ACURA ZDX 2010: UM ÍCONE DE DESIGN OUSADO QUE DIVIDIU OPINIÕES
Quando a Acura, divisão de luxo da Honda, revelou o ZDX no Salão de New York em 2009, o mercado automotivo ficou diante de uma proposta inusitada: um crossover de quatro portas que misturava a silhueta de um coupé, a robustez de um SUV e o refinamento de um sedan premium. Lançado como modelo 2010, o Acura ZDX chegou com a promessa de redefinir o segmento de luxo, mas sua trajetória foi marcada por um design polarizador, vendas tímidas e um fim precoce em 2013. Quinze anos depois, revisitar o ZDX original é mergulhar em um capítulo audacioso - e controverso - da história automotiva.
Projetado no estúdio de design da Acura em Torrance, Califórnia, sob a direção da designer Michelle Christensen - a primeira mulher a liderar um projeto de veículo da marca -, o ZDX foi uma aposta no futurismo. Sua carroceria, com teto inclinado e linhas angulosas, evocava o BMW X6, mas com um toque japonês. A grade frontal proeminente, faróis afilados e um teto panorâmico de vidro duplo davam ao modelo uma presença marcante. Com 4.88 metros de comprimento e quase 2 metros de largura, o ZDX era imponente, mas sua silhueta ‘quase coupé’ sacrificava espaço interno, especialmente no banco traseiro e no porta-malas (728 litros), o que gerou críticas sobre sua praticidade.
Sob o capô, o ZDX 2010 trazia um motor V6 de 3.7 litros, produzindo 300 cv de potência e 366 Nm de torque, acoplado a uma transmissão automática de 6 velocidades. O sistema Super Handling All-Wheel Drive (SH-AWD), assinatura da Acura, distribuía o torque entre os eixos e até entre as rodas traseiras, garantindo tração excepcional e dirigibilidade precisa para um SUV de 2.022 kg. Em testes da época, como os da Car and Driver, o ZDX acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 6.5 segundos, números respeitáveis, mas não revolucionários. A suspensão, ajustada para conforto, oferecia uma condução suave, mas o peso elevado limitava sua agilidade em curvas mais exigentes.
O interior era um dos pontos altos. Revestido em couro premium, o ZDX trazia bancos dianteiros ventilados e aquecidos, acabamentos em madeira ou metal escovado e um sistema de som ELS Surround com 10 alto-falantes, projetado pelo engenheiro musical Elliot Scheiner. O painel, com design fluido e uma tela central de 8 polegadas, exibia navegação GPS, câmera de ré e controles intuitivos - avançados para a época. O pacote Technology, opcional, adicionava recursos como controle de cruzeiro adaptativo e sistema de mitigação de colisão, enquanto o Advance Package incluía suspensão adaptativa e monitoramento de ponto cego. No entanto, a ergonomia foi criticada: a posição elevada dos bancos traseiros e o espaço reduzido para a cabeça incomodavam passageiros mais altos.
Com preço inicial de 45.820 dólares (cerca de 65.000 em valores de 2025, ajustados pela inflação), o ZDX competia com rivais como o BMW X6, Lexus RX e Cadillac SRX. Apesar do apelo de luxo, o modelo sofreu com o timing: lançado em meio à crise financeira global de 2008-2009, enfrentou um mercado relutante a investir em SUVs de alto custo. Além disso, sua proposta híbrida - nem SUV puro, nem coupé esportivo - confundiu consumidores. Relatos da Motor Trend apontavam que o ZDX era “um carro de nicho para quem queria se destacar”, mas a praticidade limitada e o consumo médio de 7 km/l na cidade (10.2 km/l na estrada) afastaram compradores em busca de eficiência.
Entre 2010 e 2013, apenas 7.191 unidades foram vendidas globalmente, segundo dados da Honda, tornando o ZDX um dos modelos menos bem-sucedidos da Acura. No Brasil, sua presença foi quase nula, restrita a importações independentes. Ainda assim, o ZDX deixou um legado: sua ousadia estética abriu caminho para a tendência de SUVs ‘coupé-like’ que hoje dominam o mercado, e sua engenharia refinada reforçou a reputação da Acura em tecnologia de tração integral.
Hoje, o ZDX 2010 é um clássico cult. No mercado de usados, modelos bem conservados custam entre 15 mil e 25 mil dólares, dependendo da condição e dos pacotes. Para entusiastas, é uma relíquia de uma era em que a Acura ousou desafiar convenções - mesmo que o mundo não estivesse pronto para ela.