Ir para a página inicial
  • Notícias
  • Fabricantes
  • Carros
  • Contato
  • Sobre

Busca

Fazer a pesquisa em:

Você está em

  1. Notícias
  2. KURTIS AGUILA (1962): O CANTO DO CISNE DE FRANK KURTIS NA ERA DOS GRANDES ROADSTERS AMERICANOS

Notícias

KURTIS AGUILA (1962): O CANTO DO CISNE DE FRANK KURTIS NA ERA DOS GRANDES ROADSTERS AMERICANOS

29/08/2026

Voltar
KURTIS AGUILA (1962): O CANTO DO CISNE DE FRANK KURTIS NA ERA DOS GRANDES ROADSTERS AMERICANOS

No início dos anos 1960, uma das mais importantes páginas da história dos carros de corrida americanos estava chegando ao fim. Frank Kurtis, o genial construtor e projetista californiano que havia dominado boa parte do automobilismo dos Estados Unidos nas décadas anteriores, aproximava-se da aposentadoria justamente quando uma nova geração de monopostos começava a transformar profundamente as pistas. Foi nesse momento de transição que surgiu uma de suas criações mais curiosas e, retrospectivamente, mais simbólicas: o Kurtis Aguila, construído em 1962 a partir de uma encomenda do texano Herb Stelter, um piloto que havia começado sua carreira nas motocicletas e desejava finalmente encontrar um caminho competitivo sobre quatro rodas. O automóvel, chassi 62-S1, acabaria se tornando um dos últimos projetos de competição de Frank Kurtis e, segundo seu filho Arlen, o último carro de corrida efetivamente construído pelo pai. 

A ideia que deu origem ao Aguila era tão simples quanto engenhosa. Stelter imaginava que um carro baseado em um monoposto de Indianápolis poderia ser transformado em um esportivo de competição extremamente rápido. Kurtis, entretanto, encontrou uma maneira ainda mais interessante de explorar o conceito: construir um automóvel que pudesse competir tanto como monoposto de rodas descobertas quanto como sports racer, simplesmente retirando ou instalando os para-lamas. Para isso, a carroceria recebeu grandes para-lamas laterais do tipo pontoon, presos por fixadores rápidos Dzus, permitindo que fossem removidos em poucos minutos. Com eles instalados, o Aguila podia disputar provas de carros esportivos; sem eles, assumia a aparência de um verdadeiro roadster de competição e podia participar das categorias de monopostos. O próprio Stelter batizou o carro de Aguila, palavra espanhola para ‘águia’. 

A solução produziu um automóvel de aparência extraordinária. A carroceria inteiramente em alumínio combinava um nariz baixo e aberto, cockpit de dois lugares e volumes laterais que envolviam as rodas quando os para-lamas estavam instalados. A silhueta era simultaneamente americana e europeia: havia a tradição dos roadsters de Indianápolis, mas também uma elegância que lembrava os esportivos de competição europeus daquele período. Era, em essência, um carro de corrida que não precisava escolher entre duas identidades. Bastava retirar alguns componentes para que sua personalidade mudasse completamente.

Debaixo da carroceria estava a tradicional engenharia Kurtis. O chassi utilizava uma estrutura do tipo ladder frame, construída com tubos de aço cromo-molibdênio, enquanto a suspensão dianteira e traseira empregava eixos rígidos localizados por braços longitudinais e barras de torção. O sistema de frenagem utilizava discos Halibrand/Airheart nas quatro rodas, e atrás encontrava-se outro componente característico dos carros de competição americanos da época: um diferencial Halibrand de troca rápida (quick-change), permitindo alterar com relativa facilidade a relação final de transmissão para diferentes circuitos. A distância entre eixos era de aproximadamente 2.24 metros. 

O motor escolhido por Stelter também seguia a receita clássica dos hot rodders americanos. O Aguila recebeu um Chevrolet V8 de 327 polegadas cúbicas, equivalente a 5.4 litros, originalmente relacionado ao Corvette. O pequeno bloco recebeu preparação específica, com três carburadores Stromberg de corpo duplo montados sobre um coletor Edelbrock. A potência é frequentemente estimada em aproximadamente 350 cv, embora algumas fontes posteriores apontem números próximos de 400 cv. O motor era ligado a uma transmissão manual Borg-Warner T10 de 4 velocidades, responsável por enviar a força às rodas traseiras. Com peso de aproximadamente 748 kg, o conjunto apresentava uma relação peso/potência extraordinária para o período. 

A imprensa especializada percebeu imediatamente que havia algo especial naquela criação. A revista Road & Track dedicou ao Aguila uma matéria de quatro páginas em sua edição de janeiro de 1963, intitulada Dual Purpose Design. No papel, o conceito parecia quase imbatível: um carro extremamente leve, potente, com engenharia de competição comprovada e capaz de mudar de categoria conforme a configuração da carroceria. Mas o automobilismo raramente respeita aquilo que parece perfeito nos desenhos técnicos. 

Na prática, o Aguila teve uma carreira competitiva bastante discreta. Stelter participou de algumas provas da SCCA em 1962 e 1963, mas problemas mecânicos impediram que o carro alcançasse o desempenho que seu projeto prometia. O registro histórico de competição confirma participações em eventos como Mansfield e Galveston, mas sem resultados expressivos. A situação acabou se agravando até que, em 1965, uma explosão do volante do motor provocou danos ao automóvel e praticamente encerrou sua carreira. O carro foi desmontado pelo mecânico Dale Burt e permaneceu durante cerca de duas décadas armazenado em sua garagem em Houston. 

Ironia do destino, o fracasso relativo nas pistas acabou contribuindo para preservar uma das criações mais singulares de Frank Kurtis. Na década de 1980, o Aguila foi adquirido por um colecionador do Colorado e posteriormente chegou às mãos do entusiasta de corridas históricas George Shelley, que promoveu uma restauração completa e voltou a utilizá-lo em competições de carros históricos. Mais tarde, o exemplar passou por outras coleções importantes, incluindo a de William Chapin, um conhecido colecionador de automóveis Kurtis-Kraft, antes de chegar a novos proprietários interessados em preservá-lo e exibi-lo em eventos de grande prestígio. Em 2016, o chassi 62-S1 foi vendido pela RM Sothebys por 423.500 dólares, confirmando o enorme valor histórico atribuído àquela criação de Kurtis. 

O Aguila também carrega uma importância especial porque surgiu justamente quando a fórmula que havia consagrado Frank Kurtis estava perdendo espaço. Seus famosos roadsters de motor dianteiro haviam conquistado cinco edições da Indianapolis 500 durante os anos 1950, mas a revolução dos carros de motor traseiro já estava em andamento. Em poucos anos, os enormes monopostos americanos de motor dianteiro seriam definitivamente superados pelos novos conceitos de competição vindos da Europa. O Aguila, portanto, parece quase uma despedida: tecnicamente refinado dentro da escola de Kurtis, mas concebido em um momento em que essa escola já começava a pertencer ao passado. 

É justamente isso que torna o Kurtis Aguila de 1962 tão fascinante. Ele não foi um campeão, não inaugurou uma nova era e tampouco teve uma produção significativa. Foi, na realidade, um one-off de competição construído para satisfazer a ideia muito particular de um piloto privado. Mas condensou em pouco mais de 700 quilos quase três décadas da experiência de Frank Kurtis: chassi simples e resistente, componentes de competição consagrados, enorme potência, construção artesanal e uma preocupação obsessiva em extrair o máximo de desempenho de cada elemento.

E talvez sua maior beleza esteja justamente nessa condição de despedida. O Aguila foi a última grande águia de Frank Kurtis, concebida quando o mundo das corridas estava prestes a mudar definitivamente. Entre a tradição dos roadsters americanos e a modernidade dos monopostos de motor traseiro, ele permaneceu em uma espécie de território intermediário - elegante quando vestido com seus para-lamas, brutal quando despido deles e absolutamente único em qualquer configuração. Por isso, mais de seis décadas depois de deixar a oficina de Kurtis em Glendale, o pequeno 62-S1 continua sendo lembrado não apenas como um raro carro de corrida americano, mas como o provável canto do cisne de um dos maiores construtores da história do automobilismo dos Estados Unidos. 

Compartilhe:

  • Facebook
  • Twitter
  • WhatsApp
  • E-mail

1962 - KURTIS AGUILA

Ir para a página inicial
  • Notícias
  • Fabricantes
  • Carros
  • Contato
  • Sobre
  • Termos de uso

Temos mais de 800 mil fotos de carros em alta resolução. Encontre as imagens de carros de todas as marcas do mundo e ainda receba notícias sobre carros.

“PLANETCARSZ” foi criado para aqueles que são apaixonados ou simplesmente gostam de automóveis. Você poderá encontrar em nosso site, imagens de carros de todos os tipos, desde os mais antigos até os últimos lançamentos do mercado mundial. Você poderá navegar pelos fabricantes, onde os modelos aparecem classificados por marca e ano de fabricação. Você pode usar também o nosso mecanismo de busca para encontrar um modelo mais específico. São perto de 800.000 imagens de carros em alta definição e com novas fotos sendo incluídas diariamente. Visite-nos sempre para verificar as mais recentes inclusões em nossa galeria e também conhecer marcas e modelos de veículos que com certeza, você nunca tinha ouvido falar, além de poder acompanhar notícias do setor automotivo. Recomende nosso site aos seus amigos que são apaixonados ou apenas apreciam a maior invenção de todos os tempos que é o automóvel.

© PlanetCarsZ | O maior acervo de notícias e imagens de carros. Todos os direitos reservados.

Compartilhe por e-mail

1. Preencha seus dados abaixo para compartilhar este conteúdo:

Digite o e-mail do seu amigo e pressione enter