ASTON MARTIN LAGONDA (1989): O LUXO FUTURISTA QUE DESAFIOU O SEU TEMPO
Quando o Aston Martin Lagonda foi apresentado originalmente em meados dos anos 1970, ele já parecia um objeto vindo do futuro. Mas foi ao longo da década seguinte - e especialmente em 1989, já em sua fase final de produção - que o sedan mais radical de Newport Pagnell atingiu sua forma mais refinada e madura, mantendo intacta sua vocação de desafiar convenções.
Em uma época dominada por linhas arredondadas e soluções cada vez mais conservadoras, o Lagonda insistia em um design em forma de cunha extrema, com superfícies planas, perfil baixíssimo e proporções que mais lembravam um conceito futurista do que um automóvel de produção. Assinado por William Towns, o design permanecia chocante mesmo mais de uma década após seu lançamento - algo raríssimo na indústria automotiva.
Sob o capô, o Lagonda de 1989 utilizava o tradicional motor V8 Aston Martin de 5.3 litros, entregando cerca de 305 cv, associado a uma transmissão automática de 3 velocidades. Não se tratava de um esportivo disfarçado de sedan, mas de um luxuoso gran turismo de quatro portas, capaz de cruzar longas distâncias com autoridade silenciosa e refinamento absoluto.
O verdadeiro espetáculo, porém, estava no interior. O Lagonda ficou mundialmente famoso por seu painel totalmente digital, repleto de mostradores eletrônicos, telas e comandos sensíveis ao toque - uma ousadia tecnológica quase inédita no final dos anos 1970 e ainda impressionante no fim dos anos 1980. Em 1989, os sistemas já haviam passado por inúmeras revisões, tornando-se mais confiáveis, embora ainda complexos e caros de manter.
Luxo artesanal era regra: couro Connolly em abundância, madeira nobre aplicada à mão e um ambiente pensado para poucos privilegiados. A produção sempre foi extremamente limitada e personalizada, com muitos exemplares destinados ao Oriente Médio, onde o Lagonda encontrou um público particularmente receptivo à sua combinação de exclusividade, extravagância e poder.
Ao final dos anos 1980, o Aston Martin Lagonda já havia se tornado um símbolo. Não apenas de luxo, mas de coragem criativa. Um automóvel que se recusou a envelhecer de forma discreta e preferiu permanecer radical até o último parafuso.
O Lagonda foi um dos carros mais caros do mundo durante sua produção e, em alguns mercados, chegou a custar mais que uma Ferrari Testarossa. Hoje, sua estética polarizadora e seu painel futurista fazem dele um ícone cultuado - amado por uns, incompreendido por outros, mas ignorado por ninguém.