ASTON MARTIN QUER UTILIZAR O MOTOR DO NOVO MERCEDES-AMG CLS 53 4MATIC
Existem certas coisas que geralmente acontecem quando se assina um acordo de colaboração entre dois fabricantes. Chega um momento que uma das partes quer mais e então podem surgir faíscas, exatamente o que está ocorrendo entre a Aston Martin e a Mercedes-AMG.
Há quase cinco anos que os dois fabricantes, alemão e britânico, assinaram uma cooperação técnica - anunciada oficialmente em julho de 2013 - pela qual a Aston Martin poderia acessar o banco de órgãos da Mercedes-AMG e da Mercedes-Benz, especialmente o motor biturbo de oito cilindros em V e 4.0 litros, junto com as arquiteturas elétricas e eletrônicas necessárias. Em contrapartida, o grupo alemão passaria a fazer parte do grupo controlador da marca britânica com 5% das ações, mas sem direito a voto.
Na verdade, os novos Aston Martin DB11 e Vantage são os primeiros modelos que utilizam motores da AMG, mas modificados para dar o caráter próprio dos esportivos de Gaydon. E foi aí que surgiu o problema. Acontece que agora os britânicos pretendem utilizar também os novos motores de seis cilindros em linha desenvolvidos pela Mercedes-Benz e que a divisão esportiva ajustou com um sistema de 48 volts para as primeiras versões esportivas eletrificadas da Mercedes-Benz estreadas com o novo AMG CLS 53.
Matt Becker, engenheiro-chefe da Aston Martin, não só deixou vazarem essas intenções para a imprensa, como torce para que os alemães lhe abram a porta para esse conjunto propulsor, já que seria uma volta ao passado e que recordaria os modelos produzidos entre 1950 e 1969, que eram propulsionados por um motor de seis cilindros em linha, sendo o último com essa configuração o DB7 dos anos 90, que equipava um motor de origem Jaguar.
Sem dúvida nenhuma, aproveitar a tecnologia da Mercedes-AMG é tudo o que um fabricante do estilo da Aston Martin poderia desejar, reduzindo enormemente os custos de pesquisa e desenvolvimento. Mas não é nisso que se baseiam os britânicos, mas como sendo a melhor forma de reduzir os níveis de emissões de CO2 da linha de modelos.
O problema que a Mercedes-Benz debate agora é que se trata de uma tecnologia recém-estreada na oferta de seus modelos, e é muito cedo para ceder o seu uso aos britânicos, ainda mais tendo em conta que o acordo não permite a modificação do motor em si, mas sendo necessário respeitar ao máximo e optar por outros canais para encontrar a configuração específica.
E nesse sentido Becker apontou que seus engenheiros precisam adaptar-se às curvas de potência e torque da Mercedes-AMG, pois estas são intocáveis e devem ser limitadas aos ajustes na calibração do curso do acelerador em relação à aceleração do motor para adaptá-lo às suas relações de peso e potência, por isso será necessário aguardar um futuro facelift do recém-apresentado novo Vantage, que poderá ser o primeiro dos modelos da Aston Martin a equipar esse novo propulsor.