FERRARI F365 GTB/4 DAYTONA COUPÉ: A ÚLTIMA GRANDE FERRARI CLÁSSICA DE MOTOR DIANTEIRO
Quando atravessamos a fronteira do tempo e visitamos à década de 1970, o romantismo curvilíneo dos anos 60 começa a dar lugar a uma estética mais musculosa e decidida, o símbolo máximo dessa transição atende por um nome lendário: Ferrari F365 GTB/4 Daytona Coupé
No final dos anos 1960, a Ferrari precisava reafirmar sua supremacia no segmento dos grandes gran turismo diante das crescentes investidas de marcas rivais, especialmente a Lamborghini. A resposta veio em 1968 com o F365 GTB/4, um automóvel que redefiniu o conceito de desempenho e presença para um GT de estrada. O apelido ‘Daytona’, embora nunca oficialmente adotado pela fábrica, surgiu como homenagem à histórica vitória da Ferrari nas 24 Horas de Daytona de 1967, quando ocupou os três primeiros lugares no pódio.
Desenhado pela Pininfarina, com carroceria construída pela Scaglietti, o Daytona Coupé apresentava linhas angulosas, fortes e extremamente modernas para a época. O longo capô horizontal, a dianteira afilada com faróis escamoteáveis (substituindo os conjuntos de acrílico dos primeiros exemplares) e a traseira truncada transmitiam potência e sofisticação em igual medida. Era um Ferrari que já falava a linguagem dos anos 70, sem romper totalmente com a tradição.
Sob o capô repousava o maior e mais potente motor V12 de estrada já produzido por Maranello até então: o V12 Colombo de 4.4 litros, com quatro árvores de comando no cabeçote - daí a designação GTB/4. Alimentado por seis carburadores Weber, entregava cerca de 352 cv, permitindo ao Daytona ultrapassar os 280 km/h, tornando-se um dos carros de produção mais rápidos do mundo em sua época.
A arquitetura mecânica com transmissão transaxle e suspensão independente nas quatro rodas garantia um equilíbrio dinâmico exemplar para um carro de grande porte e potência elevada. O Daytona exigia respeito ao volante, mas recompensava o condutor experiente com estabilidade impressionante e respostas precisas em altas velocidades.
O interior refletia o luxo esportivo típico da Ferrari do período: bancos envolventes em couro, painel amplo com instrumentação completa e uma atmosfera mais robusta e masculina do que a dos modelos anteriores. Era um carro pensado para cruzar continentes a velocidades altíssimas, com conforto e autoridade.
Produzido entre 1968 e 1973, o Ferrari F365 GTB/4 Daytona Coupé teve cerca de 1.280 unidades fabricadas, tornando-se um dos Ferrari V12 clássicos mais reconhecidos e desejados de todos os tempos. Ele marcou o fim de uma era: seria o último grande GT de motor dianteiro e V12 da Ferrari antes da marca migrar, ainda que temporariamente, para motores centrais em seus modelos de topo.
Apesar de sua aparência imponente, o Daytona foi originalmente concebido para substituir o refinado F275 GTB/4. Muitos clientes tradicionais estranharam seu visual agressivo no início, mas com o tempo ele se tornou um dos Ferrari mais admirados da história - a ponto de hoje ser considerado por muitos como o Ferrari clássico definitivo.