ASTON MARTIN DB4 GT (1961): O GRAN TURISMO QUE LEVOU A INGLATERRA PARA A PISTA
No começo dos anos 1960, a Aston Martin ocupava uma posição singular entre os fabricantes britânicos. Seus automóveis combinavam elegância, acabamento artesanal e desempenho suficiente para enfrentar os melhores esportivos europeus, mas a marca também queria demonstrar essa capacidade nas pistas. Foi desse ambiente que nasceu o Aston Martin DB4 GT, uma versão mais curta, leve e potente do DB4, apresentada originalmente no London Motor Show de 1959 e produzida até 1963. Em 1961, o modelo já havia se transformado em uma das armas mais sofisticadas da indústria britânica para as competições de Grand Touring.
A história do GT começara ainda antes de sua apresentação oficial. O protótipo DP199/1 estreou em competição no encontro do Daily Express em Silverstone, em maio de 1959, conduzido por Stirling Moss, e venceu a prova de GT estabelecendo também um novo recorde da volta. A mensagem era clara: o novo Aston Martin não seria apenas uma versão mais rápida do elegante DB4, mas um automóvel desenvolvido com genuína vocação esportiva.
Para chegar a esse resultado, os engenheiros encurtaram o entre-eixos do DB4 em aproximadamente 127 milímetros, reduzindo-o para cerca de 2.362 mm. A carroceria seguia o princípio Superleggera, desenvolvido pela Carrozzeria Touring, com painéis leves sobre uma estrutura tubular, enquanto o conjunto recebia diversas medidas destinadas à redução de massa. O resultado era aproximadamente 85 a 91 kg mais leve que o DB4 convencional, dependendo da referência e configuração. A carroceria também ganhou os característicos faróis parcialmente carenados, uma das marcas visuais que ajudariam a distinguir o GT.
Sob o longo capô estava o motor de 6 cilindros em linha de 3.670 cm³, projetado por Tadek Marek, agora equipado com dois distribuidores de ignição - um sistema de dupla vela por cilindro -, três carburadores Weber 45 DCOE de duplo corpo, comando de válvulas de maior levantamento, válvulas maiores e taxa de compressão elevada para 9.0:1. A potência chegava a 302 cv a 6.000 rpm, um salto expressivo diante dos 240 cv do DB4 convencional. A transmissão era manual de 4 velocidades, enquanto os freios a disco Girling nas quatro rodas ajudavam a controlar o desempenho.
Os números eram extraordinários para a época. O DB4 GT podia alcançar aproximadamente 246 a 257 km/h, dependendo da configuração e da fonte, enquanto o sprint de 0 a 96 km/h ficava em torno de 6.1 segundos. Mais impressionante ainda era sua capacidade de acelerar de parado até 160 km/h e retornar a zero em aproximadamente 20 segundos - desempenho que fazia dele um dos automóveis britânicos mais rápidos de seu tempo.
Em 1961, o DB4 GT já havia adquirido uma reputação especial entre pilotos e entusiastas. Sua combinação de dimensões compactas, baixo peso, motor vigoroso e freios aprimorados fazia dele um verdadeiro carro de competição disfarçado de Gran Turismo. A Aston Martin produziu apenas 94 exemplares do DB4 GT ao longo de sua existência segundo o registro histórico da própria marca, embora apenas 75 sejam normalmente identificados como exemplares com carroceria Touring de produção, além das versões especiais e lightweight.
E havia uma evolução ainda mais rara esperando por ele. No London Motor Show de outubro de 1960, a Aston Martin apresentou o DB4 GT Zagato, que levava a filosofia de redução de peso a outro nível com uma nova carroceria de alumínio criada pela Carrozzeria Zagato. Seu seis-em-linha de 3.7 litros passou a produzir 314 cv, enquanto a massa caía ainda mais. Apenas 19 exemplares originais foram construídos, transformando o Zagato em uma das maiores raridades da história da Aston Martin.
Mas é justamente o DB4 GT convencional que merece ser lembrado como o ponto de equilíbrio entre dois mundos: o refinamento de um grande Aston Martin de estrada e a agressividade necessária para enfrentar circuitos. Ele surgiu em uma época em que a diferença entre um automóvel de competição e um esportivo de rua ainda podia ser relativamente pequena, e a Aston Martin soube explorar essa proximidade como poucos fabricantes. O DB4 GT de 1961 representava, assim, uma das expressões mais puras daquela filosofia britânica: aparência aristocrática, engenharia italiana de carroceria, mecânica de alta performance e uma alma que, quando chamada para a pista, revelava que aquele elegante coupé havia nascido para correr.