BUICK RIVIERA GS SPORT COUPÉ 1971: O FUTURO VISTO PELO RETROVISOR
Em 1971, a Buick apresentou um carro que não se parecia com absolutamente nada em seu tempo - o Riviera GS Sport Coupe. Talvez a interpretação mais notável e ambiciosa do design americano pós-1960, um coupé de luxo, ousado, excêntrico e estilisticamente revolucionário.
O Riviera já era, desde sua estreia em 1963, um símbolo da sofisticação da Buick, uma marca que sabia equilibrar conforto com um toque de esportividade. Mas em 1971, sob o comando do designer Bill Mitchell, o modelo deu um salto ousado rumo ao inesperado. Era a estreia da chamada ‘Boat-Tail’ - a icônica traseira afunilada inspirada nos carros de corrida dos anos 1930 e nos esportivos italianos. Nada antes ou depois se pareceu com ela. Para muitos, era arte; para outros, extravagância. Mas indiferente, jamais.
A silhueta era marcante: frente alongada, cintura alta, curvatura pronunciada nas laterais e aquele fastback estreitando até o centro da traseira, criando a famosa ‘cauda de barco’. O Riviera 1971 parecia um carro concebido para ser visto - e lembrado.
Na versão GS (Gran Sport), o elegante coupé ganhava músculos. Ele vinha equipado com o poderoso 455 V8, um Big Block monumental tanto em potência quanto em torque. Com cerca de 330 cv brutos e força suficiente para mover seu grande corpo com surpreendente disposição, o GS era o Riviera para quem queria luxo, mas também emoção. O ronco grave e profundo traduzia perfeitamente o estilo americano da época: grandes motores, grande presença e grande personalidade.
Apesar das dimensões generosas, o Riviera GS tinha um comportamento dinâmico agradável para seu porte. Suspensão bem calibrada, direção assistida e um conforto de rodagem típico da Buick tornavam cada viagem uma experiência suave, quase flutuante. Não era um esportivo; era um gran turismo americano, feito para estradas longas, onde sua elegância e seu silêncio - quando o acelerador não estava completamente aberto - se destacavam.
O interior era outro capítulo à parte. Bancos largos, acabamento caprichado, painel envolvente e aquele aroma típico dos Buicks dos anos 1970, misturando couro, madeira e tecnologia analógica. Ele transmitia refinamento sem ostentação exagerada, como se dissesse: “eu tenho poder, mas não preciso gritar o tempo todo”.
No mercado da época, o Riviera Boat-Tail enfrentou opiniões divididas, mas só o tempo é capaz de julgar certos designs - e o veredito final foi generoso. Hoje, o 1971 é considerado o mais puro, o mais artístico e o mais desejado dessa geração. Uma peça de estilo que poderia facilmente estar em um museu de arte moderna.
O design Boat-Tail de 1971 era tão ousado que Mitchell inicialmente o pensou para o Corvette, mas acabou direcionando o conceito ao Riviera, que recebeu a ideia com a dramaticidade que ela merecia. Assim, o Buick ficou com uma das traseiras mais icônicas da história automotiva - e o Corvette seguiu outro caminho.