A Lagonda foi fundada em 1904, em Staines, Inglaterra, por Wilbur Gunn, um engenheiro e ex-cantor de ópera de origem americana. O nome da marca foi inspirado em um rio próximo a sua cidade natal em Ohio, chamado Lagonda Creek. Desde o início, a empresa buscou se diferenciar oferecendo automóveis que combinassem qualidade artesanal, inovação técnica e estilo refinado, conquistando um espaço importante no competitivo mercado britânico.
Nos primeiros anos, a Lagonda produziu triciclos motorizados e carros leves, mas rapidamente evoluiu para modelos mais sofisticados. Já em 1910, conquistava reconhecimento com veículos robustos e confiáveis, e durante a Primeira Guerra Mundial, a empresa contribuiu com veículos militares leves, reforçando sua reputação de engenharia sólida.
Na década de 1920, a Lagonda se consolidou como fabricante de automóveis de turismo luxuosos, adotando motores de 4 e 6 cilindros. Porém, foi nos anos 1930 que a marca alcançou seu auge, com o lançamento do lendário Lagonda M45 em 1933. Equipado com motor de 6 cilindros e 4.5 litros, derivado da Meadows, esse modelo destacou-se não apenas pelo desempenho vigoroso, mas também pelas vitórias em competições. A mais célebre foi a 24 Horas de Le Mans de 1935, quando um Lagonda M45 Rapide conquistou a vitória geral, colocando a marca entre as grandes do automobilismo mundial.
Esse sucesso coincidiu com um período turbulento: a empresa enfrentava dificuldades financeiras, que resultaram em sua aquisição, em 1947, por ninguém menos que David Brown, também proprietário da Aston Martin. Sob esse novo comando, a Lagonda passou a compartilhar tecnologia e projetos com a Aston Martin, mantendo sua identidade ligada ao luxo refinado e ao design diferenciado.
Modelos como o Lagonda 2.6 e o 3.0, lançados no pós-guerra, refletiam essa união. Mas foi em 1976 que a marca surpreendeu o mundo ao apresentar o Lagonda Series 2, um sedan de quatro portas ultramoderno, com design angular ousado de William Towns e instrumentação digital pioneira. Embora polêmico e tecnicamente complexo, tornou-se um ícone da estética futurista dos anos 1970 e 1980, símbolo de exclusividade e excentricidade.
Ao longo do tempo, a Lagonda sempre se manteve como uma marca de baixo volume de produção, quase artesanal, dedicada a oferecer o máximo em exclusividade. No século XXI, a Aston Martin manteve viva a herança, relançando o nome em edições limitadas, como o Lagonda Taraf (2014), um sedan de luxo ultralimitado voltado principalmente para o Oriente Médio, produzido com acabamento de altíssimo nível. Mais recentemente, o nome Lagonda foi cogitado como submarca de veículos elétricos de ultraluxo, reforçando sua vocação histórica de unir inovação e exclusividade.
Assim, a Lagonda permanece como um dos nomes mais respeitados da indústria automotiva britânica, lembrada tanto por seus triunfos nas pistas quanto por seus automóveis luxuosos e inconfundíveis, que sempre buscaram oferecer algo além do convencional.