A FUSÃO ENTRE FCA E PSA NÃO RESOLVERÁ SEUS PROBLEMAS NA CHINA
A fusão entre Fiat Chrysler Automobiles e Groupe PSA se materializará em breve. Ambas as empresas anunciaram de maneira oficial que estão acertando os detalhes para unirem-se e dar vida ao que será o quarto maior fabricante de automóveis, um verdadeiro gigante da indústria automobilística. Com este movimento, FCA e PSA buscam reforçar tanto sua posição na Europa como nas Américas. Agora, o que ocorrerá no primeiro mercado do automóvel? As coisas não andam tão bem na China.
Os analistas e especialistas no mercado automobilístico chinês têm uma coisa clara, uma fusão entre FCA e PSA não solucionará seus problemas na China. A presença de ambos os fabricantes no mercado chinês é relativamente pequena. Enquanto que o Grupo Volkswagen, Toyota e General Motors vêm trabalhando muito duro para obter uma importante participação de mercado na China, FCA e PSA seguem muitos passos atrás.
O Groupe PSA opera na China através de uma joint-venture com a Dongfeng. No período que compreende de janeiro a setembro de 2019 contabilizou 91.049 unidades vendidas, o que significa uma queda superior a 50% com relação ao ano anterior. A Fiat Chrysler Automobiles vive uma situação similar. Nos nove primeiros meses contabilizou 52.372 unidades vendidas, 46% a menos que no mesmo período de 2018. Lembrando que a FCA opera na China através de uma joint-venture com o Guangzhou Automobile Group (GAC).
Esta situação contrasta muito com o comportamento geral do mercado automobilístico chinês. As vendas de carros na China reportaram uma diminuição de 10% durante os nove primeiros meses do ano. Apesar da demanda interna na China seguir deteriorando-se, pelo seu tamanho continua sendo um mercado fundamental para o futuro de qualquer fabricante de automóveis.
O grupo automobilístico resultante da união entre FCA e PSA deve ter um especial interesse em melhorar sua posição no gigante asiático. A PSA vem trabalhando em um roteiro ambicioso para a Citroën e Peugeot. Estas marcas vêm trabalhando no desenvolvimento de 11 novos modelos até 2023. Em relação à FCA, apesar de alguns de seus modelos de maior tamanho reportarem um bom desempenho, os veículos menores do grupo não conseguiram engrenar.
A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis prevê que as vendas de veículos cairão em 2019 pelo segundo ano consecutivo. Especialistas e analistas põem em dúvida a continuidade das marcas com uma posição fraca na China. Não são poucos os fabricantes que poderão optar por sair da China para centrar-se em outros mercados onde possam obter rentabilidade.