FERRARI: UMA MARCA QUE JÁ VALE MAIS QUE A GENERAL MOTORS E A FORD
A atual crise provocada pela pandemia do COVID-19 nublou o futuro de muitos fabricantes de automóveis. De fato, a grande maioria deles foi obrigada a parar suas fábricas durante várias semanas ou mudar a produção de carros para respiradores e máscaras para dar sua contribuição para a crise. Parece que o pior já passou, de fato, marcas como a Ferrari já começaram a retomar pouco a pouco as atividades em suas fábricas. No entanto, esta nova realidade que se abre agora e que será um pouco diferente do habitual faz com que muitos vejam um futuro incerto.
Mas como é habitual inclusive nas crises, há empresas que não parecem sofrer as consequências, pelo menos nem tanto como as demais, e a Ferrari é sem dúvidas o melhor exemplo. Apesar da situação atual, da parada de sua produção e o fato de que sua escuderia ainda continue esperando em casa o início de uma estranha temporada de Fórmula 1, a casa de Maranello anunciou na semana passada que suas vendas no primeiro trimestre de 2020 cresceram 4.9% em relação ao primeiro trimestre de 2019. Um número melhor do que o esperado e que significou um lucro líquido de 166 milhões de euros dentro de vendas líquidas de 932 milhões de euros no total.
Após o anúncio destes bons resultados, a euforia chegou à bolsa de valores, e na segunda-feira passada pela manhã as ações da Ferrari subiram até 7%, deixando a marca italiana com um valor no mercado de 30.1 bilhões de dólares, que no fechamento ficaram em igualmente impressionantes 29.8 bilhões de dólares.
Evidentemente é muito dinheiro, mas para se ter uma ideia do que isto significa realmente, podemos colocar como referência gigantes automobilísticos como General Motors e Ford Motor Company, empresas com várias marcas e um volume de produção de vários milhões de carros ao ano que com um valor na bolsa de valores de 29.3 e 19.2 bilhões de dólares respectivamente, estão atualmente à sombra de uma única marca que produz apenas 10.000 carros por ano. De fato, talvez o mais chamativo seja que inclusive a FCA, empresa cujos controladores são os mesmos da Ferrari e o terceiro gigante de Detroit junto com GM e Ford, também vale atualmente menos que a Ferrari, 13 bilhões de dólares. Desde que a Ferrari se tornou independente da FCA em 2015, o valor do grupo caiu enquanto o da marca triplicou.
Entretanto, nem tudo são boas notícias para a marca italiana. O CEO da Ferrari, Louis Camilleri, advertiu que apesar de tudo foram feitos vários cancelamentos de pedidos procedentes dos Estados Unidos e Austrália, mas por enquanto parece que as luzes vermelhas não brilharam, segundo assinalou a marca aos seus investidores.
A parte mais afetada, no entanto, foi a relacionada com as receitas comerciais e de patrocínio, que foram reduzidos significativamente, especialmente com a suspensão temporária da temporada da Fórmula 1, que reduziu as contas da Scuderia Ferrari. De fato, a equipe de corridas teve que recalcular suas previsões diante da redução do número de corridas que serão realizadas este ano.
Assim, de acordo com seu último relatório, o pior para a Ferrari virá neste segundo trimestre de 2020, com a parada de sua fábrica nestas semanas e também a interrupção da atividade nos circuitos com a consequente queda de receitas. Além disso, a marca revisou sua estratégia para todo este ano com o objetivo de manter uma sólida demanda durante o resto de 2020 e enfrentar os próximos trimestres certamente com um pouco mais de otimismo. Por enquanto a Ferrari começou a retomar as atividades em sua fábrica com novas medidas para evitar contágios pelo coronavírus. Desde o dia 8 de maio já operam a pleno vapor.