FORD TERÁ UM MODELO 100% AUTÔNOMO EM 2021
A Ford trabalha naquilo que será a maior revolução do transporte privado desde a produção do Model T. Lembrando que na CES de Las Vegas de 2015, o fabricante anunciou suas intenções de ser o líder em veículos autônomos, conectividade e tecnologia. No início deste ano inaugurou um centro tecnológico em Silicon Valley com um plantel de 125 engenheiros e pesquisadores.
Mas as ambições da Ford nesses campos não são exatamente novas. Só em carros autônomos a Ford já vem trabalhando há uma década. Até então os carros autônomos eram muito confusos, se desorientavam com facilidade, e eram basicamente carros cheios de computadores e sensores enormes que podiam circular sem condutor em locais fechados ao tráfego. Atualmente os protótipos são capazes de mover-se no tráfego, embora um condutor humano acompanhe tudo.
O passo seguinte em condução autônoma será um modelo que não necessite de um condutor humano para nada, ou seja, um Nível 4 de automatização segundo a SAE. Para que isso seja possível, os carros deverão ser testados e programados para qualquer tipo de cenário e condição meteorológica, já que não terão o coringa do condutor humano.
As primeiras gerações desses veículos serão muito caras, pois necessitam de muitos sensores, hardware especializado e muito dinheiro em desenvolvimento. Portanto, para que sejam acessíveis, os fabricantes pensaram no uso compartilhado. Em outras palavras, serão como taxis, dando voltas e levando gente de um lugar a outro, para que o negócio seja viável. Isso será uma realidade em 2021.
Mais tarde fará sentido adquiri-los, para levar pessoas que não tenham a capacidade de conduzir pela idade avançada ou para levar crianças ao colégio, por exemplo. Sua popularidade virá com os anos, quando a produção massiva de componentes de condução autônoma permita preços razoáveis. Até então, a fórmula do compartilhamento prevalecerá.
A Ford trabalha com várias empresas especializadas, universidades, centros tecnológicos, etc. Acabam de anunciar quatro colaborações com empresas que contribuirão com o sonho do carro autônomo:
- Velodyne: fornecedor de sensores LiDAR (Light Detection And Ranging) que pesquisam com a Ford para popularizar essa tecnologia
- SAIPS: é uma empresa israelense especializada em visão computadorizada e algorítmica. O objetivo é que os carros ‘vejam’ e ‘aprendam’ sobre si mesmos;
- Nirenberg Neuroscience LLC: empresa neurocientífica que trabalha exclusivamente para a Ford em visão artificial, tanto para pessoas como para veículos;
- Civil Maps: empresa pioneira na criação de mapeamento tridimensional em que a Ford investiu. O objetivo é que os carros mapeiem o mundo e possam orientar-se nisso, mesmo que os sinais convencionais tenham desaparecido.
Todas estas associações - e as muitas outras que virão - aproximam a Ford de conseguir os objetivos ambicionados. A competição está muito acirrada. A Tesla e a Mercedes-Benz já têm na rua carros que em determinadas condições, podem ser conduzidos sozinhos, sob a supervisão de um humano. Os sistemas estão sendo aprendidos conforme são usados, e vão sendo aperfeiçoados. A Ford quer um sistema 100% autônomo que não dependa de humanos, não servirá se estiver só em 98%. Tecnologicamente é um desafio hercúleo.
Os engenheiros de Palo Alto trabalham em muitas frentes: interface homem/máquina (design de painéis, controles de voz), simuladores de condução, conectividade exterior, experiência de usuário, assistências à condução, etc. Os carros deixaram de ser simplesmente carros.
No final de 2017 estarão trabalhando em Palo Alto mais de 250 engenheiros e pesquisadores. A Ford conta que o desenvolvimento de tecnologias e serviços esteja acelerando por estar em um centro tão importante de inovação como é Silicon Valley. Atualmente trabalha com 40 empresas tecnológicas inovadoras ou start-ups.
Mas Palo Alto é somente um dos mais de 10 centros que a Ford tem espalhados pelo mundo para pesquisa, inovação, informática e engenharia, simplesmente tudo o que há de mais moderno. O futuro do automóvel está batendo na porta, já está aqui.