ESTA É A HISTÓRIA DO CITROËN AMI SUPER BREAK DE 1973
O Citroën Ami Super Break, lançado em janeiro de 1973, é um marco na história da Citroën, representando uma tentativa ousada de combinar a praticidade de um veículo familiar compacto com um desempenho mais robusto. Derivado do Ami 8, o modelo Super Break trouxe inovações técnicas significativas, mantendo a essência econômica e funcional que consagrou a linha Ami desde sua estreia em 1961.
Origens
A linha Citroën Ami foi concebida para preencher a lacuna na gama da marca francesa entre o econômico 2CV e o sofisticado DS. Lançado inicialmente como Ami 6 em 1961, o modelo se destacou pelo design peculiar, com um óculo traseiro invertido desenhado por Flaminio Bertoni, que maximizava o espaço interno sem comprometer o porta-malas. A versão Break, introduzida em 1964, tornou-se um sucesso comercial, superando as vendas do sedan devido à sua praticidade e versatilidade, com mais de 550.000 unidades produzidas até 1971.
Em 1969, o Ami 6 deu lugar ao Ami 8, que trouxe um design mais fluido, com uma janela traseira fastback (substituindo o óculo invertido) e melhorias estéticas e mecânicas. Contudo, o motor bicilíndrico de 602 cc do Ami 8, com apenas 35 cv, era considerado sem força, especialmente para um mercado que começava a demandar maior desempenho. Para atender a essa necessidade e aproveitar os estoques do motor de 1.015 cm³ do Citroën GS, a marca lançou o Ami Super em 1973, com a versão Break sendo uma das opções mais populares.
Características Técnicas
O Citroën Ami Super Break se diferenciava do Ami 8 por adotar o motor de 4 cilindros opostos (boxer) refrigerado a ar de 1.015 cm³, proveniente do Citroën GS. Este motor entregava 55 cv, quase o dobro da potência do Ami 8, permitindo uma velocidade máxima de cerca de 150 km/h, um salto significativo em relação aos 105 km/h do modelo base. A transmissão manual de 4 velocidades, agora com alavanca no assoalho (em vez do sistema ‘push-me, pull-you’ típico da série A), também era derivada do GS, assim como os freios a disco dianteiros e a suspensão reforçada.
O chassi foi reforçado para suportar o motor mais potente, e duas barras antirrolis foram adicionadas para melhorar a estabilidade, embora o carro ainda apresentasse um certo rolamento da carroceria em curvas. A direção foi suavizada, e os tambores traseiros de maior diâmetro, aliados a um sistema de freio de duplo circuito, garantiam maior segurança. Esteticamente, o Ami Super Break mantinha as linhas do Ami 8, com diferenças sutis, como uma grade frontal redesenhada, saídas de ar adicionais para refrigeração e o emblema ‘1015’ nas asas dianteiras.
O interior do Ami Super Break era funcional, com opções de acabamento Luxe e Confort (o acabamento Club, mais luxuoso, foi descontinuado em 1973). A versão Confort oferecia bancos dianteiros reclináveis, enquanto a Luxe mantinha bancos corridos. A praticidade do Break era reforçada pelo porta-malas amplo, ideal para famílias e uso comercial.
Desempenho e Recepção
O Ami Super Break foi projetado para oferecer o melhor equilíbrio entre preço e desempenho na gama Citroën. Comparado ao Ami 8, ele era significativamente mais ágil, com uma condução descrita como ‘nervosa, suave e agradável’. No entanto, a maior potência veio com um custo: o consumo de combustível era menos eficiente, com uma média de 12.5 km/l, podendo aumentar em uso urbano ou a altas rotações.
Apesar de suas qualidades, o Ami Super enfrentou desafios no mercado. Lançado no contexto da crise do petróleo de 1973, seu consumo relativamente alto era uma desvantagem em um período de crescente preocupação com a economia de combustível. Além disso, seu preço de 12.300 francos era apenas 15% inferior ao do Citroën GS (13.200 francos), que oferecia tecnologia mais avançada, como suspensão hidropneumática. Isso gerou um posicionamento confuso na gama, já que o Ami Super não se destacava o suficiente do Ami 8 em design, mas era muito próximo do GS em preço.
Produção e Legado
A produção do Ami Super, incluindo as versões sedan e Break, atingiu cerca de 44.820 unidades entre 1973 e 1976, sendo 19.222 unidades da versão Break. Embora as vendas iniciais fossem promissoras, elas caíram rapidamente, levando à descontinuação do modelo em 1976, com algumas unidades sendo vendidas até 1977 para esgotar os estoques.
Hoje, o Citroën Ami Super Break é valorizado como um clássico de nicho, especialmente entre colecionadores. Sua raridade, desempenho superior ao Ami 8 e a conexão com o DNA inovador da Citroën o tornam uma peça cobiçada. Um exemplar em bom estado de conservação pode valer cerca de 11.000 euros, com modelos a restaurar sendo mais acessíveis, mas raros. A simplicidade de manutenção e a disponibilidade de peças, herdadas da ampla produção da linha Ami, também contribuem para sua atratividade.
Curiosidades
Produção Global: Além da França, o Ami Super Break foi produzido em fábricas na Bélgica, Espanha (como Citroën Dynam) e Argentina (versão Break nas configurações Club e Elysée).
Conexão com o GS: O uso do motor e componentes do GS tornou o Ami Super uma espécie de ‘híbrido’ entre a simplicidade do Ami e a sofisticação do GS, um experimento ousado da Citroën.
Cultura Popular: A linha Ami, incluindo o Super Break, é celebrada por seu design excêntrico e pela acessibilidade, sendo carinhosamente chamada de ‘vilain petit canard’ (patinho feio) por alguns entusiastas.
O Citroën Ami Super Break de 1973 é um exemplo fascinante da engenhosidade da Citroën em reinventar seus modelos com soluções criativas. Apesar de sua carreira curta, marcada por um posicionamento desafiador e pelo impacto da crise do petróleo, o modelo deixou uma marca indelével como um carro familiar prático e com desempenho surpreendente para sua categoria. Para os amantes de clássicos, o Ami Super Break é uma joia que combina história, inovação e um charme único, refletindo o espírito ousado da Citroën nos anos 1970.