ELEGÂNCIA E TÉCNICA DE BREMEN: BORGWARD ISABELLA (1959), O CARRO ALEMÃO QUE BRILHOU ANTES DA QUEDA
No final dos anos 1950, na Alemanha Ocidental em plena reconstrução econômica, a Borgward - empresa fundada por Carl F. W. Borgward em Bremen - vivia seu auge com o Isabella. Lançado em 1954 e já em sua fase madura em 1959, o Isabella era um dos carros médios mais avançados e elegantes da época, concorrendo diretamente com modelos da Opel, Ford Taunus e até Mercedes-Benz em certos segmentos. Em 1959, o modelo alcançava o pico de produção e refinamento antes dos problemas financeiros que levariam a empresa à falência em 1961.
O design do Isabella era moderno e harmonioso: linhas fluidas com toques de ‘ponte’ americana, grade frontal cromada generosa, faróis grandes integrados, para-lamas arredondados e uma silhueta equilibrada. Disponível principalmente como sedan de duas ou quatro portas, ele media cerca de 4.50 metros de comprimento, com entre-eixos longo que garantia conforto para cinco ocupantes. Havia também versões Coupé (2/2), Cabriolet e Combi (station wagon), todas fabricadas com qualidade superior. A carroceria monocoque era uma novidade para a marca e oferecia rigidez e leveza.
O motor era o confiável 1.493 cm³ inline-4 OHV, que em 1959 aparecia em diferentes regulagens:
- Versão base: cerca de 65 cv, ideal para uso familiar tranquilo.
- Versão TS (Touring Sport): 75 cv a 5.200 rpm, com carburador duplo ou melhorado, oferecendo desempenho mais vivo (velocidade máxima próxima de 150 km/h) e torque generoso em baixas rotações.
A transmissão era manual de 4 velocidades com alavanca na coluna (column-shift), tração traseira e suspensão independente nas quatro rodas (dianteira por triângulos e molas, traseira por eixo de torção ou molas helicoidais), o que conferia um comportamento confortável e estável para a época. Freios hidráulicos nas quatro rodas completavam o pacote técnico avançado.
Em 1959, o Isabella era visto como um dos carros mais bem construídos da Alemanha: interior refinado com materiais de qualidade, bom isolamento acústico e atenção aos detalhes. Era o carro ideal para a classe média-alta alemã - confortável para viagens longas, elegante para o dia a dia e com um toque de esportividade na versão TS.
Apesar do sucesso comercial (mais de 200 mil unidades produzidas no total), problemas financeiros, gestão familiar e concorrência feroz levaram ao fim da Borgward. Hoje, os Isabella de 1959 são clássicos muito apreciados, especialmente os Coupé e Cabriolet TS, por sua elegância, engenharia sólida e raridade crescente.
Um carro que representou o último grande suspiro de uma marca ambiciosa que ousou competir com os gigantes.