CADILLAC COUPE DEVILLE CONVERTIBLE (1970): O TRANSATLÂNTICO DAS ESTRADAS
No início da década de 1970, enquanto os muscle cars incendiavam o imaginário popular com potência e fumaça, havia outro tipo de grandeza cruzando as mesmas highways americanas - uma grandeza silenciosa, majestosa, quase presidencial. A Cadillac, então sinônimo absoluto de status e elegância, apresentava ao mundo um dos conversíveis mais imponentes de sua época: o Cadillac Coupe DeVille Convertible de 1970, um automóvel que parecia mais uma declaração de estilo do que um simples meio de transporte.
A linha DeVille nasceu ainda nos anos 1940 como uma interpretação mais requintada dos modelos da marca. Mas foi no final dos anos 1960 e início dos 70 que ela alcançou o ápice dessa proposta: carros longos, baixos, largos e impressionantemente refinados. O modelo de 1970, em especial, é considerado por muitos como um dos últimos representantes da Cadillac ‘clássica’ - aquela que fazia questão de transformar cada viagem em uma experiência de conforto absoluto.
E conforto era quase uma ideologia dentro do DeVille. Com seus mais de 5.7 metros de comprimento, o conversível avançava pelas ruas como um transatlântico sobre rodas. A capota de tecido retrátil se abria com suavidade hidráulica, revelando um interior que parecia mais um lounge móvel: bancos enormes, estofados generosos, painéis em acabamento cromado e uma ergonomia pensada para que o condutor quase esquecesse que conduzia algo tão colossal. Direção assistida, vidros elétricos, ar-condicionado e até controle de nível automático da suspensão integravam a lista de equipamentos - luxo que, para época, era praticamente ficção científica.
Debaixo do capô, o DeVille não fazia feio. O motor 472 V8, um dos maiores já montados pela Cadillac, oferecia torque abundante e uma progressão de velocidade suave, quase flutuante. Não era um carro para arrancadas agressivas; era um carro para o tipo de condutor que apreciava o silêncio, a solenidade e a sensação de deslizar feito uma limusine pelas largas avenidas norte-americanas. A transmissão automática de 3 velocidades completava a experiência, trabalhando de maneira tão macia que muitos proprietários diziam “não sentir as trocas”.
O design, por sua vez, era majestoso. As linhas retas e extensas davam ao conversível uma imponência rara. A grade frontal imponente, os faróis duplos e a traseira com discretas nadadeiras evocavam o glamour dos anos 50, mas com a modernidade dos 70. Com a capota aberta, então, o DeVille emanava aquele charme quase aristocrático que só os grandes conversíveis americanos conseguiram alcançar.
O Cadillac Coupe DeVille Convertible de 1970 foi, e permanece sendo, um símbolo de uma América confiante, próspera e apaixonada por excessos elegantes. Um carro que não precisava correr - bastava existir para ser admirado.
Muitos proprietários brincavam que estacionar um DeVille conversível exigia quase um “planejamento urbano”, tamanha a extensão do carro.