BUGATTI TYPE 23 BRESCIA ROADSTER (1923): DO CIRCUITO À ESTRADA
Na década de 1920 em Molsheim, Ettore Bugatti continuava a lapidar automóveis que pareciam nascer já destinados a se tornar clássicos. Em 1923, a Bugatti aprofundava ainda mais a fórmula que havia consagrado o Type 23 Brescia, oferecendo variações de carroceria capazes de atender tanto ao gentleman driver esportivo quanto ao cliente que buscava distinção e exclusividade.
O Bugatti Type 23 Brescia Roadster representava a face mais esportiva e direta dessa linhagem. Diferente do Tourer, pensado para viagens mais longas e uso familiar, o Roadster era enxuto, baixo e essencial. A carroceria aberta, geralmente com apenas dois lugares, linhas mais curtas e para-brisa mínimo, enfatizava a ligação do carro com as competições e com a condução ao ar livre, algo muito valorizado na Europa da época.
Mecanicamente, o Roadster mantinha o consagrado motor de 4 cilindros em linha de 1.5 litros, com duplo comando no cabeçote e quatro válvulas por cilindro, uma assinatura técnica da Bugatti. Com potência situada na faixa de 45 a 50 cv, o conjunto se beneficiava do baixo peso do chassi e da simplicidade da carroceria, proporcionando acelerações vivas e uma velocidade máxima próxima de 120 km/h. Para 1923, eram números que colocavam o Brescia Roadster entre os esportivos mais rápidos e sofisticados disponíveis ao público.
A experiência ao volante refletia fielmente a filosofia de Ettore Bugatti. A direção era precisa, o comportamento em curvas surpreendia pela agilidade e o som metálico do pequeno quatro-cilindros reforçava o caráter esportivo do modelo. O interior, embora simples, não abria mão do refinamento: mostradores bem-posicionados, volante de grande diâmetro e acabamento cuidadoso, ainda que espartano, lembravam que mesmo o Bugatti mais esportivo era, antes de tudo, um objeto de arte funcional.
Muitos Type 23 Brescia Roadster foram utilizados tanto em estradas públicas quanto em provas amadoras e competições de montanha. Em vários casos, seus proprietários dirigiam o carro até o local da corrida, competiam no fim de semana e voltavam para casa ao volante do mesmo Bugatti - uma demonstração clara de como, nos anos 1920, a linha entre automóvel de corrida e carro de rua ainda era deliciosamente tênue.