DE TOMASO P72 ‘AURELIAN NIGHT’ (2026): A ESPERA DE SETE ANOS FINALMENTE CHEGA AO FIM
Poucos automóveis modernos conseguiram despertar tanta admiração instantânea quanto o De Tomaso P72. Quando foi revelado ao público durante o Festival de Velocidade de Goodwood de 2019, o modelo parecia uma homenagem perfeita à era dourada dos protótipos de competição dos anos 1960. Suas linhas esculturais, a ausência de excessos aerodinâmicos e a proposta de uma condução puramente analógica fizeram dele uma espécie de manifesto contra a crescente digitalização dos supercarros modernos.
Agora, quase sete anos depois daquela estreia memorável, a primeira unidade de produção finalmente foi entregue a um cliente. Batizado de ‘Aurelian Night’, este exemplar especial marca oficialmente o início das entregas do aguardado hipercarro da De Tomaso.
A história do P72 começou como uma celebração dos 60 anos da marca fundada por Alejandro de Tomaso em 1959. O design, criado por Jowyn Wong, buscou inspiração direta no lendário De Tomaso P70, carro de competição desenvolvido em colaboração com Carroll Shelby na década de 1960. O resultado foi um automóvel que parece ter atravessado um portal temporal, combinando estética clássica com engenharia contemporânea.
O exemplar ‘Aurelian Night’ foi concebido para capturar a atmosfera de uma noite de verão no momento em que o crepúsculo dá lugar à escuridão. Sua carroceria recebe um tom azul profundo que muda de aparência conforme a incidência da luz, contrastando com detalhes em ouro rosé cuidadosamente aplicados em rodas, espelhos, frisos e diversos componentes externos. O efeito visual é espetacular e faz do carro uma verdadeira peça de arte sobre rodas.
O interior segue exatamente a mesma filosofia. Couro azul Venetian reveste bancos, painel e painéis das portas, enquanto elementos usinados em alumínio com acabamento em ouro rosé aparecem nos instrumentos, comandos e na alavanca de câmbio. Diferentemente da maioria dos hipercarros atuais, não há grandes telas digitais dominando a cabine. O ambiente é composto por mostradores analógicos e componentes mecânicos expostos, reforçando a sensação de conexão direta entre homem e máquina.
Sob a carroceria encontra-se um monocoque integral de fibra de carbono. O motor é um V8 de 5.0 litros sobrealimentado por compressor mecânico, preparado para desenvolver cerca de 700 cv e mais de 800 Nm de torque. Mas o detalhe mais fascinante talvez seja outro: toda essa potência é enviada às rodas traseiras através de uma transmissão manual de 6 velocidades. Em uma era dominada por câmbios automatizados de dupla embreagem, a De Tomaso decidiu seguir o caminho oposto e priorizar a experiência emocional da condução.
A filosofia mecânica do P72 vai além da transmissão manual. A suspensão utiliza um sofisticado sistema de push-rods com amortecedores ajustáveis manualmente em três vias, permitindo que o proprietário personalize o comportamento dinâmico do carro de forma semelhante aos grandes carros de competição. O objetivo nunca foi estabelecer recordes absolutos de aceleração ou velocidade máxima, mas oferecer uma experiência de condução visceral e envolvente.
A produção será extremamente limitada. Apenas 72 exemplares serão construídos, cada um desenvolvido em estreita colaboração com seu proprietário. O preço inicial gira em torno de 1.8 milhão de dólares antes de opções e personalizações, colocando o P72 entre os automóveis mais exclusivos da atualidade.
Mais importante do que os números, porém, é o significado desse primeiro carro entregue. Durante anos, muitos entusiastas se perguntaram se o projeto realmente chegaria às ruas. A entrega do ‘Aurelian Night’ encerra essa dúvida e marca o início de uma nova fase para a De Tomaso, que finalmente transforma um sonho apresentado em 2019 em realidade para seus clientes.
Embora seja um hipercarro do século XXI, o P72 deliberadamente dispensa recursos que hoje são considerados indispensáveis por muitos fabricantes, como grandes telas multimídia, modos eletrônicos complexos de condução e interfaces digitais dominantes. A De Tomaso descreve o modelo como uma “máquina analógica para a era moderna”, uma filosofia que ajuda a explicar por que tantos entusiastas o consideram um dos automóveis mais belos e românticos produzidos nas últimas décadas.