FERRARI F400 GT: O GRAN TURISMO QUE OUSOU SER ADULTO
O final dos anos 1970 foi um período em que o mundo ainda tentava se reencontrar depois da crise do petróleo, mas Maranello insistia em manter viva a tradição dos grandes gran turismos com 12 cilindros na dianteira. A Ferrari, mesmo pressionada por tempos difíceis, não abriu mão da elegância, da velocidade e daquele charme aristocrático tão particular da marca. É nesse cenário que nasce o Ferrari F400 GT.
Quando o F400 GT surgiu, sucedendo o 365 GT4 2/2, muita gente enxergou nele algo que ainda era raro no universo ferrarista: maturidade. A linha F400 representava uma Ferrari para quem queria cruzar países, não necessariamente circuitos; para quem valorizava couro macio, clima silencioso e conforto sem abrir mão do ronco inconfundível de um V12 Colombo - agora ampliado para 4.8 litros. Era a Ferrari do empresário elegante, do diplomata apressado, do bon vivant que preferia viagens longas às curvas de Fiorano.
O design, assinado por Pininfarina, seguia a estética retangular e limpa típica da década: faróis retráteis, linhas horizontais austeras e um perfil que misturava nobreza e discrição. Nada de ousadia gratuita - o F400 GT era um carro que dizia “eu tenho” sem precisar provar nada.
Debaixo do capô, o motor V12 de 4.823 cm³, alimentado por seis carburadores Weber, entregava cerca de 340 cv, permitindo que o gran turismo chegasse aos 240 km/h com a suavidade de quem está apenas aquecendo os pistões. Era uma Ferrari de comportamento civilizado, mas ainda assim uma Ferrari legítima. E um detalhe histórico curioso: o F400 GT tornou-se o primeiro modelo da marca a oferecer transmissão automática, embora muitos entusiastas preferissem a versão manual - mais rara e mais valorizada hoje.
O interior era um verdadeiro lounge italiano sobre rodas. Couro Connolly por todos os lados, acabamento esmerado e um painel que parecia ter saído de um iate de luxo. Nada era exuberante demais - mas tudo era requintado. A proposta era clara: um gran turismo para viagens continentais, capaz de levar quatro ocupantes (ainda que os dois traseiros precisassem de boa vontade) com conforto e classe.
Apesar de nunca ter sido o Ferrari mais celebrado em sua época, o F400 GT ganhou status cult nas últimas décadas. Hoje, colecionadores apreciam sua discrição aristocrática, sua coragem de enfrentar um período conturbado e, claro, a experiência única de guiar um V12 dianteiro da velha guarda - algo que a Ferrari praticamente já não faz.
O Ferrari F400 GT apareceu em diversos filmes e séries dos anos 1980, muitas vezes como o carro do magnata, do embaixador ou do ‘villain elegante’. Poucos modelos representaram tão bem o luxo europeu daquela era.