CITROËN DS 23 PALLAS (1973): O FUTURO QUE A FRANÇA DIRIGIU ANTES DE TODO MUNDO
Ao chegarmos à França dos anos 1970, encontramos um país que sempre fez questão de pensar diferente - especialmente quando o assunto é automóvel. Enquanto o resto do mundo seguia fórmulas relativamente convencionais, a Citroën desenhava naves, não carros. E poucas naves foram tão revolucionárias, elegantes e iconicamente francesas quanto o Citroën DS 23 Pallas de 1973, aquele que muitos consideram o ápice tecnológico e estético da linha DS.
Lançado em 1955, o DS transformou o Salão de Paris em um acontecimento quase surreal. O público viu, pela primeira vez, um automóvel que parecia ter vindo de outra era: carroceria aerodinâmica, linhas fluidas, rodas parcialmente cobertas e soluções mecânicas tão avançadas que beiravam a ficção científica. Era um salto de décadas em relação ao que se via no restante do mundo. Mas foi no início dos anos 1970 que o modelo atingiu seu estado mais refinado: a versão 23 Pallas, luxuosa, poderosa e impecavelmente sofisticada.
O design do DS permanece único até hoje. Nada nele parece derivar de tendências externas - é um carro que segue apenas sua própria lógica estética. A dianteira afilada, a traseira suave e alta, o perfil quase orgânico: tudo nele sugere movimento, fluidez e inovação. Em 1973, ele já não era novidade, mas seguia parecendo mais moderno que a maioria dos carros recém-lançados.
A versão Pallas acrescentava um toque aristocrático ao futurismo: cromados discretos, acabamentos superiores, isolamento acústico aprimorado e um interior que misturava elegância com um quê de lounge parisiense. Os bancos pareciam convidar o passageiro a uma longa viagem, enquanto o painel criativo lembrava que a Citroën gostava de repensar até o óbvio - como o peculiar comando satélite e o volante de um único raio.
Mas o que realmente definia o DS era sua tecnologia. A famosa suspensão hidropneumática tornava o carro capaz de se elevar ao ligar, baixar ao desligar, navegar com suavidade sobre estradas imperfeitas e manter nível constante independentemente da carga. Uma solução tão avançada que muitos engenheiros, até hoje, consideram genial. O DS 23, em particular, trazia o motor de maior cilindrada da linha - um bloco de 2.3 litros que, combinado à injeção eletrônica em algumas versões, entregava desempenho mais vigoroso e adequado ao luxo que o modelo representava.
Dirigir um DS 23 Pallas era uma experiência quase etérea: o carro parecia flutuar, filtrando imperfeições com elegância absoluta, enquanto o condutor guiava com um volante leve e preciso. Não era um esportivo - era um automóvel que convidava ao prazer contemplativo da viagem, como se a França tivesse decidido que dirigir deveria ser um ato poético.
Hoje, o Citroën DS 23 Pallas de 1973 é visto como uma obra-prima do design automotivo e como um dos carros mais inovadores já produzidos. Um francês que ousou desafiar o tempo e venceu.
Em testes da época, jornalistas diziam que o DS “dirigia como se a estrada tivesse sido reconstruída sob o carro”. Uma frase perfeita para definir uma das suspensões mais avançadas já vistas em um automóvel de produção.