A ZAP foi uma empresa americana fundada em 1994, com sede em Santa Rosa, Califórnia, dedicada à fabricação e comercialização de veículos elétricos, incluindo carros, motocicletas, bicicletas, scooters, quadriciclos e veículos comerciais, com o nome significando ‘Zero Air Pollution’. Listada na bolsa (ZAAP), a empresa enfrentou desafios financeiros e de qualidade, encerrando suas operações por volta de 2017, conforme indicado pelo registro de renúncia de seu agente de processo na Califórnia em 26 de outubro de 2016.
Início e Expansão
Em 1997, a ZAP lançou o Zappy, um scooter elétrico que vendeu 2.000 unidades em 1998, impulsionado por colocações em mídia. No entanto, má gestão causou uma queda nas ações de 13 para 5.50 dólares entre 1999 e 2000. Nos anos 2000, a ZAP diversificou sua linha com bicicletas elétricas, quadriciclos e veículos de frota como o ZAPTRUCK XL e ZAPVAN Shuttle, operando por meio de subsidiárias como Voltage Vehicles e ZAP Manufacturing. Algumas dessas, como ZAP World Outlet, tornaram-se inativas. Em 2007, a ZAP formou um joint-venture com a chinesa Shandong Jindalu Vehicle (Dezhou Fulu Vehicle) e, em 2011, adquiriu 51% da Zhejiang Jonway Automobile, mudando temporariamente seu nome para ZAP Jonway, embora tenha mantido independência.
ZAP Xebra (2006-2009)
Lançado em maio de 2006, o ZAP Xebra foi o primeiro veículo de produção importado da China para os EUA, classificado como uma motocicleta de três rodas em algumas jurisdições. Disponível nas versões sedan (SD) e pick-up (PK), tinha velocidade máxima de 58-64 km/h e autonomia de 32-40 km (ou 64 km com baterias de maior capacidade). Alimentado por seis baterias de chumbo-ácido de 12V, produzindo 5 kW (cerca de 7 cv), o Xebra era carregado em uma tomada de 110V em cerca de 8 horas, com custo operacional de aproximadamente 3 centavos de dólar por milha.
O Xebra foi usado por empresas como Domino’s Pizza (Las Vegas e Aspen), Coca-Cola (Montevidéu, Uruguai) e UPS (norte da Califórnia) para entregas urbanas. Contudo, enfrentou problemas de qualidade, especialmente nos modelos de 2006, com carroceria mal-acabada, falta de impermeabilização (causando falhas em conversores DC-DC e carregadores em condições úmidas) e dificuldade em encontrar peças de reposição. Melhorias foram feitas em 2007, com uma nova linha de produção, mas a reputação de baixa qualidade persistiu.
Em 2008, o Xebra enfrentou problemas legais em Massachusetts, onde não se enquadrava como carro ou motocicleta, levando à revogação de registros. Em 31 de dezembro de 2009, uma lei federal permitiu o uso de veículos de três rodas em Boston. Em 2013, a Qingqi Group Motorcycle Co. anunciou o recall de cerca de 700 unidades de 2008 devido a falhas de frenagem, ordenado pela NHTSA, que exigiu a recompra e destruição ou desativação permanente desses veículos. A produção do Xebra foi encerrada em 2009, com críticas à sua construção frágil e mecânica comparada a um ‘carrinho de golfe’.
ZAP Alias (2007-2010, Não Produzido)
Anunciado em 2007, o ZAP Alias foi um projeto de carro esportivo elétrico de três rodas (dois pneus dianteiros com motores elétricos integrados e um traseiro), desenvolvido em colaboração com a Lotus Engineering. Prometia desempenho impressionante: 0-100 km/h em 5.8 segundos, velocidade máxima de 250 km/h e autonomia de 160 km, conforme anunciado em 2008. Em 2010, as especificações foram revisadas para 0-100 km/h em 7.9 segundos e velocidade máxima de 120 km/h. O Alias foi finalista no Progressive Insurance Automotive X Prize de 2010, pilotado por Al Unser Jr., mas foi eliminado a 3 milhas do fim de uma prova de 100 milhas devido a uma falha no controlador.
Originalmente planejado para produção em 2009 em uma fábrica em Kentucky, o projeto foi transferido para a Zhejiang Jonway na China em 2010. No entanto, com os problemas financeiros da ZAP e a falta de financiamento, o Alias nunca entrou em produção, e o destino dos protótipos é desconhecido.
Controvérsias e Declínio
A ZAP foi criticada por promessas não cumpridas. Projetos como o ZAP-X, um SUV elétrico de alto desempenho (644 cv, 560 km de autonomia, 249 km/h, anunciado em 2007), nunca foram produzidos, apesar de grandes investimentos e depósitos de revendedores. A Wired relatou que a ZAP arrecadou milhões de investidores com promessas exageradas, mas não entregou os modelos de maior desempenho, sendo acusada de emitir ações excessivamente sem lucros significativos. Em 2008, a empresa enfrentou um processo de 500 milhões de dólares contra a DaimlerChrysler, alegando tentativa de eliminar concorrência no mercado de EVs, mas o caso foi arquivado. A ZAP também anunciou a intenção de importar o brasileiro Obvio em 2007, o que não se concretizou.
Após o fim da produção do Xebra em 2009, a ZAP tentou focar em veículos de frota e parcerias, como com a Holley Metering e Samyang Optics, mas não conseguiu se recuperar financeiramente. Em 2010, a empresa retrofitou um veículo de entrega da USPS e alegou ter vendido 117.000 veículos elétricos para 72 países, embora a maioria fossem scooters e bicicletas. Com a falência iminente, a ZAP encerrou suas atividades por volta de 2017, deixando um legado misto como pioneira em EVs, mas marcada por problemas de qualidade e promessas não cumpridas.
Linha do tempo da ZAP:
1994: Fundação em Santa Rosa, Califórnia, focada em veículos elétricos.
1997-1998: Lançamento do Zappy, com sucesso inicial.
2006-2009: Produção do ZAP Xebra, um veículo elétrico de três rodas com problemas de qualidade e recall em 2013.
2007-2010: Desenvolvimento do ZAP Alias, que não entrou em produção.
2011: Parceria com Zhejiang Jonway, mas sem sucesso em novos projetos.
2017: Fim das operações, com críticas por promessas não cumpridas e dificuldades financeiras.
A ZAP foi uma pioneira em veículos elétricos, mas sua incapacidade de entregar produtos confiáveis e cumprir promessas ambiciosas limitou seu impacto no mercado automotivo.