FORD ESCORT RS MEXICO 1600 GT MK1 (1972): O ESPÍRITO DOS RALLYS EM ESTADO PURO
No início da década de 1970, poucos nomes evocavam tanto entusiasmo nas estradas e nas pistas quanto o Ford Escort. Compacto, leve e incrivelmente competente, ele rapidamente se tornou uma das armas favoritas da divisão europeia da Ford Motor Company nas competições internacionais. Entre as muitas versões especiais que surgiram desse sucesso, nenhuma carregava um significado tão simbólico quanto o Escort RS Mexico 1600 GT Mk1 de 1972 - um automóvel criado para celebrar a vitória e transmitir ao público comum a essência dos rallys.
A origem do RS Mexico está diretamente ligada a um dos momentos mais gloriosos da Ford no automobilismo. Em 1970, um Escort especialmente preparado venceu a lendária e brutal corrida Londres-Cidade do México, um evento que atravessava continentes, desertos e montanhas ao longo de mais de 25.000 quilômetros. Essa vitória não foi apenas uma conquista esportiva, mas uma demonstração inequívoca da robustez, confiabilidade e capacidade dinâmica do Escort.
Para comemorar esse triunfo, a Ford decidiu criar uma versão especial de produção que levasse esse espírito diretamente às ruas. Assim nasceu o Escort RS Mexico.
Produzido na histórica fábrica de AVO (Advanced Vehicle Operations) em Aveley, na Inglaterra, o RS Mexico era muito mais do que um Escort convencional com aparência esportiva. Ele foi cuidadosamente desenvolvido para oferecer desempenho e comportamento dinâmico genuinamente superiores.
Visualmente, o RS Mexico mantinha as linhas limpas e compactas do Escort Mk1, mas incorporava elementos que o distinguiam claramente. A carroceria de duas portas apresentava postura mais agressiva, reforçada por rodas esportivas, suspensão elevada em relação ao RS 1600 (para refletir sua inspiração no rally) e detalhes como faixas decorativas laterais e o emblema ‘Mexico’ nas portas.
Sua aparência transmitia funcionalidade e propósito. Não havia excessos - apenas o necessário para um verdadeiro carro de competição adaptado para as ruas.
Sob o capô encontrava-se um dos motores mais respeitados da Ford na época: o Kent Crossflow de 1.598 cm³, um bloco de 4 cilindros em linha robusto e eficiente. Na versão RS Mexico, ele produzia cerca de 86 cv. Embora esse número possa parecer modesto, o segredo estava no peso extremamente baixo do veículo - pouco mais de 800 kg. Essa combinação proporcionava desempenho ágil e respostas imediatas.
Mais importante ainda era o chassi. O RS Mexico utilizava a mesma estrutura reforçada do RS 1600, incluindo suspensão dianteira independente com molas e amortecedores recalibrados e eixo traseiro rígido com excelente controle. Essa configuração tornava o carro extremamente comunicativo e previsível.
Ao volante, o Escort RS Mexico oferecia uma experiência visceral e envolvente. A direção era direta, o carro reagia imediatamente aos comandos e sua leveza tornava cada curva uma experiência dinâmica e divertida. Era um carro que recompensava o condutor habilidoso, oferecendo controle total e sensação mecânica pura - características que o tornaram favorito entre entusiastas e pilotos amadores.
O interior refletia sua vocação esportiva. Bancos com melhor suporte lateral, volante esportivo e instrumentação clara criavam um ambiente voltado à condução ativa. Não era um carro luxuoso, mas sim um instrumento de precisão.
O RS Mexico também se destacou nas competições, participando de inúmeros rallys nacionais e internacionais, onde sua robustez e agilidade o tornaram altamente competitivo.
Como curiosidade histórica, o nome ‘Mexico’ não fazia referência ao mercado de destino, mas sim à vitória na corrida Londres-México de 1970 - um dos eventos mais desafiadores já realizados no automobilismo.
Produzido entre 1970 e 1975, o Escort RS Mexico Mk1 tornou-se uma lenda instantânea. Ele representava a democratização do automobilismo, permitindo que condutores comuns experimentassem um automóvel com DNA genuíno de competição.
Hoje, o Ford Escort RS Mexico 1600 GT Mk1 de 1972 permanece como um dos ícones mais queridos da história automotiva europeia. Ele não era o mais potente, nem o mais luxuoso - mas era, sem dúvida, um dos mais autênticos. Um verdadeiro herdeiro das pistas, nascido da poeira, da resistência e da vitória.