DONKERVOORT P24 RS: O ÚLTIMO GRITO DO PURISMO HOLANDÊS EM UM MUNDO DE EXCESSOS
Na discreta cidade de Lelystad, na Holanda dos dias atuais, ainda resiste uma pequena fábrica que insiste em desafiar as tendências da indústria automobilística moderna. Enquanto o mundo caminha para carros cada vez mais pesados, complexos e eletrificados, a Donkervoort Automobielen segue fiel a uma filosofia quase artesanal: construir máquinas leves, extremas e absolutamente centradas no prazer de dirigir. É nesse contexto que surge o Donkervoort P24 RS 2027, um supercarro que não pede concessões - apenas respeito.
Fundada em 1978 por Joop Donkervoort, a marca nasceu inspirada nos esportivos britânicos ultraleves, como o Lotus Seven, mas rapidamente trilhou um caminho próprio. Ao longo das décadas, a Donkervoort construiu uma reputação singular: carros de produção limitadíssima, engenharia obsessivamente voltada à redução de peso e uma conexão direta, quase visceral, entre homem e máquina. O P24 RS é a mais recente - e talvez mais ousada - expressão dessa filosofia.
O novo modelo surge como sucessor espiritual do F22, mas vai muito além de uma simples evolução. Desde o primeiro esboço, o P24 RS foi pensado como “o carro definitivo para o condutor”, um conceito que a marca leva ao extremo. Seu peso seco declarado gira em torno de 780 quilos, um número quase inacreditável para um supercarro contemporâneo. Cada grama economizada faz parte de um projeto que rejeita excessos, isolamentos artificiais e assistências desnecessárias.
No coração do P24 RS está um motor tão singular quanto o próprio carro. Trata-se de um V6 biturbo de 3.5 litros, batizado de PTC - Power To Choose. A proposta é simples e brilhante: permitir que o proprietário escolha entre três níveis distintos de potência. São 400 cv, 500 cv ou até 600 cv, com torque que pode chegar a impressionantes 800 Nm. Com isso, o Donkervoort alcança uma relação peso-potência próxima de 770 cv por tonelada, colocando-o em um patamar reservado a hipercarros - ainda que sem a pompa eletrônica que normalmente os acompanha.
Os números de desempenho refletem essa abordagem radical. O P24 RS ultrapassa facilmente os 300 km/h, e acelera de 0 a 200 km/h em cerca de 7.4 segundos. Mas, como costuma ocorrer nos carros da Donkervoort, os números são quase secundários. O foco está na forma como essa performance é entregue: sem filtros, sem anestesia, com cada reação mecânica claramente perceptível ao volante.
A engenharia do modelo é um verdadeiro laboratório sobre rodas. O conjunto de turbos foi desenvolvido em parceria com a holandesa Van der Lee, utilizando rolamentos de alta precisão para reduzir drasticamente o atraso de resposta. A refrigeração adota um sistema inovador de air coolers impressos em 3D, mais leves e eficientes que soluções convencionais. Já a estrutura central é construída com o chamado carbono EX-CORE, um módulo multifuncional que integra segurança, aerodinâmica, suspensão e refrigeração em uma peça de apenas 9 quilos.
Na condução, o P24 RS reafirma sua proposta purista. A transmissão é manual de 5 velocidades, com sistema de rev-matching para auxiliar reduções mais precisas, mas sem eliminar o envolvimento do condutor. A suspensão ativa permite ajustes finos de altura e rigidez, enquanto os freios da AP Racing - com opção de discos carbonocerâmicos - garantem desacelerações à altura do desempenho. Tudo foi calibrado para criar uma experiência direta, quase crua, onde o carro responde instantaneamente a cada comando.
Visualmente, o Donkervoort mantém sua identidade inconfundível. O nariz longo, a traseira compacta e as rodas expostas remetem tanto a carros de corrida clássicos quanto a esportivos artesanais modernos. O teto targa removível em fibra de carbono reforça o caráter emocional do modelo, enquanto um dado curioso quebra expectativas: o porta-malas oferece cerca de 298 litros, algo surpreendente para um carro tão radical - praticamente o espaço de um hatch compacto.
Como não poderia deixar de ser, a exclusividade é parte essencial da equação. O Donkervoort P24 RS 2027 terá produção limitada a 150 unidades, todas montadas à mão. O preço inicial gira em torno de 298.500 euros, antes de impostos e personalizações, garantindo ao modelo um lugar imediato entre os supercarros mais desejados - e raros - de sua geração.