DISTRIBUIÇÃO DE VEÍCULOS: A PRESSÃO QUE VEM DO ALUGUEL
* Francisco Trivellato
- O setor da distribuição de veículos vive há anos a dificuldade em absorver os índices de reajustes de aluguel propostos pelos proprietários dos imóveis onde estão instaladas as empresas.
Para demonstrar, no quadro comparo a evolução da variação percentual (%) anual dos preços dos aluguéis (Fonte: IBGE - IPCA), o índice IGP-M/FGV (Índice Geral de Preços do Mercado que é utilizado como indexador de contratos de aluguel), com a Receita Média Total do distribuidor de autos e comerciais leves (*) e a de veículos novos.
Veja que a variação do valor preço do Aluguel e do IGP-M é superior à evolução da receita nos últimos 4 anos e mesmo havendo a redução do IGP-M no ano de 2014 e no primeiro trimestre de 2015, o problema persiste pois a variação da receita foi negativa.
É por isso que os empresários buscam além da negociação dos valores, soluções para reduzir e otimizar a utilização das áreas contratadas, realocação de área (que é difícil dependendo do mercado) e até o limite do questionamento da viabilidade da operação.
Eles sabem que se em condições normais do negócio cada 1% de aumento no aluguel representa no mínimo 0,5% de redução no resultado, imagine o impacto de reajustar os valores num momento de forte redução de resultados.
A situação é grave e desafia as montadoras a rever as exigências de investimento e repensar a forma das redes de distribuidores de veículos atuarem principalmente nos grandes centros.
(*) Utilizamos índice próprio desenvolvido para estimar a Receita Total e a Receita de Veículos Novos do Distribuidor de autos e comerciais leves.
* Francisco Trivellato é Diretor da Trivellato Informações e Estratégias - www.trivellatoie.com.br