CHRYSLER ATLANTIC CONCEPT: INSPIRADO NOS CLÁSSICOS EUROPEUS DA DÉCADA DE 30
A década de 90 do século passado foi marcada pela nostalgia. O design no mundo automobilístico se recuperava da entediante década anterior que, sobretudo nos Estados Unidos, havia dado origem aos modelos menos interessantes e menos atraentes de todos os tempos. Na verdade, inclusive ícones como o Ford Mustang sofreram as consequências daqueles anos.
Também foi uma época em que muitos centros de estilo da Europa olhavam para o passado para inspirar-se, e vários destes projetos acabaram se materializando até o final da década, com modelos como o Volkswagen New Beetle de 1998, o MINI do ano de 2001 e o Fiat 500, que chegou um pouco mais tarde, já em 2007.
Nos Estados Unidos, entretanto, esta moda de olhar para o passado não chegou a materializar-se em modelos de produção, com exceção de alguns projetos, como o Chrysler PT Cruiser, de maneira que a maioria dos concepts retro que surgiram foram simplesmente exercícios de design.
Talvez a Chrysler tivesse sido uma das empresas mais produtivas em termos de concept cars, e em poucos anos apresentou inúmeros e impressionantes protótipos, também sob as marcas Dodge e Plymouth, com fascinantes linhas, mas talvez um pouco antiquadas ou excessivamente modernas para acabar chegando à produção.
Em meados da década, mais precisamente em 1995, surgiu o Chrysler Atlantic Concept, com um design tremendamente inspirado no passado, mas não no passado da própria marca americana, mas na tradição de marcas europeias, já que seu aspecto era realmente eloquente.
O seu nome já diz muito a respeito. Lembra, inevitavelmente, a um dos carros mais famosos, belos, caros e exclusivos de todos os tempos: O Bugatti 57SC Atlantic dos anos 30. Alguns detalhes se inspiram também em outros icônicos automóveis, como o Talbot-Lago T150.
O design do Chrysler combina de maneira elegante elementos clássicos, como os enormes para-lamas e os radiadores verticais, neste caso com uma grade em duas peças e dois pares de faróis de diferentes tamanhos.
A tudo isso somam-se grandes rodas cromadas de 21 polegadas de diâmetro no eixo dianteiro e de 22 no traseiro. É claro que as proporções do carro são mais americanas que europeias, com um comprimento superior aos 5 metros, uma distância entre os eixos de pouco mais de 3 metros, largura superior aos 1.90 metros, mas uma altura bastante contida, de 1.31 metros.
O habitáculo, de 2+2 lugares, combina tecnologia moderna da época, como uma instrumentação digital e componentes eletrônicos, com um design ao estilo Art Decó.
A maior surpresa estava debaixo do capô, já que este protótipo escondia um motor de 8 cilindros, como bom americano, mas não dispostos em ‘V’, mas em linha. Na realidade, tratava-se de um bloco criado a partir de dois motores de 2.0 litros e 4 cilindros, herdados do Chrysler Neon.
No total, este L8 tinha uma cilindrada de 4.0 litros e entregava uma potência de 350 cv. Surgia acoplado a uma transmissão automática Autostick, que enviava toda a força do motor exclusivamente às rodas traseiras. Atualmente, o Chrysler Atlantic Concept se encontra no Museu W.P. Chrysler, em Auburn Hills, Michigan.