INVESTIDORES DA FIAT NÃO QUEREM A FUSÃO COM A CHRYSLER
Tempos complicados para Sérgio Marchionne, que depois de ter que lidar com o projeto de fusão com a VW, que apesar de desmentido ainda continua no ar, agora precisa encarar a oposição dos acionistas em relação à fusão com a Chrysler.
A empresa de consultoria ISS, contratada pelos acionistas da Fiat, emitiu um parecer que desaconselha a fusão do grupo Fiat com o grupo Chrysler, pois irá reduzir os direitos dos acionistas atuais.
“Apesar dos benefícios potenciais de uma entrada no NYSE no que diz respeito à atração de novos acionistas, a fusão irá fazer baixar o valor das ações” informa o documento preparado pela ISS.
A Fiat concluiu a compra da Chrysler no início do ano e incorporou as duas em uma só empresa denominada Fiat Chrysler Automobiles (FCA) com registro na Holanda e domicilio fiscal no Reino Unido, criando assim o sétimo maior grupo automobilístico no mundo, pavimentando assim o caminho para a entrada em bolsa no NYSE.
Sérgio Marchionne disse recentemente que estava confiante na aprovação da fusão, mas agora as coisas estão mais complicadas. Normalmente, os investidores seguem os conselhos das empresas de consultoria e a ISS foi clara. Um fracasso destes poderá complicar de forma decisiva a tarefa de Marchionne, que deixaria de entrar na bolsa de New York e teria enorme dificuldade em encontrar o dinheiro necessário para suportar seu ambicioso plano de crescimento do grupo.
Outro problema que a ISS alertou está ligado com o reforço da posição de domínio da Exor, a holding da família Agnelli-Elkann. Atualmente a Exor domina 30% do capital da FCA, mas o poder de voto pode subir até os 46% através de um esquema de lealdade colocado em prática para facilitar a fusão e assim beneficiar os acionistas a longo prazo.
Depois da ISS ter feito a recomendação contra a fusão, uma outra empresa de consultoria menor, a Frontis Governance, fez exatamente a mesma recomendação, citando problemas como o tratamento desigual entre acionistas devido a este esquema de lealdade. “A ideia de uma segunda votação é como um presente para a Exor” informa esta empresa.