HONDA/ACURA NSX: 10 RADIADORES E UMA GESTÃO PERFEITA DO AR
Nos anos 70 os fabricantes de automóveis começaram a aplicar a dinâmica dos fluidos na produção dos carros de rua. Hoje em dia a aerodinâmica tornou-se um elemento essencial nos carros, a tal ponto que as marcas brigam entre si para ter os carros mais aerodinâmicos do mercado. Mas a aerodinâmica não só reduz a resistência ao ar, como sua correta gestão pode servir para vários objetivos, como mostra o novo Honda/Acura NSX.
Esse conceito é chamado de gestão do fluxo aerodinâmico. Os superesportivos já levam décadas empregando o ar a seu gosto e à sua necessidade, pois são eles os que mais devem aproveitá-lo. Mas como indica Newton, toda força tem sua reação oposta, sendo que da mesma forma que para algumas coisas o ar beneficia, para outras ele prejudica.
Os conceitos baseiam-se nos mesmos princípios que orientam a Fórmula 1. Gerar uma maior quantidade de carga aerodinâmica favorece o rendimento e a condução, no entanto, penaliza a velocidade máxima e o consumo. E pelo contrário, se reduzimos a resistência ao ar, a velocidade e o consumo se beneficiam, mas a dirigibilidade piora consideravelmente.
Portanto, a questão é: como conseguir a melhor gestão do ar? Pois essa mesma pergunta fizeram os engenheiros encarregados de desenvolver o novo Honda/Acura NSX. Uma tarefa difícil que foi engrandecida pelo complexo sistema híbrido com quatro motores que se encarregam de impulsionar o novo superesportivo da Honda.
Para se ter uma ideia, o uso contínuo de um aparelho celular, faz com que este esquente. Pois bem, agora imagine o imenso calor que pode gerar um motor V6 de 3.5 litros, três motores elétricos, uma transmissão de nove velocidades e uma unidade de distribuição de alto rendimento. Um forno que pode trazer sérios problemas.
Para conseguir que o NSX utilizasse o ar em seu favor, seja para gerar carga aerodinâmica, para reduzir a resistência ao ar ou para refrigerar os componentes mecânicos, os engenheiros da Honda tiveram que praticamente redefinir os conceitos da dinâmica de fluidos. Muitas horas de simulação e testes realizados em túneis de vento de última geração.
As primeiras fases foram realizadas no centro de desenvolvimento da Honda em Ohio, nos Estados Unidos. Maquetes em escala foram submetidas a duras provas e adaptadas para conseguir tais fins. Finalmente foi no Japão, já com unidades em tamanho real, onde se terminou de acertar os últimos detalhes.
Por último, e para garantir uma refrigeração completa, o Honda/Acura NSX foi equipado não com um nem com dois radiadores, mas com 10. Os principais localizados no nariz e os secundários distribuídos por toda a carroceria. E tudo isso sem que a resistência ao ar fosse diminuída, e portanto sem alterar se rendimento e desempenho.
Todo esse trabalho se traduz em números impressionantes. São 573 cv de propulsão híbrida, uma aceleração de 0 a 100 Km/h em três segundos exatos, e uma velocidade máxima de 300 Km/h.