ITALA 35 (2026): DEPOIS DE 92 ANOS, UMA LENDA ITALIANA VOLTA À ESTRADA
Há retornos que pertencem à história do automóvel, e o renascimento da Itala certamente é um deles. Fundada em Turin em 1903, a marca encerrou suas atividades em 1934 e agora, 92 anos depois, volta oficialmente ao mercado com o Itala 35, primeiro produto do programa Historic Italian Brands (HIB), criado para recuperar nomes históricos da indústria automobilística italiana. Apresentada no Museo Nazionale dell’Automobile, em Turin, o novo 35 resgata diretamente a memória do célebre Itala 35/45 HP que venceu a épica corrida Pequim-Paris de 1907, conduzida pelo príncipe Scipione Borghese, mas transforma aquela referência histórica em um moderno crossover de porte compacto.
A nova Itala nasce de uma interessante combinação entre engenharia internacional e identidade italiana. Sua plataforma técnica, incluindo chassi e conjunto motriz, é compartilhada com modelos do grupo chinês GAC, enquanto a transformação estética foi confiada à italiana Italdesign. A equipe de design trabalhou principalmente nas regiões dianteira e traseira, redesenhando elementos não estruturais e criando uma identidade própria para a Itala, com destaque para a ampla grade frontal, cujo padrão de tela faz referência simultaneamente à marca e à cidade de Turin. A carroceria mede 4.410 mm de comprimento, 1.850 mm de largura, 1.600 mm de altura e 2.650 mm de entre-eixos, acomodando cinco ocupantes.
O resultado visual procura combinar elegância italiana com uma dose de agressividade contemporânea. Os estreitos conjuntos ópticos dianteiros em LED formam uma assinatura luminosa bastante característica, enquanto a grande grade recebe elementos cromados. A lateral é marcada por vincos pronunciados, maçanetas embutidas e um aplique escurecido na coluna C que incorpora o logotipo Itala. Na traseira, as lanternas de LED assumem formato geométrico e se integram a uma tampa do porta-malas redesenhada. O teto preto contrastante, o teto panorâmico de abertura elétrica e as rodas de 20 polegadas calçadas com pneus Pirelli fazem parte da proposta visual sofisticada do novo modelo.
No interior, a intenção é elevar a percepção de qualidade. A Itala utiliza couro proveniente de curtumes italianos e Alcantara, aplicados em bancos, portas e painel, enquanto o ambiente combina acabamento artesanal com uma arquitetura digital relativamente convencional. O condutor dispõe de um quadro de instrumentos de 7 polegadas, acompanhado por uma central multimídia de 10.25 polegadas, além de iluminação ambiente personalizável. A lista de equipamentos é bastante generosa: climatizador automático, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, carregamento por indução, bancos dianteiros com ajustes elétricos e ventilação, tampa traseira elétrica, câmera de 360 graus, estacionamento automático e sistemas de assistência à condução de nível 2.
Sob o capô encontra-se um motor 1.5 turbo de 4 cilindros com injeção direta, capaz de entregar 170 cv e 270 Nm, associado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem com 7 velocidades e tração dianteira. Para um SUV de 4.41 metros, os números são interessantes: o Itala 35 acelera de 0 a 100 km/h em 7.5 segundos, supera 190 km/h de velocidade máxima e registra consumo médio declarado de 14.7 km/l. A suspensão, direção, freios e demais elementos dinâmicos também receberam desenvolvimento específico para o novo modelo, em um trabalho coordenado por especialistas italianos da indústria automobilística.
O Itala 35, entretanto, é apenas o primeiro capítulo de um projeto muito mais ambicioso. A estratégia prevê a criação de uma nova estrutura industrial em Macchia d’Isernia, no Molise, dentro do programa Fabbrica Italia, com investimentos anunciados de cerca de 50 milhões de euros e 500 empregos diretos. A gama deverá crescer rapidamente com os Itala 56 e Itala 61, além de futuros modelos equipados com sistemas híbridos, híbridos plug-in, range extender e propulsão totalmente elétrica. A empresa também pretende estabelecer uma rede de aproximadamente 50 concessionárias na Itália durante 2026, antes de avançar para outros mercados.
O Itala 35 2026, portanto, não é simplesmente uma tentativa de reproduzir o passado. É uma operação de renascimento de marca que utiliza a força simbólica de uma das pioneiras do automobilismo italiano para lançar um produto contemporâneo, desenvolvido sobre uma base internacional, mas reinterpretado em design, acabamento e dinâmica por profissionais italianos. Se o Itala original escreveu uma página memorável da história do automóvel ao vencer a Pequim-Paris, seu sucessor começa uma nova história muito mais pragmática: transformar a tradição de Turin em uma marca moderna, global e novamente presente nas estradas.