mas continuou corridas com Jaguars, Corvettes e outros, inclusive levando Corvettes a Le Mans em 1960.
Briggs Cunningham, que faleceu em 2003, deixou um legado como ícone do ‘gentleman racer’ americano, homenageado em halls da fama e com carros raros preservados em museus como o Revs Institute. Seus veículos simbolizam a ousadia de desafiar a Europa com potência americana bruta e inovação.