FERRARI F250 GT SWB COMPETIZIONE: O CARRO QUE REDEFINIU A EXCELÊNCIA
A Ferrari F250 GT SWB Berlinetta Competizione de 1960, com chassi número 2177 GT e na vibrante cor Giallo Modena, é um ícone da história automotiva, representando o auge da engenharia e do design da Ferrari na década de 1960. Este modelo, parte da lendária família Ferrari F250, é uma das versões mais celebradas da marca, combinando desempenho excepcional, estética atemporal e um legado de vitórias em competições.
A Ferrari F250 GT SWB (Short Wheelbase, ou entre-eixos curto) foi introduzida em 1959 no Salão de Paris, projetada para suceder a versão de entre-eixos longo (LWB). Com um chassi mais curto de 2.400 mm, o modelo oferecia maior agilidade e desempenho, ideal para competições e uso em estrada. Desenvolvida por uma equipe liderada por Giotto Bizzarrini, Carlo Chiti e o jovem Mauro Forghieri, a F250 GT SWB Berlinetta foi a primeira Ferrari GT a incorporar freios a disco nas quatro rodas, uma inovação significativa para a época. O motor era o consagrado V12 Colombo Tipo 125 de 3.0 litros, com cerca de 280 cv na versão Competizione, equipado com seis carburadores Weber 38 DCN e lubrificação por cárter seco, garantindo um desempenho excepcional.
A carroceria, projetada e construída pela Carrozzeria Scaglietti, era uma obra-prima de elegância e funcionalidade. A versão Competizione era voltada para corridas, com carroceria híbrida que combinava aço (para maior resistência) com portas e tampa do porta-malas em alumínio (para reduzir peso). O peso total do carro ficava em torno de 880 kg, o que, combinado com a potência do motor, proporcionava uma relação peso-potência impressionante.
Chassi 2177 GT: Especificações e História
O chassi 2177 GT é um exemplo fascinante da Ferrari F250 GT SWB Competizione, configurado especificamente para corridas, com características que a tornavam ideal para competições de montanha (hillclimbs) e outras provas. Este exemplar foi finalizado em 6 de setembro de 1960, quando seu chassi foi enviado à Carrozzeria Scaglietti para receber a carroceria. O motor V12, identificado pelo número interno 612F, foi concluído em 25 de outubro de 1960 e testado em dinamômetro dois dias depois, registrando uma potência de 243 cv a 7.500 rpm, um número notável para a época.
Pintado na marcante cor Giallo Modena, uma tonalidade vibrante que se tornaria sinônimo de esportividade e exclusividade da Ferrari, o 2177 GT foi entregue em 29 de outubro de 1960 ao seu primeiro proprietário, um Sr. Zimmerman, na Suíça, através da concessionária Italauto SA, de Lausanne, pertencente ao ex-piloto Emmanuel ‘Toulo’ de Graffenried. A escolha de uma carroceria em aço com portas e tampa do porta-malas em alumínio reflete a preferência dos pilotos suíços da época por veículos mais robustos, ideais para as exigentes competições de montanha, como a famosa Ollon-Villars.
Histórico de Competições
O chassi 2177 GT teve uma carreira competitiva significativa. Zimmerman, o primeiro proprietário, manteve o carro até 1962, quando o vendeu ao banqueiro e piloto amador Armand Boller, também da Suíça. Boller, que corria sob a bandeira da Scuderia Filipinetti, inscreveu o 2177 GT na competição de montanha Ollon-Villars em 25 de agosto de 1962. A configuração do carro, com molas mais rígidas, caixa de câmbio com engrenagens específicas para competições e uma relação de eixo traseiro de 8/32, era ideal para esse tipo de prova. Há especulações de que o lendário piloto Jo Siffert, futuro astro da Fórmula 1, pode ter pilotado o 2177 GT em um evento suíço, embora isso não tenha sido comprovado.
Em 1963, Boller adquiriu uma Ferrari F250 GTO e vendeu o 2177 GT para Walter Ringgenberg, um hoteleiro e entusiasta da Ferrari de Berna, que já possuía outros modelos da marca, incluindo outra F250 GT SWB Competizione (chassi 1771 GT). Ringgenberg continuou a competir com o carro em eventos locais. Em 1966, o 2177 GT foi levado aos Estados Unidos, onde foi pilotado por Robert Grossman no Mount Equinox Hillclimb. No ano seguinte, o carro passou para Dudley Cunningham, que o utilizou em eventos do Sports Car Club of America (SCCA). Em 1975, foi adquirido pelo historiador e autor de Ferrari Jim Riff, que restaurou o veículo, incluindo uma reconstrução do motor e uma repintura completa, revelando que o carro estava surpreendentemente intacto, sem danos significativos de acidentes, apesar de sua história de corridas. Em 1977, o 2177 GT conquistou o segundo lugar na classe em um concurso de elegância do Ferrari Club of America em St. Louis.
Legado e Importância
A Ferrari F250 GT SWB Competizione é um marco na história da Ferrari. O modelo venceu a classe GT no Campeonato Mundial de Construtores em 1961 e acumulou vitórias em eventos prestigiosos, como o Tour de France Automobile (1960, 1961 e 1962), a Targa Florio e as 24 Horas de Le Mans (vitórias de classe). Sua combinação de desempenho, leveza e design aerodinâmico, testado no túnel de vento da Universidade de Pisa, tornou-o um dos carros de corrida mais competitivos de sua era, rivalizando com modelos como o Jaguar E-Type e o Shelby Cobra.
O chassi 2177 GT, com sua história de competição e configuração bespoke, é um exemplo raro e valioso. Sua carroceria híbrida de aço e alumínio, combinada com a pintura Giallo Modena, destaca sua exclusividade. Hoje, os exemplares da F250 GT SWB Competizione são extremamente valorizados, com valores de mercado frequentemente superiores a 14 milhões de dólares em leilões, refletindo sua raridade (apenas 46 unidades com carroceria de alumínio foram produzidas, e ainda menos com configurações mistas como a do 2177 GT).
A Ferrari F250 GT SWB Competizione de 1960, chassi 2177 GT, na cor Giallo Modena, é mais do que um carro: é uma peça de história automotiva. Desde sua criação sob a supervisão de engenheiros lendários até sua carreira em corridas na Europa e nos Estados Unidos, este exemplar encapsula o espírito de competição e a excelência artesanal da Ferrari. Sua preservação e restauração ao longo das décadas garantem que ele continue a ser uma joia para colecionadores e entusiastas, um testemunho do legado da marca de Maranello.