CITROËN CONFIRMA O SUCESSOR DO SEDAN C5
O segmento D de sedans tradicionais sofreu uma grande transformação nos últimos 20 anos. Os êxitos comerciais de modelos como o Citroën C5 hoje em dia parecem ficção científica. Nos três primeiros anos de venda da primeira geração era normal vender mais de 100.000 unidades ao ano na Europa, entre 2001 e 2003.
Logo começaram a ser cifras mais normais entre 45.000 e 90.000 unidades ao ano, e aí chegou a grande crise econômica. O novo C5, já em uma nova geração, foi incapaz de levantar voo e atingir o sucesso do seu antecessor. Em seu melhor ano ultrapassou as 80.000 unidades (2009), e no pior vendeu 16 vezes menos, quase 5.000 (2017). Tanto é que deixaram de fabricá-lo.
Parte do mercado do C5 foi levado ao que mais se parecia com ele atualmente, que é o SUV C5 AirCross. Também é um carro muito confortável e espaçoso, embora não utilize uma suspensão tão sofisticada como a famosa ‘Hydractive’ de terceira geração do C5 anterior (em versões altas). Em meio ano foram vendidos 50.000 C5 Aircross. Mas a Citroën não jogou a toalha com os sedans.
Está claro que é preciso ter um SUV dessa categoria no mercado europeu. O segmento D foi engolido pelos SUVs do segmento C, pelos sedans Premium e por um punhado de generalistas com bons números. Para muitos fabricantes não vale a pena o segmento D europeu, a menos que se aproveite um modelo de enfoque global. São poucas unidades.
De qualquer forma, a PSA ainda mantém um carro no segmento D, o Peugeot 508. E dentro de alguns meses veremos o sucessor do C5, provavelmente mantendo o nome. Isso foi confirmado pela Diretora de Produto e Estratégia da marca, Laurence Hansen, que começou no cargo no final do ano passado.
“Acreditem, o carro existe e é esplêndido”, disse Hansen em um vídeo emitido pelas redes sociais. “É realmente um carro muito importante para a Citroën”, acrescentou. E por que é tão importante um carro que competirá por um volume pequeno de unidades? A chave está no mercado chinês. Isso já havia sido aventado por Linda Jackson, ex-CEO da Citroën, há cinco anos.
Em muito pouco tempo, a Citroën perdeu a base de clientes na China em um ritmo acelerado. Enquanto que em 2018 foram comercializados 114.000 veículos, durante 2019 esse volume despencou para menos da metade: 55.000. Esse desastre teve um impacto significativo nos resultados da empresa.
Os chineses, embora estejam abraçando a moda SUV como em quase qualquer canto do mundo desenvolvido, continuam sendo tradicionais com relação aos sedans. De fato, na China é fácil ver sedans em mais segmentos que na Europa, existindo versões de chassi alongado mesmo sem ir aos modelos de luxo.
Para a Citroën parte do trabalho já está concluído, a plataforma modular EMP2 já está desenvolvida e permite motorizações a gasolina, diesel e híbridas plug-in. Os Peugeot 508 e DS 9 estão baseados na mesma plataforma. A dificuldade não está, portanto, na parte técnica, mas no design.
Ao longo da história da Citroën, seus sedans se caracterizaram por seus avanços tecnológicos e seu exotismo. Será necessário jogar mais pelo segundo, com designs tão revolucionários como em sua época foram os Traction Avant, DS e XM, e certamente com algum toque crossover, como fez no passado o Citroën DS4. Portanto, será pouco convencional.
As especulações apontam a uma reinterpretação do design que vimos no CXperience de 2016. “Antes do final do ano veremos um novo concept da Citroën que será revolucionário”, disse Pierre Leclerq, Chefe de Design da Citroën. Ele poderá antecipar o C5. Antes disso, porém, veremos o novo C4, que será revelado no dia 30 de junho em uma apresentação através da internet.
Provavelmente, a terceira geração do C5 - se for esse realmente o seu nome - será a última com motores a combustão interna, sendo que o próximo passo lógico será de propulsores 100% elétricos, não sendo mais desenvolvidos motores convencionais. Enquanto esse momento não chega, os híbridos plug-in terão um protagonismo crescente na medida que os preços possam ser ajustados.