FERRARI GUIDA TOURING SPORT: O TESTAROSSA TARGA QUE A CASA DE MARANELLO SONHOU - MAS NUNCA PRODUZIU
Em um mundo onde os clássicos da Ferrari são reverenciados como relíquias intocáveis, o estúdio holandês Niels van Roij Design ousou reescrever a história. Apresentado no prestigiado Concours d’Élégance Mariënwaerdt, na Holanda, entre 12 e 14 de setembro, o Guida Touring Sport (GTS) é a materialização de um sonho proibido: uma versão targa do icônico Ferrari Testarossa de 1987. Com 3.000 horas de engenharia meticulosa, este one-off transforma o coupé berlinetta em um conversível aberto, sem comprometer as linhas puras que definiram os anos 1980. É o Testarossa que a Ferrari nunca ousou criar - e, ironicamente, batizado com um nome que evita os holofotes da casa de Maranello.
Uma Visão que Nasceu de uma Paixão Incontrolável
O projeto surgiu do desejo de um entusiasta britânico radicado em Andorra, fã incondicional do Testarossa, que sempre sonhou com uma versão targa - algo que a Ferrari descartou na época por considerar “tecnicamente desafiador” alterar a estrutura rígida do coupé. Niels van Roij, o visionário por trás do estúdio homônimo, aceitou o desafio. Fundado na tradição do coachbuilding europeu, o ateliê holandês é conhecido por projetos excêntricos, como o FIAT Panda 4x4 luxuoso e o Breadvan Hommage baseado no Ferrari F550 Maranello. Desta vez, o foco foi em uma abordagem ‘OEM’ - filosofia de design original do equipamento - para que o GTS parecesse saído diretamente das linhas de produção de Maranello.
O carro doador, um Testarossa europeu de 1987, manteve intacto seu coração pulsante: o motor V12 de 4.9 litros, aspirado, com cerca de 380 cv, que ronca com a ferocidade de um leão dos anos 80. Não houve upgrades mecânicos sob o capô, preservando a essência original, mas a estrutura recebeu reforços extensivos para compensar a remoção do teto fixo. Reforços nos vãos das portas, vigas transversais sob o chassi, no túnel de transmissão e até sob o painel garantem rigidez torcional, enquanto o teto targa removível - inspirado nos grandes tourers italianos - permite uma experiência ao ar livre sem distorcer o perfil icônico, com suas entradas de ar laterais e silhueta alongada.
Design: Elegância Clássica Encontra Inovação Discreta
Visualmente, o Guida Touring Sport é uma obra de sutileza. As mudanças são mínimas, mas impactantes: o teto bipartido se remove com elegância, revelando um cockpit aberto que homenageia os GTs italianos de outrora. O exterior preserva o vermelho vibrante e as proporções dramáticas do Testarossa, com painéis de fibra de carbono e alumínio trabalhados à mão para manter a leveza. Internamente, o couro premium e os detalhes cromados evocam luxo atemporal, enquanto o nome ‘Guida Touring Sport’ - uma piscadela aos conceitos de grand tourer - serve como escudo legal, evitando qualquer associação direta com a Ferrari.
Para celebrar o lançamento, van Roij foi além: encomendou um terno sob medida que espelha o carro em detalhes, do tecido texturizado ao corte impecável, simbolizando a artesania que permeia o projeto. “O GTS exemplifica nossa dedicação em empurrar os limites do design automotivo, pagando tributo à rica história de um dos esportivos mais celebrados de todos os tempos”, declarou o estúdio em comunicado oficial.
Um One-Off que Pode Inspirar Mais?
Embora o Guida Touring Sport seja único - sem planos para produção em série, a menos que uma ‘super oferta’ chegue -, ele reacende o debate sobre o futuro dos clássicos modificados. Em uma era de hipercarros elétricos e regulamentações rigorosas, projetos como este do Niels van Roij Design lembram que o coachbuilding ainda pulsa, transformando relíquias em sonhos personalizados. O carro, de propriedade privada, já atrai olhares de colecionadores globais, e sua estreia no Mariënwaerdt - um evento que celebra a elegância sobre rodas - foi um sucesso, com entusiastas aplaudindo a ousadia holandesa.
Quarenta anos após o lançamento do Testarossa no Salão de Paris de 1984, o GTS surge como um capítulo perdido, provando que a inovação pode respeitar o legado. Para os puristas da Ferrari, é uma heresia deliciosa; para os visionários, um farol de possibilidades. Se Maranello aprovaria? Isso, só o tempo - e talvez um futuro one-off - dirá.