A Reliant Motor Company, fundada em 1935 em Tamworth, Staffordshire, Inglaterra, é um dos fabricantes de automóveis mais peculiares da história automotiva, conhecido principalmente por seus veículos de três rodas, como o Reliant Regal e o Reliant Robin. A empresa foi estabelecida por Tom Lawrence Williams e E.S. Thompson, ex-funcionários da Raleigh Bicycle Company, que decidiram continuar o projeto de veículos de três rodas após a Raleigh abandonar a ideia por considerá-la pouco lucrativa. O nome ‘Reliant’ teria surgido inspirado pela inicial ‘R’ presente em peças da Raleigh usadas no primeiro protótipo, construído no quintal de Williams.
O primeiro veículo da Reliant, uma van de três rodas chamada simplesmente ‘The Reliant’, foi entregue em 3 de junho de 1935. Equipada com um motor monocilíndrico J.A.P. de 600 cc refrigerado a ar, tinha o condutor sentado sobre o motor, como em uma motocicleta, e um chassi de aço com estrutura de madeira e painéis de alumínio. A baixa potência do motor levou a uma evolução rápida: em 1936, foi introduzido um motor bicilíndrico refrigerado a água, e em 1938, a Reliant passou a usar o motor de 4 cilindros de 747 cc do Austin Seven, adquirindo os direitos de produção quando a Austin descontinuou o motor. Durante a Segunda Guerra Mundial, a produção de veículos foi suspensa, e a Reliant focou na fabricação de peças para o esforço de guerra.
No pós-guerra, a Reliant retomou a produção em 1946, lançando modelos como o Regent e, em 1953, o icônico Reliant Regal, um carro compacto de três rodas que substituiu o Regent. O Regal, produzido até 1973, evoluiu ao longo de várias gerações, adotando carrocerias de fibra de vidro a partir de 1956, o que tornou a Reliant pioneira no uso desse material na indústria automotiva. A fibra de vidro permitiu manter os veículos leves (abaixo de 355.6 kg), classificando-os como triciclos no Reino Unido, o que permitia sua condução com licença de motocicleta.
O Reliant Robin, lançado em 1973, tornou-se o modelo mais emblemático da marca, sucedendo o Regal. Com motores de 750 cc e, posteriormente, 850 cc, o Robin alcançava velocidades de até 135 km/h e foi um dos carros de fibra de vidro mais populares da história. Sua reputação, porém, foi marcada por uma imagem ambígua: enquanto alguns o viam como excêntrico e instável (devido às três rodas), ele conquistou uma legião de fãs, especialmente no Reino Unido, onde era valorizado por sua economia e praticidade. O Robin apareceu em programas de TV como Mr. Bean, onde era frequentemente ridicularizado, mas isso também aumentou sua notoriedade e, segundo relatos, impulsionou as vendas.
Além dos veículos de três rodas, a Reliant produziu carros convencionais de quatro rodas, como o esportivo Scimitar GTE e o compacto Kitten, e contribuiu para a indústria automotiva em outros países, como Turquia (com o Otosan Anadol) e Israel (com o Sabra e o Carmel). A empresa também se destacou na produção de fibra de vidro, fabricando não apenas carrocerias, mas também bancadas de cozinha, carrocerias de trens e cascos de embarcações. Nos anos 1970, a Reliant tornou-se a segunda maior fabricante de automóveis de propriedade britânica, atrás apenas da British Leyland, e a maior produtora de fibra de vidro da Europa.
Apesar do sucesso, a Reliant enfrentou desafios financeiros. Em 1998, a produção em Tamworth foi encerrada, e a empresa mudou-se para Burntwood. Em 2001, transferiu-se novamente para Cannock, onde a B&N Plastics continuou a fabricar o Reliant Robin BN-1 sob licença até 2002, quando a produção foi suspensa devido a problemas financeiros. Desde então, nenhum veículo Reliant foi fabricado, e a empresa foi reestruturada como Reliant Cars LTD, focando na importação de veículos. Hoje, a Reliant Partsworld mantém a produção de peças para os modelos da marca, enquanto as antigas instalações em Tamworth foram transformadas em um conjunto habitacional chamado Scimitar Park.
Com cerca de meio milhão de veículos produzidos e vendidos em nove países, a Reliant deixou um legado único, marcado por sua inovação em fibra de vidro e pela excentricidade de seus triciclos, que continuam a ser símbolos da cultura automotiva britânica, celebrados por entusiastas e imortalizados na mídia.