BUGATTI E SUA HISTÓRIA DE RECORDES DE VELOCIDADE: O OBJETIVO É SUPERAR OS 500 KM/H
A Bugatti é sinônimo de luxo e desempenho desde a sua fundação. Com inúmeros recordes de velocidade, é preciso dar uma olhada para trás e analisá-los individualmente para perceber o desafio tecnológico que significou superar a velocidade máxima em cada geração.
No verão europeu de 2019, o praticamente impossível tornou-se possível com o Bugatti Chiron Super Sport 300+, quando esse hiperesportivo atingiu os 482 km/h. Por singular que seja este recorde, não foi o primeiro da história da Bugatti, pois durante seus mais de 110 anos de história, seus projetistas sempre procuraram superar-se.
100 km/h
En 1903, Ettore Bugatti alcançou uma velocidade superior aos 100 km/h em um veículo que ele mesmo desenvolveu, o Bugatti Type 5. O veículo era propulsionado por um motor de 4 cilindros com uma capacidade de 12.86 litros. O modelo de dois lugares entregava 60 cv e era capaz de alcançar uma velocidade máxima de 120 km/h. Só foram produzidos dois exemplares em dois anos.
120 km/h
Em 1904, Ettore Bugatti e Émile Mathis desenvolveram o modelo 40/50 cv com um motor de 4 cilindros e 7.5 litros sob a direção da empresa recém-fundada Hermes-Simplex. Os veículos, que podiam alcançar velocidades superiores a 120 km/h, competiram em várias corridas e eram produzidos na Société Alsacienne de Construction Mécanique (SACM), em Graffenstaden.
130 km/h
Entre 1904 e 1906, Ettore Bugatti liderou o desenvolvimento dos modelos Hermes-Simplex 50/60 cv, que estavam disponíveis com um motor de 4 cilindros com 8.5 litros ou um bloco de 4 cilindros com quase 9.0 litros. Um modelo ainda mais potente gerava 80/90 cv graças a um motor de 4 cilindros e 12 litros. Isso permitiu que os veículos alcançassem velocidades superiores a 130 km/h.
140 km/h
Após a saída de Émile Mathis e a dissolução da Hermes-Simplex, Ettore Bugatti se transferiu à Gasmotorenfabrik Deutz AG em Colonia em 1906. No período até 1909, foram construídos vários protótipos, em paralelo com um carro de corridas com 1.3 litros de capacidade. No início de 1909, Bugatti projetou o Bugatti Deutz Prinz Heinrich Type 9 C na Deutz, um automóvel de corridas que podia atingir mais de 140 km/h. O Type 9 C fez sua primeira aparição pública em Prinz-Heinrich-Fahrt, uma corrida de resistência de 1.850 quilômetros para turismos de quatro lugares fundada pelo príncipe Albert Wilhelm Heinrich da Prussia, de onde o veículo obteve seu sobrenome.
150 km/h
Ettore Bugatti estabeleceu sua própria marca de veículos em 1909, e um ano depois voltou a competir na Prinz-Heinrich-Fahrt. Com seu motor de 4 cilindros com 1.4 litros e tecnologia de 4 válvulas, o Bugatti Type 13 alcançava uma velocidade máxima de mais de 150 km/h, sendo que sua velocidade média na prova foi de 142.6 km/h. Com a interrupção das provas devido à 1ª Guerra Mundial, a Bugatti continuou fabricando o Type 13, que pesava somente 300 quilos, até 1920. A marca produziu mais de 400 unidades deste modelo, que era quase imbatível nas pistas de corridas naquela época.
200 km/h
A Bugatti apresentou um novo modelo de corridas, o Type 35. Seu motor de 8 cilindros com uma capacidade de 2.0 litros entregava inicialmente 95 cv e ??permitia que o modelo superasse os 190 km/h. Com o Type 35B, a capacidade foi elevada para 2.3 litros e um compressor ajudava a gerar ainda mais potência. Com 140 cv, o carro de corridas alcançava velocidades que ultrapassavam os 215 km/h. A Bugatti venceu por volta de 2.000 corridas com o Type 35 nos anos seguintes. Isso o tornou no carro de corridas mais bem-sucedido de todos os tempos. Com seu Type 57S, a Bugatti superou a marca de 200 km/h em 1934 em um automóvel que era destinado exclusivamente para uso em estrada.
250 km/h
Em 1929 a Bugatti introduziu um carro de corridas especial, o Type 45. Combinava 2 motores paralelos de 8 cilindros do Type 35 e criava assim um motor de 16 cilindros, o primeiro na história da Bugatti. O motor de 3.8 litros produzia 270 cv a 5.000 giros e garantia uma velocidade máxima superior aos 250 km/h. A Bugatti utilizava esse modelo para corridas de curta distância, já que os pneus não podiam enfrentar as altas velocidades durante um período prolongado. Só foram produzidos dois exemplares.
300 km/h
Em 1929, Ettore Bugatti teve algumas ideias para desenvolver um automóvel de alta velocidade que atingisse mais de 300 km/h. Os desenhos e esboços técnicos indicavam que teoricamente o motor de 8 cilindros em linha do Type 41 Royale em combinação com a transmissão de um Type 50 permitiriam alcançar a velocidade desejada. Embora o projeto tivesse sido arquivado por motivos financeiros, Bugatti teve em mente o número mágico durante décadas, antes de Romano Artioli assumir essa missão. O italiano, que comprou a marca Bugatti em 1987, construiu um superesportivo na década de 1990 na forma do EB-110, e rompeu a marca dos 300 km/h em 1992, estabelecendo um novo recorde de velocidade de 342 km/h. O EB-110 contava com um motor central V12 de 3.5 litros. Dependendo do modelo e da etapa do desenvolvimento, a potência gerada ficava entre os 560 cv no GT e os 610 cv no Supersport (SS).
350 km/h
Um ano depois, um EB-110 SS com uma potência de 610 cv (chassi 008) quebrou seu próprio recorde anterior com uma nova velocidade máxima de 351 km/h. Um EB-110 SS com propulsão a gás natural alcançou a velocidade de 344.7 km/h, também um recorde.
400 km/h
Em 2005, o Bugatti Veyron se tornou o primeiro hiperesportivo da década de 2000 a alcançar velocidades superiores a 400 km/h - mais precisamente 408.47 km/h. Isso converteu o Veyron, com o motor de 8.0 litros e 16 cilindros com uma potência de 1.001 cv, no automóvel esportivo de produção em série mais rápido do mundo. Era preciso ativar uma segunda chave, conhecida como Speed ??Key, para poder superar os 400 km/h. No dia 26 de junho de 2010, o Bugatti Veyron 16.4 Super Sport quebrou o recorde mundial de velocidade de superesportivos aprovados para a estrada. Sob a supervisão do Guinness World Records e do TÜV alemão, o Super Sport alcançou uma velocidade máxima de 431.072 km/h, tornando-o no esportivo de produção em série mais rápido do mundo.
490 km/h
No verão europeu de 2019, o Chiron Super Sport 300+ elevou a faixa a um nível que ainda não foi igualado. Com seu motor W16 de 8.0 litros e uma potência de 1.600 cv, o hiperesportivo de Molsheim se converteu no primeiro automóvel de produção em série a atingir os 490.484 km/h.
500 km/h
Em outubro de 2020, a Bugatti apresentou um veículo extremo orientado para a pista de corridas, o Bolide Concept. Este automóvel é propulsionado por um motor W16 de 8.0 litros derivado da produção em série com 1.850 cv. Incluindo o motor, a carroceria minimalista projetada para uma carga aerodinâmica máxima pesa somente 1.240 quilos. A relação peso/potência é de 0.67 quilos por cv. O estudo experimental do Bolide alcança uma velocidade máxima simulada superior aos 500 km/h sem nenhum compromisso em termos de manobrabilidade máxima e agilidade máxima. Isso o torna o primeiro Bugatti capaz de alcançar velocidades superiores a 500 km/h. Além da sua velocidade máxima, em simulações o Bolide leva 3:07.1 para completar uma volta em Le Mans, e 5:23.1 para rodar o Nordschleife de Nürburgring.
“Nas últimas décadas, a Bugatti mostrou que construímos os veículos mais rápidos e exclusivos do mundo. Temos muito orgulho de nossa história. No entanto, não nos definimos apenas por recordes ou velocidades máximas”, diz Stephan Winkelmann. Os hiperesportivos da Bugatti oferecem mais do que apenas velocidades máximas: dimensões inimagináveis de desempenho, luxo, exclusividade, design e artesanato automobilístico. E a Bugatti continuará se focando nisso no futuro.