FORD TORINO KING COBRA: A RESPOSTA DA FORD AO DODGE CHARGER DAYTONA E AO PLYMOUTH ROAD RUNNER SUPERBIRD NA NASCAR
O Ford Torino King Cobra Prototype de 1970 foi a resposta da Ford aos novos monstros da NASCAR, o Dodge Charger Daytona e o Plymouth Road Runner Superbird. No final dos anos 60 a Ford dominava a NASCAR graças ao Torino Talladega, vencedor em 1968 e 1969, mas com a chegada do novo conceito aerodinâmico apresentado pelos afilados modelos da Chrysler, a marca do oval azul viu-se em grandes apuros, e teve que desenvolver rapidamente um forte rival para poder encarar o Dodge e o Plymouth.
No entanto, exatamente nesse momento se modificava a norma das Sprint Series e para poder homologar um modelo, passaram de 500 para 3.000 unidades o volume de produção necessário. O que fez com que a Ford repensasse o projeto, e terminasse abandonando o seu desenvolvimento, mas deixando três exemplares remanescentes.
Foram fabricados três protótipos do espetacular Torino King Cobra, com o motor do Mustang Boss 429 e um projeto aerodinâmico, que permitia gerar altos valores de carga aerodinâmica na pista. Dos três exemplares, acredita-se que existem somente dois hoje em dia, um exemplar amarelo conservado em um museu e o vermelho que podemos ver nas imagens.
Esse exemplar agora está nas mãos da RK Motors Charlotte, que está oferecendo o carro por 459.000 dólares, um preço bastante elevado, mas levando em conta a raridade do modelo, poderia ser até mais alto.
As modificações efetuadas pela Ford em relação ao Torino original não foram poucas. Como podemos ver, toda a parte dianteira é nova, não simplesmente uma simples modificação, surgindo curiosos faróis com uma tampa retrátil e novos arcos das rodas. Na vista lateral, do pilar A até a traseira, aparecem os habituais painéis do Torino base.
Na traseira também houve modificações, o para-choque cromado é um pouco mais estreito e está posicionado um pouco mais alto, as lanternas traseiras passaram a ser horizontais e na parte superior surge um pequeno spoiler fixo.
À primeira vista o resultado é um modelo bem diferente do Torino original. Lamentavelmente, a Ford não era uma marca que dedicava muitos esforços nas competições oficiais, portanto, decidiram matar o projeto antes do tempo e o modelo nunca chegou às ruas. O que torna esses dois exemplares em peças muito raras, não só pelo fato de serem muito poucos, mas por terem sido fabricados pela própria Ford e não por uma das equipes ou preparadores habituais que se encarregavam de suas versões de competição, como a Kurtis Kraft e a Shelby.
Esse exemplar em particular não foi uma simples peça de museu, pois conta com uma quilometragem bastante extensa para ser uma joia de coleção. Seu motor Boss 429 V8 de 7.0 litros entrega 700 cv e já acumula cerca de 70.000 quilômetros de uso, no entanto, ser estado é excelente e se nota que foi submetido a muitos cuidados nesses 45 anos.