ISOTTA FRASCHINI-FIAT RACE CAR 1905: UMA MÁQUINA ESPETACULAR QUE É SÍMBOLO DA ENGENHOSIDADE ITALIANA
A história do veículo Isotta Fraschini-FIAT de 1905 está ligada a um projeto ambicioso da FIAT, que buscava construir um carro para quebrar recordes de velocidade em terra, prática comum no início do século XX. Este veículo, embora conhecido como ‘Fiat Isotta Fraschini 1905’, não foi produzido em 1905, mas é uma reconstrução posterior baseada em um projeto da época, o que gera alguma confusão.
Contexto e Origem
Fundada em 1900 em Milão por Cesare Isotta e os irmãos Vincenzo, Antonio e Oreste Fraschini, a Isotta Fraschini começou como uma empresa que importava, vendia e reparava automóveis, incluindo modelos Renault e motores Aster. A partir de 1904, a empresa passou a produzir seus próprios veículos, destacando-se pela engenhosidade técnica. Por outro lado, a FIAT, fundada em 1899 em Turin por Giovanni Agnelli, já era uma potência na indústria automotiva italiana, conhecida por seus carros de competição.
Em 1905, a FIAT planejou desenvolver um carro de recorde de velocidade com um motor de 200 cv, utilizando dois motores de 4 cilindros de 100 cv (6.8 litros cada) montados em tandem para formar um 8 cilindros em linha. Esse projeto, conhecido como ‘FIAT 200 HP’, visava competir com outros recordistas da época, como o ‘Flying Dutchman II’ de Herbert L. Bowden, que atingiu 176.6 km/h em Daytona. No entanto, a FIAT abandonou o projeto, possivelmente devido à decisão de focar seus motores de 6.8 litros em carros de corrida convencionais pilotados por ases como Felice Nazzaro. Assim, o carro de recorde nunca foi concluído na época.
Reconstrução Moderna
Décadas depois, na década de 1990, um entusiasta britânico chamado Graham Rankin descobriu os esquemas técnicos e blueprints originais do projeto de 1905 da FIAT. Embora os motores de corrida originais não estivessem disponíveis, Rankin adquiriu um motor aeronáutico Isotta Fraschini de 6 cilindros em linha, de 16.5 litros, fabricado em 1917 para um caça da Primeira Guerra Mundial. Esse motor, comprado da família do lendário construtor de barcos Gar Wood, tinha 140 mm de diâmetro de cilindro, 180 mm de curso e uma taxa de compressão de 5.1:1, gerando cerca de 250 cv e impressionantes 4.067 Nm de torque.
O carro foi reconstruído pelo atual proprietário, Mike Vardy, a partir de 2004, utilizando as plantas originais da FIAT e o motor aeronáutico Isotta Fraschini. Como o motor de 6 cilindros era mais curto que o arranjo original de dois motores de 4 cilindros, foi possível instalar um tanque de combustível à frente dos ocupantes. Além disso, para tornar o veículo funcional, foi incorporada uma transmissão de 4 velocidades de um veículo comercial Dennis de 1912, já que o projeto original previa acionamento direto. Em dezembro de 2012, o motor foi ligado pela primeira vez em nove décadas, marcando a conclusão desse projeto de restauração.
Características e Desempenho
O Isotta Fraschini-FIAT reconstruído é uma máquina imponente, com um motor de 16.5 litros que proporciona uma presença visual e sonora única. Apesar de seu tamanho e peso, o carro é capaz de atingir até 204 km/h, embora a velocidade seja limitada pela mecânica da época e pela coragem do piloto. O veículo utiliza tração por correntes duplas e requer habilidade para ser conduzido, devido à sua potência bruta e dimensões. Mike Vardy, o proprietário, já percorreu dezenas de milhares de quilômetros com o carro, participando de eventos como o Goodwood Festival of Speed, Brooklands, CarFest e subidas de montanha em Shelsley Walsh e Prescott, onde o carro impressiona pelo desempenho e pela história.
Legado e Curiosidades
O Isotta Fraschini-FIAT de 1905 é um exemplo fascinante de como entusiastas podem ressuscitar projetos históricos. Embora o carro original nunca tenha sido concluído pela FIAT, a reconstrução combina elementos autênticos do projeto de 1905 com um motor aeronáutico Isotta Fraschini, criando uma máquina que reflete o espírito audacioso da era eduardiana. O motor, que se acredita ser um dos dois sobreviventes de seu tipo, carrega marcas de possíveis danos de guerra, como furos de bala ou estilhaços, adicionando ainda mais caráter à história do veículo.
Além disso, a associação com a Isotta Fraschini reforça a reputação da marca em produzir motores potentes, usados não apenas em carros, mas também em aviões e barcos, como o que venceu a Schneider Trophy em 1921. O carro é um testemunho da paixão por automóveis clássicos e da engenhosidade técnica, sendo uma peça única que continua a encantar entusiastas em eventos automotivos.
O Isotta Fraschini-FIAT de 1905, embora não tenha existido em sua forma original na época, é uma recriação fiel de um projeto visionário da FIAT, trazido à vida por entusiastas com um motor aeronáutico Isotta Fraschini. Com 250 cv, 4.067 Nm de torque e uma velocidade máxima de 204 km/h, ele representa a força bruta e o charme dos primórdios do automobilismo, sendo hoje uma atração em eventos clássicos e um símbolo da engenhosidade italiana.