DATSUN 100A (1975): O PEQUENO GIGANTE JAPONÊS QUE CONQUISTOU A EUROPA
Em 1975, o Japão vivia o auge de seu ‘milagre econômico’ pós-guerra. As fábricas de automóveis de Toyota, Honda e Nissan operavam em ritmo acelerado, exportando veículos confiáveis e econômicos para um mundo ainda abalado pela crise do petróleo de 1973. Em Zama, nas linhas da Nissan, saía um dos modelos que ajudariam a mudar para sempre a percepção dos carros japoneses no Ocidente: o Datsun 100A, versão de exportação do primeiro Nissan Cherry (série E10).
Com linhas modernas e compactas para a época - carroceria de duas ou quatro portas, coupé ou perua -, o 100A media pouco mais de 3.60 metros de comprimento e pesava cerca de 660 kg. Seu design limpo, com faróis redondos e grade simples, transmitia praticidade e juventude, sem excessos. Mas o que realmente impressionava era a mecânica inovadora para um carro japonês de entrada: tração dianteira, motor transversal, suspensão independente nas quatro rodas (MacPherson na frente e eixo de torção atrás) e direção leve de cremalheira. Era uma fórmula que lembrava o Mini britânico, mas com a famosa confiabilidade nipônica.
Sob o capô dianteiro batia o motor A10, um bloco de 4 cilindros em linha de 988 cm³, válvulas no cabeçote (OHV), carburador simples e potência de cerca de 45 cv. Combinado com a transmissão manual de 4 velocidades totalmente sincronizada, ele permitia ao leve 100A atingir cerca de 140-145 km/h de velocidade máxima e oferecer acelerações respeitáveis para um subcompacto. Não era um esportivo, mas era ágil, econômico (12.75 km/l na estrada) e, acima de tudo, robusto. Freios a disco na dianteira e a tambor atrás garantiam paradas seguras, enquanto o interior simples, mas bem-acabado, oferecia equipamentos surpreendentes para a categoria, como relógio, cinzeiro e até rádio opcional.
Lançado no Japão em 1970 como Datsun Cherry, o 100A chegou com força à Europa a partir de 1971. Na Grã-Bretanha, onde a indústria local sofria com greves e problemas de qualidade, o pequeno Datsun foi recebido como uma revelação. Revistas como Autocar e Car Magazine o elogiaram pelo bom comportamento em curvas, direção leve e construção sólida. Em poucos anos, as vendas da Datsun no Reino Unido saltaram de milhares para dezenas de milhares, ajudando a Nissan a conquistar uma fatia importante do mercado de superminis.
Enquanto os americanos ainda associavam Datsun a modelos maiores como o 240Z, na Europa o 100A representava a invasão japonesa no segmento popular: um carro acessível, sem frescuras, feito para durar e rodar sem preocupações. Em 1975, no auge da produção da primeira geração E10, ele simbolizava a nova era da indústria automotiva japonesa - eficiente, confiável e competitiva em preço.
Pouco mais de meio século depois, os poucos Datsun 100A de 1975 que sobreviveram são raridades afetuosas entre entusiastas de clássicos japoneses. Sua simplicidade mecânica, combinada com o charme discreto dos anos 1970, faz deles um pedaço vivo da história em que o Japão deixou de ser ‘imitador’ para se tornar sinônimo de qualidade acessível.
Um pequeno carro que, com motor modesto e grande ambição, abriu as portas da Europa para a revolução automotiva japonesa - provando que tamanho não é documento quando o objetivo é conquistar estradas e corações com eficiência e confiabilidade.