FUTURO DA BUGATTI É INCERTO
A necessidade de a Volkswagen cortar seus custos considerados desnecessários ou não essenciais, para arcar com os custos do recall de milhões de automóveis do Grupo alemão com o motor EA189, poderá ter como primeiro efeito, a suspensão do desenvolvimento do sucessor do Bugatti Veyron.
A eclosão do escândalo relativo à manipulação das emissões de gases nos modelos equipados com o motor diesel do tipo EA189, equipados com um software que lhe permitia ativar o controle das emissões de NOx quando estavam em fase de testes e desativá-lo em uma condução normal, obrigará a um plano de recall de 9.5 milhões de unidades, de acordo com as mais recentes estimativas do novo presidente da Volkswagen, Matthias Müller. O executivo reconsiderou a previsão inicial de 11 milhões de veículos, considerando que alguns dos modelos já terão saído de circulação por diversos fatores.
Para enfrentar os custos e potenciais indenizações a pagar, a Volkswagen já reservou 6.5 milhões de euros, mas esse valor não será suficiente, portanto, o grupo terá que cortar ainda mais os projetos considerados supérfluos ou ainda em uma fase muito embrionária.
De acordo com esse cenário, o desenvolvimento do novo Bugatti, chamado em princípio de Chiron, poderá ser um dos projetos suspensos, pois seu custo é relativamente alto. Ainda mais levando em conta que em cada Veyron produzido anteriormente, a marca perdia cerca de 4,5 milhões de euros. Desta forma, trata-se de um projeto financeiramente arriscado em uma fase em que o Grupo Volkswagen necessita policiar suas despesas com o caso das emissões.
Por enquanto ainda nada foi informado publicamente sobre o assunto, mas as decisões internas referentes aos cortes no Grupo já devem ter sido tomadas. No caso da Bugatti, a marca francesa apresentou em Frankfurt um novo concept, o Vision Gran Turismo, que embora destinado ao jogo Gran Turismo 6, revela alguns dos detalhes estéticos que o sucessor do Veyron poderá adotar, caso avance para a produção nos próximos meses.
A imprensa especializada internacional aponta ainda que uma das hipóteses poderá ser a venda da marca francesa, que seria uma medida extrema para aliviar os custos pesados da resolução dos problemas com o caso dos motores diesel em todo o mundo.
Em seu discurso do dia 7 de outubro perante os empregados na sede da empresa em Wolfsburg, na Alemanha, Müller disse que “vamos rever todos os investimentos previstos e aquilo que não for absolutamente vital será cancelado ou suspenso. Vou ser muito claro: não será um processo indolor”.
As medidas de cortes poderão passar também por medidas tomadas nas diversas fábricas espalhadas pelo mundo e pela redução de investimentos em patrocínios esportivos.