FERRARI F195 INTER GHIA COUPÉ (1950): O V12 QUE PAVIMENTOU O LUXO E CONSOLIDOU MARANELLO NO TOPO
Em outubro de 1950, no Salão de Paris, a Ferrari - ainda uma jovem marca de apenas três anos de produção automotiva - apresentou o F195 Inter, um grand tourer civilizado que evoluía diretamente do racer F195 S. Entre as carrocerias mais elegantes encomendadas pelos primeiros clientes abastados, destacava-se o Coupé assinado pela Carrozzeria Ghia de Turin: uma das 11 unidades (de um total de apenas 28 exemplares do F195 Inter produzidos entre 1950 e 1951) que Ghia vestiu com linhas limpas, grade imponente integrada ao capô elevado, para-lamas musculosos e um perfil harmonioso que equilibrava esportividade e refinamento.
O coração do carro era o lendário motor Colombo V12 de 60°, agora ampliado para 2.341 cm³ (aumento de bore de 60 para 65 mm, mantendo o curso de 58.8 mm). Na configuração de turismo - com um único carburador Weber 36DCF e compressão de 7.5:1 -, entregava cerca de 130 cv a 6.000 rpm e torque de 154 Nm a 5.000 rpm, suficiente para impulsionar os cerca de 950 kg do coupé a uma velocidade máxima de 180 km/h (alguns exemplares com triplo carburador aproximavam-se dos 170 cv do irmão esportivo). A transmissão manual de 5 velocidades - avançadíssima para a época -, suspensão dianteira independente por duplos triângulos, eixo traseiro rígido com molas semi-elípticas e freios a tambor nas quatro rodas garantiam estabilidade em alta velocidade e conforto para viagens longas, diferenciando-o dos puros competidores de pista.
O Ghia Coupé de 1950, frequentemente configurado como 2/2, exibia um interior luxuoso com bancos em couro, painel de instrumentos Jaeger e detalhes cromados que refletiam o status de seus donos - empresários, nobres ou pilotos amadores que viam na Ferrari o futuro do automóvel de elite. Enquanto Vignale dominava com 13 carrocerias e Touring com três, as criações de Ghia destacavam-se pela sobriedade elegante e pela grade frontal dominante, que influenciaria designs posteriores. Poucos exemplares participaram de corridas de GT, mas o F195 Inter provou ser versátil: capaz de cruzar continentes com refinamento ou enfrentar estradas sinuosas com graça.
Produzido em números pequenos - apenas 28 chassis numerados ímpares -, o F195 Inter representou o momento em que Enzo Ferrari consolidou sua marca como sinônimo de luxo acessível aos poucos privilegiados. A Ghia, uma das carrocerias mais raras (cerca de 11 unidades), adicionou um toque de exclusividade de Turin ao DNA de Maranello.
Hoje em dia, um Ferrari F195 Inter Ghia Coupé de 1950 continua a ser um tesouro: um V12 que ronca com suavidade aristocrática, linhas que envelhecem com dignidade e a prova de que a Ferrari, desde o início, soube unir performance, artesanato e emoção. Um grand tourer pioneiro que pavimentou o caminho para os ícones que viriam - e que ainda faz o coração bater mais forte ao lembrar que o luxo verdadeiro nasceu pequeno, mas com ambição infinita.