FIAT PUNTO GRAMA 2 MAGGIORA: O PUNTO COM ALMA DE LANCIA DELTA INTEGRALE
Trata-se de um desses carros que foi fruto de um grupo de entusiastas que teve a oportunidade de criar um carro único e especial, e aproveitou a ocasião. Esta é a história do Fiat Punto Grama 2 Maggiora de 1994, um veículo criado especificamente e que tratava de reviver a alma do lendário Lancia Delta HF Integrale, um campeão do Mundial de Rallys que neste mesmo ano colocava o ponto final em sua produção depois de 14 anos na ativa.
Este capítulo específico dos livros de história do automóvel envolve um dos encarroçadores de maior trajetória da Itália, a Maggiora; a Fiat, que preparava a produção da primeira geração do Punto; e a Lancia, que finalizava os detalhes para encerrar a produção do icônico Delta e que, sem saber, assinava sua lenta e agonizante morte como fabricante, depois de conseguir seis Campeonatos de Construtores consecutivos do Mundial de Rallys entre 1987 e 1992.
O Fiat Punto Grama 2 Maggiora de 1994 é, provavelmente, um dos últimos carros criados na época da excentricidade, justamente antes da chegada à indústria automobilística de uma era de racionalidade. Sua história começa na primeira metade da década de 90 do século passado, quando a Fiat entrega a planta de produção de Chivasso ao encarroçador Maggiora, que devia encarregar-se da montagem dos dois últimos anos de vida do Delta HF Integrale antes de preparar a fábrica para a produção dos Fiat Punto e Barchetta, que devia começar em 1995.
Dada a importância que o Delta teve para Lancia e à própria Fiat, a Maggiora decide jogar suas próprias cartas e criar um one-off que combinava o powertrain do Integrale com a carroceria de um pequeno Punto GT. Este louco projeto, no entanto, enfrentava a todo tipo de desafios, que incluía uma Fiat que não estava disposta a participar no Campeonato do Mundo de Rallys e muito menos levar à produção semelhante veículo.
O conhecido mais tarde como ‘Puntograle’ tomava como base a plataforma e o powertrain do Lancia Delta HF Integrale, um chassi que media 30 centímetros a mais que a carroceria do Fiat Punto. Para consolidar este casamento foi necessário modificar completamente a carroceria do utilitário italiano. A largura das bitolas não coincidia, por isso que foram implementados novos para-lamas nas quatro rodas que adicionavam centímetros extra de largura a cada lateral. Neles, também se alojavam entradas de ar que ajudavam a levar ar fresco para esfriar o sistema de freios.
Mas o comprimento do chassi continuava sendo um obstáculo. Longe de modificar o chassi, o pessoal da Maggiora decidiu cobrir os excessos com para-choques excessivamente sobredimensionados. Assim, a partir da parte frontal havia um para-choque com uma grande entrada de ar central e mais duas de cada lado, assim como um par de faróis duplos auxiliares e gêmeos integrados. E na traseira, um grande para-choque com uma tela integrada e uma saída de escape do lado direito cobriam o excesso de chassi.
Além disso, estes não foram os únicos condimentos com os quais o projeto foi temperado. Por exemplo, a traseira contava com um pequeno aerofólio que continuava a linha plana do teto, assim como um segundo spoiler instalado debaixo do vidro vigia posterior. Os pilares C foram cobertos com molduras que simulavam uma maior largura e todo o conjunto estava acertadamente arrematado com um conjunto de rodas Speedline de 17 polegadas acabadas na cor prata que prestavam tributo ao Lancia Delta, calçadas com pneus Pirelli P Zero na medida 205/45.
O Punto Grama 2 Maggiora não só portava orgulhoso o chassi do Lancia Delta HF Integrale, mas o motor deste projeto também seria o coração de um campeão. Localizado no eixo dianteiro, um motor de 2.0 litros sobrealimentado com 165 cv de potência. Esta unidade pertencia aos primeiros Delta turbo lançados em 1986 junto a um sistema de tração nas quatro rodas.
Algumas publicações da época indicavam que o motor de quatro cilindros em linha entregava 175 cv de potência e um torque máximo de 270 Nm. Outros asseguravam que a adaptação da carroceria ao chassi da Lancia, junto com alguns retoques de engenharia na medida, teria permitido que o carro abrigasse o motor do Delta HF Integrale 16V com mais de 200 cv de potência, mas o seu desempenho já era mais que suficiente para um carro do seu tamanho.
Seja como for, essa combinação teria permitido que o Punto com alma de Integrale alcançasse uma velocidade máxima próxima aos 220 km/h graças a uma transmissão de relações curtas e ao seu sistema de tração total, enquanto que era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em pouco mais de 7 segundos.
Uma vez terminado, o Fiat Punto Grama 2 Maggiora foi mostrado primeiro diante de um grupo seleto de pessoas, entre os quais se incluíam vários proprietários de alguns Delta HF Integrale, e mais tarde foi apresentado ao público em geral no Salão de Turin de 1994. Embora o carro não tivesse sido concebido pela Maggiora como um veículo de produção, a verdade é que a Fiat chegou a considerar sua fabricação devido à recepção que teve o modelo, e inclusive a opção de levá-lo aos rallys como o substituto do recém-aposentado Lancia Delta.
Mas isto finalmente não aconteceu. O fabricante italiano se negou a passar ao nível seguinte com o ‘Puntograle’, cancelando qualquer opção de produção ou de lançar um modelo de corridas, e o único exemplar já fabricado foi guardado em uma garagem durante anos. Algum tempo depois, foi colocado à venda e desde então acredita-se que tenha passado por diferentes mãos até perder-se sua pista. Sem dúvidas, o Punto Grama 2 by Maggiora foi um dos carros mais radicais criados na década de 1990.