ARTE EM MOVIMENTO: DELAGE DMN FIGONI & FALASCHI FAUX CABRIOLET (1929), UMA DAS MAIS BELAS CRIAÇÕES DA CARROCERIA FRANCESA
No final dos anos 1920, a França vivia o auge da belle époque automobilística, quando grandes chassis encontravam os mais talentosos encarroçadores. Em 1929, a Delage - uma das marcas de luxo mais prestigiadas do país - entregou um chassi DMN (um motor de 6 cilindros de 3.0 litros da série D) ao jovem e talentoso duo Figoni & Falaschi, que criou um dos carros mais elegantes da época: o Faux Cabriolet.
O ‘Faux Cabriolet’ (falso conversível) era uma carroceria especial que simulava visualmente um cabriolet, mas mantinha um teto fixo em tecido ou com detalhes que davam a ilusão de uma capota dobrável. Figoni & Falaschi dominaram essa arte: linhas extremamente fluidas, para-lamas alongados e integrados, uma frente baixa e agressiva, e uma traseira suavemente arredondada que antecipava o estilo Art Deco dos anos 1930. O resultado era um carro que parecia estar em movimento mesmo parado - uma escultura rolante com proporções perfeitas e detalhes refinados.
O chassi DMN era um dos mais sofisticados da Delage: motor de 6 cilindros em linha de aproximadamente 3.0 litros, com válvulas no cabeçote, que entregava cerca de 95 a 110 cv (dependendo da preparação). Suave, silencioso e com excelente elasticidade, permitia uma condução refinada e uma velocidade máxima próxima de 140-150 km/h - números impressionantes para um carro de luxo da época. A suspensão e os freios eram de alto padrão, garantindo conforto e segurança dignos de um grand tourer.
Apenas alguns exemplares do Delage DMN receberam carrocerias Figoni & Falaschi, tornando este Faux Cabriolet de 1929 um dos mais raros e desejados. Ele foi exibido em salões importantes da época e encantou a alta sociedade francesa e internacional, simbolizando o ápice da colaboração entre um fabricante de prestígio e um encarroçador em ascensão.
Hoje, os poucos Delage DMN Figoni & Falaschi sobreviventes são verdadeiras obras de arte sobre rodas. Eles representam o melhor da escola francesa de carroceria dos anos 1920: elegância, leveza, harmonia de linhas e aquele toque de exclusividade que só um ttrabalho artesanal podia oferecer.
Um ‘falso cabriolet’ que, com sua beleza genuína, se tornou um dos mais verdadeiros ícones do design automotivo francês das entreguerras.